Santa Casa enfrenta falta de anestesista e adia procedimento urgente
Uma aposentada de 76 anos, Santina de Campos, está internada há quase uma semana na Santa Casa de Campo Grande, aguardando uma endoscopia de urgência. O procedimento, considerado essencial para o diagnóstico e tratamento de seu quadro de saúde, que inclui sangramento intenso e vômitos, não foi realizado devido à suposta falta de anestesista na unidade hospitalar, conforme relatado pela família. A situação tem gerado grande apreensão e desespero entre os familiares, que temem pela vida da idosa diante da demora e da falta de clareza nas informações prestadas pelo hospital.
A paciente, que é renal crônica, já necessitou de 9 transfusões de sangue devido à perda contínua. Sua filha, Angela Maria Campos, de 54 anos, expressou a angústia vivida pela família e criticou a gestão do hospital, destacando a falta de comunicação e a ineficácia dos preparativos para o exame. A idosa, debilitada, tem passado por jejuns prolongados sem que o procedimento seja realizado, aumentando o sofrimento e a fragilidade de seu estado de saúde.
O caso expõe um problema recorrente na Santa Casa, que enfrenta dificuldades financeiras e institucionais, impactando diretamente a oferta de serviços e a qualidade do atendimento aos pacientes. A reportagem do Campo Grande NEWS busca respostas sobre a situação, enquanto a família clama por uma solução urgente para garantir o direito à saúde da idosa.
O drama de Santina de Campos: seis dias de espera por exame vital
Santina de Campos deu entrada na Santa Casa na última segunda-feira (5), e seu estado de saúde se agravou rapidamente. Ela foi transferida para a ala vermelha no mesmo dia, devido à intensidade da dor, sangramento e vômitos. A suspeita médica é de que a idosa tenha uma úlcera, necessitando da endoscopia com urgência para confirmação e tratamento. No entanto, a família foi informada que não havia anestesista disponível para acompanhar o procedimento.
A frustração aumentou com os cancelamentos do exame. Em duas ocasiões, Santina foi mantida em jejum por longos períodos, das 7h às 17h, apenas para ter o procedimento cancelado ao final do dia. Essa incerteza e a falta de preparo para o exame, que é essencial, intensificam o sofrimento da paciente e a preocupação da família. A idosa já tem dificuldades para realizar a hemodiálise devido ao seu estado debilitado e à perda de sangue, tornando a endoscopia ainda mais crucial.
Família denuncia falta de informação e jejuns ineficazes
Angela Maria Campos relata a falta de comunicação por parte da equipe médica e administrativa do hospital. Ela afirma que, além da demora na realização do exame, tem enfrentado dificuldades para obter informações claras sobre o estado de saúde da mãe e sobre os próximos passos do tratamento. A solicitação de uma cópia do exame prescrito, segundo ela, não foi atendida, aumentando a sensação de desamparo.
“Estamos num estado desesperador, porque só depende de fazer o tratamento nela se fizer essa endoscopia, o exame está prescrito porque é de urgência. Fiz o pedido da cópia do exame, não me deram. A gente fica abandonado, porque ninguém fala nada”, desabafou Angela, evidenciando a falta de transparência no processo.
Santa Casa alega negociações com anestesiologistas e prorrogação de prazo
Em contato com a Santa Casa, a reportagem do Campo Grande NEWS obteve informações sobre a situação dos anestesiologistas. O hospital informou que as tratativas com os profissionais da anestesiologia estão em andamento e que as partes concordaram com a prorrogação do prazo por mais 30 dias. Durante esse período, as negociações continuarão com o objetivo de chegar a um acordo que garanta a continuidade da assistência à população.
“As tratativas com os anestesiologistas seguem em andamento. As partes envolvidas concordaram com a prorrogação do prazo por mais 30 dias, conforme nota emitida por eles, período em que as negociações continuam sendo conduzidas de forma transparente e responsável, com objetivo de construir uma solução consensual que atenda aos interesses dos profissionais e, principalmente, assegure a continuidade e a qualidade da assistência prestada à população”, declarou o hospital em nota.
O hospital ressaltou que, no momento, não há definição sobre a deflagração de greve, pois o diálogo permanece aberto. A Santa Casa tem enfrentado uma crise financeira que afeta a programação de cirurgias desde o ano passado, com relatos anteriores de greves e falta de materiais. Além disso, a instituição está sob investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul na Operação Antidotum, que apura fraudes e desvios em contratos.
A importância da endoscopia e os riscos da demora no atendimento
A endoscopia digestiva alta é um exame fundamental para diagnosticar diversas patologias do trato gastrointestinal superior, como úlceras, gastrites, esofagites e tumores. Em casos de sangramento intenso, como o de Santina de Campos, o procedimento permite identificar a origem da hemorragia, realizar biópsias e, em alguns casos, até mesmo cauterizar vasos sanguíneos para estancar o sangramento, evitando a necessidade de cirurgias mais invasivas.
A demora na realização de uma endoscopia de urgência pode levar a complicações graves, como a piora do quadro de anemia, instabilidade hemodinâmica, necessidade de transfusões frequentes e, em casos extremos, risco de morte. A rápida intervenção médica é crucial para estabilizar o paciente e iniciar o tratamento adequado, minimizando os danos à saúde. A situação de Santina de Campos, conforme o Campo Grande NEWS apurou, ilustra a gravidade de um sistema de saúde sob pressão, onde a falta de recursos humanos e financeiros pode ter consequências fatais.

