HU de Dourados retoma captação de órgãos e salva vidas em MS e RS

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) marcou a retomada de um serviço essencial para a vida: a captação de órgãos. Após um hiato de mais de dois anos, a unidade realizou, no dia 4 de fevereiro, uma cirurgia que permitiu o transplante de fígado para um paciente em Campo Grande e de rins para dois receptores no Rio Grande do Sul. A iniciativa representa um sopro de esperança e a possibilidade de novas vidas para quem aguardava na fila de espera.

A doação foi possível graças à decisão de uma mulher de 44 anos, que teve morte encefálica confirmada. Sua família, ciente do desejo prévio da paciente, autorizou a doação, ressaltando a importância fundamental da comunicação sobre esse tema dentro dos lares. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a cirurgia, que durou cerca de três horas, envolveu uma ampla rede de profissionais e demonstra a capacidade do HU-UFGD em realizar procedimentos complexos e de grande impacto social.

Vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o hospital tem em sua equipe a antiga Cihdott, agora Equipe Hospitalar de Doação de Transplante. Este grupo é crucial na identificação de potenciais doadores, no diagnóstico de morte cerebral e, principalmente, no acolhimento e orientação às famílias em um momento tão delicado. Eles atuam para esclarecer dúvidas e garantir que o processo de doação seja conduzido com o máximo de respeito e eficiência, conforme relatado pela psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta.

Importância da comunicação familiar para a doação de órgãos

A coordenadora da equipe, a enfermeira assistencial Ely Bueno da Silva Bispo, destacou que a autorização familiar foi concedida porque a paciente já havia expressado em vida o desejo de ser doadora. No entanto, ela ressaltou uma dificuldade ainda presente na sociedade: a falta de discussão sobre o assunto em âmbito familiar. Muitas vezes, a recusa à doação ocorre pelo desconhecimento sobre a vontade do ente querido.

“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, afirmou Ely Bueno da Silva Bispo. Essa conscientização é um passo vital para aumentar o número de doações e, consequentemente, de transplantes bem-sucedidos.

Logística complexa e rede de profissionais envolvidos

A captação de órgãos é um processo que exige uma **logística complexa** e a colaboração de uma vasta rede de profissionais. Segundo Ely, participam equipes assistenciais das UTIs, as e-DOTs (Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante), a Organização de Procura de Órgãos do Sistema Nacional de Transplantes, além das equipes cirúrgicas e de transporte. Essa **articulação em rede** é o que garante que os órgãos cheguem a tempo aos receptores.

A cirurgia de captação, realizada em Dourados, contou com uma equipe de Campo Grande, liderada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, responsável pelo programa de transplante de fígado de Mato Grosso do Sul. Ele explicou que o fígado foi destinado a um paciente local que aguardava há bastante tempo, e os rins foram enviados para o Rio Grande do Sul, seguindo as diretrizes da Central Nacional de Transplantes.

Sistema Nacional de Transplantes: uma rede que salva vidas

Gustavo Rapassi ressaltou a importância do Sistema Nacional de Transplantes na **minimização de perdas e na otimização do uso dos órgãos**. Ele explicou que, mesmo que um órgão não seja utilizado na própria região onde foi captado, ele pode beneficiar pacientes em outras partes do país, e vice-versa. Essa organização é fundamental, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.

“O paciente que vai receber o fígado estava na fila há bastante tempo, então essa doação vai ser muito importante”, destacou Rapassi. A conscientização da população sobre a doação de órgãos é vista como um fator primordial para ampliar o número de transplantes e dar mais uma chance de vida a quem necessita. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a última captação realizada pelo HU-UFGD antes desta foi em outubro de 2023, quando órgãos de um doador foram encaminhados para Minas Gerais.

A retomada da captação de órgãos pelo HU-UFGD é uma notícia que **celebra a vida** e reforça o papel crucial do hospital e de todos os profissionais envolvidos na rede de transplantes. A iniciativa não só salva vidas em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul, mas também inspira a sociedade a discutir um tema de extrema relevância, onde um simples gesto de amor ao próximo pode significar um futuro para alguém. O Campo Grande NEWS entende a importância dessas ações para a comunidade e reafirma seu compromisso em noticiar esses avanços médicos e humanitários.