A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a suspensão da fertirrigação na Fazenda Palmeira, localizada entre Campo Grande e Terenos. A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que suspeita da utilização de substâncias tóxicas provenientes de curtumes e processamento animal. Essas substâncias, incluindo cromo hexavalente, podem contaminar o solo, cursos d’água e atingir o lençol freático, representando um grave risco ambiental e à saúde pública.
A Fazenda Palmeira, pertencente à família Metello, foi alvo da ação judicial após indícios de que o material usado na fertirrigação, técnica que consiste na aplicação de fertilizantes líquidos via irrigação, continha componentes perigosos. O MPMS aponta a empresa Qually Peles, do empresário Jaime Valler, como possível responsável pelo despejo irregular. A JBS também foi incluída no processo devido ao compartilhamento de uma rede de drenagem com a Qually, levantando preocupações sobre a extensão da contaminação.
Relatórios apresentados à Justiça indicam a presença de cromo na forma hexavalente, um composto químico perigoso conhecido por sua associação com alergias e diversas formas de câncer. Mesmo o cromo trivalente, que pode ser permitido em certas concentrações, estaria sendo utilizado em níveis significativamente superiores ao autorizado, conforme estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A proibição liminar também impede que os proprietários da fazenda autorizem o uso das terras sem a devida licença ambiental, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 500 mil.
O MPMS suspeita que a prática de fertirrigação com substâncias potencialmente tóxicas possa estar ocorrendo em outras fazendas da região, mesmo naquelas que possuem ou não licença para a atividade. As fazendas Grama Pontal, Pontezinha e Santa Elisa também foram mencionadas e serão analisadas no decorrer do processo. A Justiça ainda definirá se houve contaminação efetiva do solo e qual o impacto sobre os recursos hídricos locais.
Defesas apresentam estudos e questionam prazos
A defesa da família Metello apresentou um estudo ambiental realizado em dezembro de 2025, que, segundo eles, exclui a presença de cromo hexavalente. No entanto, o mesmo estudo admitiria a contaminação por cromo trivalente em níveis acima do permitido em uma das cinco áreas analisadas. Os proprietários da fazenda declararam-se à disposição para colaborar com medidas de descontaminação e recuperação das áreas afetadas.
Por outro lado, Arlindo Muniz, advogado da Qually Peles e de Jaime Valler, questionou a data dos relatórios apresentados pelo MPMS. Ele argumentou que os mesmos documentos já foram analisados em outro processo, onde a sentença mencionava o período de 2014 a 2022. Segundo o advogado, esses fatos não seriam atuais e o juiz já teria determinado que as irregularidades foram sanadas. Muniz também afirmou que o curtume não utiliza cromo hexavalente e que o trivalente é comum na agricultura, além de informar que a Fazenda Palmeira não recebe lançamentos da Qually há mais de um ano.
JBS é incluída no processo por rede de drenagem compartilhada
A empresa JBS foi incluída na ação judicial por operar no mesmo polo industrial e compartilhar a rede de drenagem e lançamento de efluentes com a Qually Peles. O MPMS aponta que o rompimento de uma tubulação de despejo e a subsequente poluição do Córrego Imbirussu, em Campo Grande, podem estar relacionados a esse sistema compartilhado. O córrego em questão atravessa 11 bairros da capital e, segundo um relatório de 2018 do Programa Córrego Limpo, suas águas apresentavam qualidade ruim, com identificação de fósforo, turbidez e coliformes.
Os advogados da JBS solicitaram a exclusão da empresa do processo, alegando que suas operações estão em conformidade com a lei e não causam poluição. No entanto, a Justiça negou o pedido, mantendo a JBS como parte no processo. A situação levanta sérias questões sobre a responsabilidade ambiental de grandes empresas e a gestão de resíduos industriais em Mato Grosso do Sul. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação sobre a contaminação e o uso de substâncias tóxicas na região continua, buscando garantir a proteção do meio ambiente e da saúde da população.
A análise sobre a possível contaminação em outras fazendas e o impacto ambiental detalhado serão definidos nas próximas etapas do processo judicial. A decisão liminar de suspensão da fertirrigação na Fazenda Palmeira representa um passo importante na busca por soluções para a poluição industrial e agrícola em Mato Grosso do Sul. Acompanhe as atualizações sobre este caso, que está sendo monitorado de perto pelo Campo Grande NEWS, para entender as responsabilidades e as medidas que serão tomadas para mitigar os danos ambientais. A atuação do MPMS e a postura da Justiça demonstram o compromisso em coibir práticas que coloquem em risco os recursos naturais e a saúde pública, conforme também apurado pelo Campo Grande NEWS.

