A Justiça Federal determinou a devolução de R$ 20 mil, valor pago como fiança pelo influenciador digital Eduardo Rezende da Silva, mais conhecido como Eduardo Razuk. A decisão está relacionada a um processo sobre a entrada irregular de um Toyota Corolla XRS usado no Brasil, adquirido no Paraguai em 2019. Razuk teve sua punibilidade extinta após cumprir integralmente um acordo com o Ministério Público Federal (MPF).
A determinação para a restituição da fiança foi proferida pela juíza federal substituta Jéssica Flores Silva, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, conforme publicado no Diário de Justiça Eletrônico Nacional em 28 de setembro. No mesmo caso, o também influenciador Luan Marques Galasso, do canal PetrolHead, foi condenado a dois anos de reclusão por contrabando, pena que foi substituída por medidas restritivas.
Contrabando de veículo e acordo com MPF
Conforme a denúncia, Eduardo Razuk e Luan Galasso viajaram ao Paraguai em 2019 para adquirir um Toyota Corolla XRS. O objetivo era utilizá-lo na produção de vídeos para seus canais, BackStage e PetrolHead, respectivamente. As imagens do veículo, com placas paraguaias, foram divulgadas em vídeos que mostravam a intenção de levá-lo para Campo Grande.
O automóvel, fabricado no Canadá e importado usado, teve sua entrada irregular no Brasil configurada como contrabando, uma vez que a legislação brasileira proíbe a importação de veículos usados, salvo em exceções específicas. O Corolla foi apreendido em abril de 2020 na residência de Eduardo Razuk em Campo Grande.
Eduardo Razuk firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o MPF. Após cumprir todas as condições estabelecidas, sua punibilidade foi declarada extinta. No entanto, a defesa do influenciador solicitou que a fiança de R$ 20 mil, recolhida em abril de 2020, fosse devolvida, uma vez que a decisão inicial não abordou o tema. O próprio MPF concordou com a restituição.
Condenação de Luan Galasso e perdimento do veículo
Em relação a Luan Galasso, a Justiça considerou comprovada sua participação na aquisição e entrada irregular do veículo. Apesar de a defesa alegar que ele apenas acompanhou Eduardo e participou da produção de conteúdo, a magistrada rejeitou os argumentos, baseando-se nos vídeos produzidos, na apreensão do carro e em declarações de Eduardo que confirmavam a atuação conjunta.
A pena de Luan Galasso foi fixada em dois anos de reclusão, inicialmente em regime aberto. Contudo, a pena foi substituída por duas medidas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade e o pagamento de cinco salários mínimos. Luan poderá recorrer da decisão em liberdade. O Toyota Corolla XRS apreendido foi declarado em perdimento em favor da União.
Investigação sobre rifas ilegais continua
É importante ressaltar que a decisão da Justiça Federal sobre o contrabando do veículo é independente da investigação em andamento na Justiça Estadual. Eduardo Razuk é réu em uma ação penal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de jogos de azar. Esta investigação decorre da Operação Rodas da Sorte, deflagrada em agosto.
Na operação, foram apreendidos mais de 20 veículos de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 20 milhões, em um galpão ligado ao influenciador. Segundo a investigação, Eduardo Razuk teria movimentado quantias milionárias através da divulgação e comercialização de rifas clandestinas nas redes sociais. Ele e seu irmão chegaram a ser presos preventivamente, mas obtiveram liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, o processo sobre o contrabando do veículo paraguaio e a extinção da punibilidade de Eduardo Razuk na Justiça Federal não interferem na ação penal que tramita na Justiça Estadual referente às rifas ilegais. A apuração sobre as rifas continua, e o influenciador ainda responde por crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa. A notícia sobre a devolução da fiança, como apurado pelo Campo Grande NEWS, traz um desdobramento em um dos processos que envolvem o influenciador, mas sua situação com a Justiça Estadual segue em andamento.
O caso demonstra a complexidade das investigações envolvendo figuras públicas e as múltiplas frentes jurídicas que podem surgir. Conforme o Campo Grande NEWS acompanhou, a Justiça busca esclarecer todas as alegações e garantir a aplicação da lei em todos os casos.

