Um jovem de 22 anos, que estava em crise psiquiátrica, foi agredido durante atendimento no Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo relatos da família, o rapaz foi segurado pelo pescoço e derrubado no chão por um guarda civil metropolitano. A família denunciou o caso à Guarda Civil Metropolitana (GCM) e à Secretaria Municipal de Saúde. Após a denúncia, uma vaga em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) foi liberada para o jovem, que aguardava há mais de 20 dias.
Guarda Civil agride jovem em crise psiquiátrica em Campo Grande
A família do jovem de 22 anos, que sofre de transtornos psiquiátricos, registrou um boletim de ocorrência contra um guarda civil metropolitano. O incidente ocorreu no Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, em Campo Grande. Conforme o relato dos parentes, o rapaz estava em crise e necessitava de atendimento especializado, aguardando há mais de 20 dias por uma vaga em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Um vídeo que circula nas redes sociais mostra parte da discussão, mas a família alega que a gravação foi interrompida por coação.
Mônica de Moraes, mãe do jovem, expressou sua indignação com a conduta do guarda. “Quem tem que conter são os enfermeiros, são os técnicos, os profissionais de saúde. E não deixar um segurança e tipo, os profissionais de saúde ficam todo mundo ao redor vendo meu filho caindo do chão”, declarou. A família busca justiça e uma transferência imediata para um CAPS, onde o jovem possa receber o tratamento adequado.
Espera por vaga e falta de preparo em unidades de saúde
O jovem, que teve seu primeiro surto psicótico em 2023, está internado no CRS do Aero Rancho. Segundo um laudo médico, ele necessita de tratamento contínuo. A demora na liberação de uma vaga em um CAPS tem sido um obstáculo para o tratamento de diversos pacientes em Campo Grande. O cunhado da família criticou a falta de estrutura e vagas disponíveis. “As pessoas estão à mercê, estão abandonadas, ou seja, não existe vaga no CAPS. Por que não tem vaga no CAPS? Qual é o motivo? Qual é a explicação? Não, ninguém explica nada, só a palavra que se diz é que não tem vaga”, desabafou.
Na enfermaria onde o jovem está internado, outros quatro pacientes psiquiátricos também aguardam por vagas em CAPS. Um deles, irmão de Maciel Souza, que também está na unidade, relatou ter presenciado agressões verbais por parte do mesmo guarda civil contra seu irmão. “Aqui não é um lugar para cuidar de um tratamento psiquiátrico. Aqui é uma UPA 24 horas, para tratar um clínico. Não tem psiquiátra, tem clínico geral. São ríspidos, eles não estão preparados para isso”, afirmou Maciel.
Especialista alerta para protocolos em crises psiquiátricas
O psiquiatra Eduardo Araúju, especialista em saúde mental, ressaltou a importância de seguir protocolos adequados em situações de crise psiquiátrica. Segundo ele, o primeiro passo é avaliar o nível de agitação do paciente, remover objetos que possam causar ferimentos e tentar a comunicação verbal. A contenção física, que envolve segurar o paciente pelo pescoço e derrubá-lo, deve ser o último recurso e utilizada apenas quando há risco iminente para o paciente ou terceiros.
“Identificando que aquele paciente está agitado, colocando em risco a própria vida, a vida da equipe, colocando em risco a integridade física de parentes, acompanhantes, o profissional de saúde deve agir. Deve agir no sentido de conter, de causar uma proteção para aquele indivíduo e para o ambiente”, explicou o psiquiatra. Ele enfatizou que a abordagem presenciada no caso demonstra falta de preparo dos profissionais envolvidos, pois a contenção física, quando necessária, deve ser feita de forma coordenada e sem atingir a região do pescoço.
Investigação e liberação de vaga após denúncia
A Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social de Campo Grande informou que tomou conhecimento do caso e que a denúncia foi encaminhada à Corregedoria para apuração dos fatos. A pasta assegurou que os agentes da GCM que atuam em unidades de saúde recebem capacitação específica para lidar com situações envolvendo pacientes em crise. Conforme o Campo Grande NEWS checou, após a repercussão do caso e a denúncia formalizada, a Central de Regulação informou à mãe do jovem que uma vaga em um CAPS havia sido liberada, confirmando a necessidade de intervenção para agilizar o atendimento. O caso levanta preocupações sobre a capacidade do sistema de saúde em atender adequadamente pacientes com transtornos mentais em Campo Grande.
O acompanhante de outro paciente na mesma unidade relatou ter presenciado outros casos de agressões e maltratos. “Já vi pessoas sendo agredidas, já vi pessoas sendo maltratadas, pessoas sendo liberadas sem estar boas, sem estar com problemas psiquiátricos, de suicídios, de vícios”, afirmou, reforçando a urgência de melhorias no atendimento psiquiátrico na região. O Campo Grande NEWS acompanha o desdobramento das investigações e a situação dos pacientes que aguardam por tratamento especializado.
A família do jovem agredido pretende acionar a Justiça para garantir a transferência do filho para um CAPS. A situação expõe a fragilidade no atendimento psiquiátrico em Campo Grande e a necessidade de investimentos em estrutura e capacitação profissional para lidar com pacientes em crise. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a falta de vagas em CAPS é um problema crônico que afeta diversas famílias na cidade, deixando pacientes vulneráveis e sem o suporte necessário para sua recuperação. A reportagem continua buscando respostas da Secretaria Municipal de Saúde sobre as medidas que serão tomadas para solucionar a carência de vagas e aprimorar o atendimento psiquiátrico.

