Juiz exige investigação de envenenamento na morte do “Barão do Tráfico”

O juiz federal Luiz Fiorentini determinou, nesta sexta-feira (21), em Campo Grande, a investigação da suspeita de envenenamento na morte de Leonardo Dias de Mendonça, de 63 anos. A ordem prevê necropsia, exames toxicológicos e análise de tecidos para esclarecer a causa da morte do “Barão do Tráfico”, que cumpria pena desde 2019 na Penitenciária Federal campo-grandense. O corpo permanecia sem destino definido por divergências entre instituições, um impasse resolvido após a decisão judicial, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A determinação judicial abre caminho para a investigação que estava travada desde a morte do detento, ocorrida na quinta-feira (20). Inicialmente, o corpo de Leonardo Dias de Mendonça estava em um impasse entre a Santa Casa, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), devido a informações divergentes sobre a causa da morte. A suspeita de envenenamento havia sido comunicada verbalmente à família, mas não constava nos documentos oficiais que justificariam uma necropsia, como relatado pela defesa.

O juiz federal Fiorentini também determinou uma inspeção extraordinária na unidade prisional onde Leonardo Dias de Mendonça cumpria pena. O procedimento visa verificar as circunstâncias que antecederam a morte e o atendimento de saúde oferecido ao detento durante sua custódia. Além disso, a ordem exige a preservação integral das imagens do circuito interno de monitoramento do período relevante para a apuração, reforçando a busca por clareza e transparência no caso.

Em nota oficial, a advogada Ana Cláudia Alves, representante da defesa, declarou que as medidas são “indispensáveis para assegurar uma apuração técnica, independente e completa da morte de uma pessoa que se encontrava sob custódia do Estado”. A defesa busca garantir que todos os fatos sejam esclarecidos de forma rigorosa, dada a gravidade das circunstâncias e a figura proeminente do falecido no mundo do crime.

O imbróglio em torno da liberação do corpo se desenrolou nas horas anteriores à decisão judicial. Segundo a defesa, a Santa Casa emitiu uma declaração inicial para o encaminhamento ao SVO, que teria recusado o recebimento por se tratar de um caso de internação prolongada e quadro de saúde já comprometido. Posteriormente, o hospital informou à família sobre a suspeita de envenenamento e indicou o encaminhamento ao Imol, mas um documento formalizando a suspeita de intoxicação não foi emitido, impedindo, inicialmente, a realização da necropsia.

Sem a indicação formal de suspeita de envenenamento, o Imol informou à defesa que não havia fundamento documental para receber o corpo e realizar o exame. A Polícia Científica confirmou ao Campo Grande NEWS, no início da tarde, que ainda não havia recebido o corpo acompanhado da requisição para exame. A determinação judicial agora estabelece expressamente a realização da perícia, sanando o impasse e garantindo o prosseguimento das investigações.

A defesa de Leonardo Dias de Mendonça espera que, após a conclusão dos exames, o corpo seja liberado imediatamente para traslado a Goiânia (GO). O “Barão do Tráfico” havia sido transferido de Goiás para cumprir pena em Campo Grande e, segundo a advogada, não possuía vínculos familiares na capital sul-mato-grossense. A família pretende realizar o velório e o sepultamento em território goiano, honrando sua origem e laços afetivos.

Leonardo Dias de Mendonça era apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos grandes nomes do tráfico internacional de drogas no Brasil. Em 2003, ele foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão em um processo ligado à apreensão de 327 quilos de cocaína em um avião, em Cocalinho (MT). Investigações também o relacionaram a operações internacionais de tráfico e a contatos na Colômbia, Suriname e Peru, demonstrando a extensão de sua atuação criminosa.

O “Barão do Tráfico” também foi citado em investigações como ex-aliado de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e chegou a integrar a lista de procurados da Interpol. Em 2009, acumulava condenações que somavam 39 anos de prisão e era apontado pela PF como líder de uma organização com atuação em vários países. Sua morte levanta questionamentos sobre as circunstâncias e a possibilidade de haver envolvimento de terceiros, o que a justiça agora busca esclarecer. O caso continua em andamento, com a expectativa de que os exames toxicológicos forneçam respostas cruciais.

O Campo Grande NEWS acompanhou de perto o desenrolar deste caso complexo, desde o impasse na liberação do corpo até a decisão judicial que agora impulsiona a investigação. A apuração minuciosa, incluindo a inspeção na penitenciária e a análise das imagens de monitoramento, é vista como fundamental para desvendar a verdade por trás da morte de uma figura tão notória no cenário do crime organizado. A comunidade aguarda os resultados dos exames para entender completamente o que ocorreu com Leonardo Dias de Mendonça.