Justiça nega pedido de soltura de dono de boate e Mustang

A Justiça Federal de Campo Grande negou o pedido de relaxamento da prisão preventiva do empresário Pedro Henrique Galvão Oliveira, de 27 anos. Ele está detido desde 21 de maio, em decorrência da Operação Cyber Trap, deflagrada pela Polícia Federal. A decisão mantém o empresário atrás das grades por mais 15 dias, período concedido para a conclusão das investigações que apuram fraudes bancárias eletrônicas e ocultação de patrimônio que ultrapassaria R$ 120 milhões.

A defesa de Pedro Henrique Galvão Oliveira havia protocolado um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), contestando a legalidade da prorrogação do prazo investigativo. Segundo o advogado Tiago Bunning, o prazo legal de 15 dias para a conclusão da apuração teria se esgotado em 4 de junho, sem manifestação policial ou prorrogação formal. O pedido de dilação, apresentado em 8 de junho, foi considerado fora do prazo e sem fundamentação adequada pela defesa.

O Ministério Público Federal (MPF), por outro lado, argumentou a complexidade do caso, que envolve crimes cibernéticos e a análise de grande volume de material tecnológico e documental. O juiz federal substituto Felipe Alves Tavares acatou o pedido de prorrogação, concedendo mais 15 dias para as investigações. Em sua decisão, o magistrado destacou que a prorrogação é justificada pela natureza das diligências pendentes e que as condições pessoais favoráveis do réu, como primariedade e bons antecedentes, não são suficientes para revogar a custódia cautelar.

Operação Cyber Trap desmantela esquema milionário

A Operação Cyber Trap, que resultou na prisão de Pedro Henrique Galvão Oliveira, investiga um esquema de ocultação patrimonial que teria movimentado mais de R$ 120 milhões. A ação policial cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e realizou bloqueios patrimoniais em Campo Grande e em Campo Limpo Paulista, no estado de São Paulo. O empresário é apontado como um dos principais suspeitos de liderar o grupo criminoso.

A investigação teve início em 2023, após uma comunicação da Caixa Econômica Federal sobre um site que comercializava cartões bancários fraudulentos. Essa denúncia levou à identificação do principal suspeito e de outros envolvidos na organização criminosa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a prisão de Pedro Henrique ocorreu em sua residência, em um condomínio na Vila Planalto, onde foi apreendido um Ford Mustang avaliado em cerca de meio milhão de reais.

Defesa contesta prorrogação e busca liberdade via habeas corpus

O advogado Tiago Bunning, responsável pela defesa de Pedro Henrique, criticou a decisão de prorrogar o prazo investigativo. Ele argumenta que o delegado não respeitou o prazo legal de 15 dias para concluir a investigação após a prisão. “Houve pedido de prorrogação do prazo por mais 15 dias e foi deferido pelo juiz. Não há motivos para a prorrogação”, afirmou Bunning. Ele reitera que a prisão é desnecessária, pois Pedro é primário e possui bons antecedentes.

Bunning também levanta questionamentos sobre o andamento da investigação. Segundo ele, o caso, iniciado em 2023, ficou parado durante todo o ano de 2024. O empresário nunca teria sido intimado para prestar esclarecimentos. A prisão, conforme a defesa, foi requerida em novembro de 2025, sem fatos novos, e decretada somente em março de 2026, o que, para o advogado, evidencia a ausência de elementos que justifiquem a prisão preventiva.

Entenda as acusações e a complexidade das investigações

Pedro Henrique Galvão Oliveira é sócio de uma boate na região do Jardim dos Estados, de uma construtora no Jardim São Conrado e de drogarias nos bairros Jardim Leblon e Residencial Oiti. Sua prisão está ligada à Operação Cyber Trap, focada em combater fraudes bancárias eletrônicas e ocultação de bens. O esquema investigado é complexo, envolvendo transações digitais e a movimentação de vultosas somas de dinheiro.

O juiz federal Felipe Alves Tavares, ao justificar a prorrogação, ressaltou a natureza das diligências pendentes e a necessidade de análise técnica de expressivo material. Ele também reiterou que as condições pessoais favoráveis do acusado não impedem a manutenção da prisão preventiva, caso esta seja necessária para a garantia da ordem pública, da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.

A defesa de Pedro Henrique Galvão Oliveira ainda aguarda o julgamento do habeas corpus impetrado no TRF3. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o pedido busca reverter a decisão de primeira instância e obter a liberdade provisória para o empresário, argumentando a desnecessidade da prisão e a falta de fundamentação para sua manutenção. A decisão final sobre o caso caberá ao tribunal superior.

O caso demonstra a dificuldade em desmantelar esquemas de crimes cibernéticos, que muitas vezes envolvem alta tecnologia e movimentações financeiras complexas. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal seguem trabalhando para reunir provas e concluir as investigações, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados. O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desenrolar deste caso.