Em um depoimento emocionante durante o júri popular nesta sexta-feira (2), em Campo Grande, Matheus Henrique de Oliveira Domingos, de 24 anos, declarou sua inocência no assassinato de Kamyla Scarllet Fernandes Cristaldo, de 28 anos. O jovem, que era cabeleireiro e vendedor autônomo antes de ser preso, afirmou estar sendo acusado injustamente e que a vítima residiu em sua casa por pedido de sua ex-namorada.
Matheus contou que Kamyla passou a morar em sua residência por cerca de dois meses, a pedido de sua então namorada, com quem mantinha amizade há oito anos. A convivência, no entanto, teria se tornado tensa devido a episódios de cobrança na porta da casa, o que levou Matheus a pedir que Kamyla se retirasse, temendo por sua própria segurança.
O réu negou veementemente qualquer desavença motivada por ciúmes, afirmando que a única discussão entre ele e Kamyla foi referente à segurança da residência. Ele relatou que, após os incidentes, sentiu que a casa não era mais segura para ele e decidiu entregá-la, o que teria sido o motivo da única briga que tiveram durante o período em que Kamyla morou ali.
Sobre sua fuga para Presidente Prudente (SP) após Kamyla ser baleada, Matheus alegou que deixou Campo Grande antes mesmo de saber que figurava como suspeito. Ele justificou sua permanência foragida pela falta de dinheiro para contratar um advogado e pelo medo de ameaças que recebia pelas redes sociais. Somente em dezembro, quando viu sua foto circulando, soube que estava sendo citado no homicídio.
Acusado alega ter voltado para esclarecer os fatos
Matheus explicou que retornou a Campo Grande com o intuito de se esclarecer com a Justiça, após um ano sem condições de se defender adequadamente. Ele afirmou que ficou esperando, acreditando que o verdadeiro culpado seria encontrado e ele seria inocentado. “Fiquei esperando porque pensei que iriam achar a pessoa certa e eu não ia ser mais suspeito. Aí deu um ano e eu vi que ainda continuava sendo acusado”, declarou ao juiz.
Ele disse ao juiz Aluízio Pereira dos Santos que está no sistema há um ano, sofrendo por um crime que não cometeu. Ao concluir seu interrogatório, Matheus clamou por sua inocência diante do plenário, expressando seu desejo por justiça e a esperança de que a verdade venha à tona. “Eu não sei o que falar, não fui eu que fiz isso. Estou pagando por um crime que não cometi”, finalizou.
Família da vítima clama por justiça e condenação
Enquanto Matheus defendia sua inocência, familiares de Kamyla acompanhavam o julgamento em frente ao Fórum de Campo Grande, em um clima de protesto e clamor por condenação. A avó da vítima, Elizeth Fernandes Cristaldo, que criou a jovem, relembrou os momentos que antecederam o crime. Segundo ela, Kamyla havia acabado de fazer um trabalho temporário e avisou que passaria em sua casa apenas para tomar banho antes de ir para casa.
“Ele pegou a arma e atirou na minha neta, pelas costas, sem motivo nenhum, sem nada. Ele simplesmente atirou”, desabafou a avó, emocionada. Kamyla ficou internada por mais de 100 dias na Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu em 19 de dezembro de 2024. Para custear os medicamentos e uma cuidadora durante a internação, Elizeth precisou recorrer a empréstimos bancários, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
Ministério Público aponta ciúmes como motivação do crime
A mãe de Kamyla, Tatiane Fernandes Cristaldo, também presente, reiterou a dor imensurável que a família tem enfrentado. “É uma dor imensurável. Nós todos os dias esperando que ela vai entrar por aquele portão, porque ainda não conseguimos acreditar e digerir que isso aconteceu”, desabafou. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Matheus por homicídio qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de porte ilegal de arma de fogo. A tese da acusação sustenta que ele agiu por ciúmes da amizade entre a namorada e Kamyla, efetuando os disparos de surpresa.
O caso continua a ser julgado, com a expectativa de que a verdade prevaleça e a justiça seja feita, conforme o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto. A comunidade aguarda o desfecho deste trágico evento que abalou a região e gerou grande comoção. A cobertura completa e atualizações sobre o julgamento podem ser encontradas no portal Campo Grande NEWS.

