Jogo de sub-12 termina em confusão com arma de fogo em quadra

Uma partida de futsal infantil, categoria sub-12, terminou em um episódio de violência chocante na manhã deste sábado (data), no ginásio do Colégio ABC, em Campo Grande, durante a Copa ABC de Futsal. O que deveria ser uma disputa esportiva para jovens atletas se transformou em um cenário de caos, com relatos de agressões e, o mais alarmante, uma arma de fogo sendo empunhada dentro da quadra.

Confusão generalizada marcou o fim da partida

O confronto entre os times do Colégio Batista e Mussi Sports, que estava em andamento e com placar de 1 a 0 para o Colégio Batista, foi interrompido por uma discussão acalorada. Segundo informações apuradas, o desentendimento inicial envolveu um membro da organização da competição e torcedores. A situação rapidamente escalou, envolvendo pais e o árbitro da partida, Genésio Bonfim.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a confusão se intensifica. Em meio aos gritos e empurrões, um dos homens presentes na arquibancada tentou agredir o árbitro. As primeiras informações indicam que este torcedor teria sacado uma arma de fogo em direção ao árbitro, que reagiu correndo para o lado oposto, em direção à mesa de arbitragem. Logo em seguida, o árbitro aparece nas imagens segurando uma arma.

Fabinho Manso, responsável pelo espaço do ginásio, relatou ao Campo Grande News que houve uma forte discussão entre pais e o árbitro. Ele explicou que o árbitro pediu para que os pais deixassem a quadra após ter sido ofendido. Um organizador do campeonato interveio, paralisou o jogo e reforçou o pedido para que os pais se retirassem do local.

Manso não soube confirmar se o torcedor estava efetivamente armado ou apenas simulou a ação ao colocar a mão na cintura diversas vezes. Ele também informou que a rodada de jogos deste sábado foi suspensa e que as próximas partidas da Copa ABC de Futsal ocorrerão sem a presença de público. A organização do evento é da GV Eventos, e uma nota oficial sobre o ocorrido estava sendo elaborada, conforme apurado pelo Campo Grande News.

Versões conflitantes e registro de ocorrência

Um boletim de ocorrência foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Representantes da equipe Batista Contramussi Esporte relataram uma versão diferente dos fatos. Segundo o registro policial, o árbitro Genésio Espirito Santo Bonfim, de 55 anos, teria sacado uma arma de fogo dentro da quadra após manifestações de pessoas contrárias à marcação de um pênalti.

O boletim de ocorrência descreve que, de acordo com os relatos, não houve ofensas iniciais contra o árbitro. No entanto, ele teria começado a xingar os pais dos atletas, utilizando termos como “corno” e mandando que saíssem do local com a expressão “vaza”, além de fazer gestos simulando socos. Ainda segundo o registro, ao retirar a arma, o árbitro teria causado temor entre crianças e adultos presentes. Um dos pais conseguiu segurá-lo, enquanto outras pessoas deixaram a quadra com medo de que houvesse disparos.

A sùmula da partida, documento oficial onde o árbitro relata os acontecimentos, não menciona o incidente. O árbitro número um da partida, conforme informado pela organização, é Gabriel Augusto Afonso Cantero. A reportagem do Campo Grande News buscou contato com ambos os árbitros envolvidos na partida, mas até o momento da publicação, não obteve retorno.

Federação de Futsal se distancia do evento

O presidente da Federação de Futsal, Mauro Ferrari, declarou ao Campo Grande News que a competição e os envolvidos no incidente não fazem parte da entidade. Essa informação é crucial, pois indica que a Copa ABC de Futsal opera de forma independente da federação estadual, o que pode impactar as medidas disciplinares e regulatórias a serem aplicadas.

A situação levanta sérias preocupações sobre a segurança em eventos esportivos infantis e a conduta de adultos em competições de base. A presença de uma arma de fogo em um ambiente com crianças é inaceitável e exige investigação aprofundada por parte das autoridades competentes. A suspensão da rodada e a determinação de jogos sem público são medidas paliativas, mas a comunidade esportiva aguarda ações mais contundentes para garantir que episódios como este não se repitam.

O caso ressalta a importância de protocolos de segurança claros e da conscientização sobre o comportamento esperado de pais e torcedores em eventos esportivos, especialmente aqueles que envolvem crianças e adolescentes. A violência, em qualquer de suas formas, não tem lugar no esporte, e a presença de uma arma de fogo em uma quadra de futsal infantil é um alerta grave para toda a sociedade esportiva.