Justiça aceita denúncia contra 12 por tragédia aérea que matou 4 com ligação com MS

A Justiça Federal acolheu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 dirigentes e funcionários da Voepass. Eles são acusados de envolvimento na queda do voo 2.283, ocorrida em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas. Entre as vítimas fatais, quatro possuíam ligações com Mato Grosso do Sul. A decisão transforma os denunciados em réus, sob suspeita de terem colocado em risco a segurança do transporte aéreo e contribuído para o desastre.

Justiça processa 12 por desastre aéreo com 4 vítimas de MS

O MPF apresentou a denúncia com base em investigações da Polícia Federal, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo a acusação, a Voepass teria priorizado a redução de custos em detrimento da segurança, mantendo aeronaves com falhas de manutenção e registros irregulares, incluindo problemas no sistema de degelo. O proprietário da companhia, José Luiz Felício Filho, está entre os réus.

A investigação aponta que a empresa operava aviões com problemas técnicos conhecidos pelos responsáveis, mas que não eram devidamente registrados. Funcionários teriam sido pressionados a não reportar defeitos, permitindo que as aeronaves continuassem em serviço sem a devida avaliação dos riscos. Essa cultura de negligência, conforme o MPF, contribuiu diretamente para a sequência de falhas que culminaram na tragédia.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, o avião envolvido no acidente, um ATR 72-500, apresentava falhas recorrentes no sistema de degelo há pelo menos um ano. Pilotos e gestores estavam cientes dos problemas, mas a falta de registros formais impediu a realização das manutenções necessárias. A aeronave foi autorizada a decolar mesmo com restrições técnicas e previsão de formação de gelo severo na rota, aumentando o risco da operação.

Direção e funcionários respondem por risco à segurança aérea

Os 12 réus ocupavam cargos que variavam desde a direção da empresa até áreas de manutenção, planejamento e liberação de voos. Entre os denunciados estão, além de José Luiz Felício Filho, Marcel Sarquis Moura, Raphael Limongi de Figueiredo, Rafael Gimenez Rodrigues, Eric Consoli, David da Costa Faria Neto, Tiago Passucci Morani, Marcos Hiroyuki Sato, Alex de Souza Leandro, William Schmidt Agatz, Juliano Flores Pacheco e Carlos Alberto Costa. Quatro outras pessoas investigadas firmaram acordos com o MPF e não foram incluídas na denúncia.

A defesa de José Luiz Felício Filho alega que ele estava afastado da gestão diária da empresa na época do acidente, integrando apenas o conselho. Segundo os advogados, ele retomou o comando executivo após a tragédia e se colocou à disposição das autoridades. A Voepass, por sua vez, declarou que colaborará com a Justiça e fornecerá os documentos solicitados, afirmando que suas operações sempre seguiram as normas do setor aéreo.

Vítimas com ligação com MS estavam entre os passageiros

O acidente chocou o país e, em particular, Mato Grosso do Sul, onde quatro das vítimas possuíam forte vínculo. Entre elas estavam o policial rodoviário federal Hiales Carpine Fodra e sua esposa, Daniela Schulz Fodra. A fisioterapeuta Kharine Gavlik Pessoa Zini, formada pela Uniderp em Campo Grande, e Laiana Vasata, ligada à família Bigolin, cujo grupo empresarial teve atuação na capital sul-mato-grossense por três décadas, também estavam a bordo.

Os passageiros e tripulantes do voo 2.283 não tiveram chance de sobreviver. O avião perdeu o controle e caiu em uma área residencial em Vinhedo, causando grande destruição e comoção. O caso reacendeu o debate sobre a segurança aérea no Brasil e a fiscalização das companhias. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a investigação aprofundada buscou identificar todas as falhas que levaram à catástrofe.

Relatório aponta 19 fatores contribuintes para a queda do avião

Um relatório final do Cenipa, divulgado em julho deste ano, identificou um total de 19 fatores relacionados ao desastre. Desses, 16 foram considerados contribuintes diretos para a queda, enquanto três permaneceram sem conclusão. As causas apontadas incluem falhas na manutenção, decisões tomadas pela tripulação, condições meteorológicas adversas, problemas na fiscalização por parte dos órgãos competentes e deficiências na cultura de segurança da própria companhia aérea.

O documento do Cenipa detalhou que o sistema de degelo apresentou problemas em três voos consecutivos antes da queda. A falta de registro adequado dessas falhas, apesar da recorrência, dificultou a identificação e mitigação dos riscos. Essa omissão é um dos pontos centrais da acusação do MPF contra os dirigentes da Voepass. O Campo Grande NEWS ressalta a importância da transparência e do rigor na manutenção aeronáutica para prevenir novas tragédias.

A investigação judicial agora seguirá seu curso, com a expectativa de que a verdade sobre as causas do acidente venha à tona e que os responsáveis sejam devidamente punidos. A análise dos documentos e testemunhos promete esclarecer as circunstâncias que levaram à perda de tantas vidas e reforçar a necessidade de um controle mais rigoroso na aviação comercial. A sociedade aguarda um desfecho justo para este lamentável episódio.