O vereador Jean Ferreira (PT) protocolou um pedido formal no Ministério da Saúde, solicitando uma auditoria federal para investigar a aplicação dos recursos públicos destinados à Santa Casa de Campo Grande. A iniciativa surge em um momento crítico para o hospital, que enfrenta dificuldades financeiras e está sob investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na Operação Antidotum, que apura supostas irregularidades.
A preocupação do parlamentar reside na **imensa quantidade de verbas públicas** que sustentam a instituição. Estima-se que aproximadamente 95% dos recursos que mantêm a Santa Casa sejam provenientes de fontes governamentais, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS). Diante desse cenário, Jean Ferreira enfatiza a **necessidade urgente de transparência e fiscalização rigorosa**.
“Estamos falando de dinheiro público, de recursos do SUS e de um hospital que atende milhares de pessoas. A população tem o direito de saber onde esse dinheiro está sendo aplicado. Não podemos aceitar que faltem recursos para garantir o atendimento enquanto contratos e pagamentos estão sob investigação”, declarou o vereador. A solicitação visa esclarecer como a administração do hospital tem gerido os fundos recebidos.
Operação Antidotum investiga desvios milionários
A Operação Antidotum, deflagrada pelo MPMS em setembro de 2026, já trouxe à tona sérias suspeitas de fraudes em contratos envolvendo tanto a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande quanto a sua operadora de saúde. As investigações apontam para um **prejuízo financeiro bilionário** aos cofres públicos e à própria instituição.
De acordo com o MPMS, apenas no ano de 2025, a operadora teria efetuado pagamentos de cerca de R$ 9,6 milhões a empresas que estariam ligadas a um dos grupos sob investigação. O prejuízo inicial estimado apenas neste núcleo da operação é de, no mínimo, R$ 3,5 milhões. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação também levantou indícios de pagamentos realizados sem a devida comprovação da prestação dos serviços contratados.
Adicionalmente, a operação aponta fragilidades na disponibilização de contratos e prestações de contas aos órgãos de controle, dificultando a fiscalização. Um contrato específico para a digitalização de prontuários, orçado em R$ 5,4 milhões ao longo de três anos, também está sob escrutínio. O MPMS identificou que, somente no primeiro ano de execução, um desvio de R$ 1,4 milhão foi detectado nesse contrato.
Auditoria estadual já apontava falhas graves
Antes mesmo das investigações mais aprofundadas do Ministério Público, uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre os recursos do SUS já havia detectado **inconsistências contábeis significativas e fragilidades nos controles internos** da Santa Casa. A auditoria também apontou a ocorrência de pagamentos sem a documentação adequada para comprovar a execução dos serviços.
Os achados da CGE também levantaram questionamentos sobre a forma como as demonstrações financeiras da Santa Casa e de sua operadora de saúde eram consolidadas. Essa falta de clareza nas demonstrações financeiras dificulta o acompanhamento das movimentações financeiras entre as duas entidades, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
Esses apontamentos reforçam, na visão de Jean Ferreira, a necessidade de estender a fiscalização para a esfera federal, dado o volume de recursos da União que compõem o financiamento da instituição. O vereador ressalta que a complexidade e o montante envolvido exigem um olhar mais atento.
Pedido ao Ministério da Saúde foca em recursos federais
O requerimento apresentado ao Ministério da Saúde busca, especificamente, apurar a destinação dos investimentos federais feitos na Santa Casa. O objetivo é **verificar a regularidade dos contratos firmados e garantir que os recursos federais transferidos** tenham sido efetivamente aplicados em benefício da assistência à população. A ação visa, também, aumentar a transparência na utilização das verbas públicas.
A expectativa é que a auditoria federal contribua para a identificação e responsabilização de eventuais irregularidades.

