Hospital Municipal: Duas licitações falham e projeto em Campo Grande é reavaliado

Após duas licitações frustradas para a contratação da construção do Hospital Municipal, a Prefeitura de Campo Grande optou por uma reavaliação técnica do projeto. O objetivo é definir um novo modelo para tirar a unidade do papel. A revisão pode incluir a alteração do terreno inicialmente previsto no bairro Chácara Cachoeira, uma área de alta valorização imobiliária na Capital.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) confirmou a decisão em nota enviada ao Campo Grande News neste domingo (26). Apesar dos obstáculos, a pasta assegura que o hospital permanece como uma das prioridades da gestão municipal. A falta de interessados nas licitações anteriores, seja por desclassificação de empresas ou ausência de propostas, motivou a necessidade de repensar o projeto.

Revisão técnica e possível mudança de terreno

Conforme divulgado pela Sesau, as licitações anteriores foram declaradas desertas ou fracassadas devido à ausência de propostas ou à desclassificação das empresas participantes. Diante desse cenário, o município decidiu realizar uma reavaliação técnica minuciosa do projeto. A intenção é identificar o modelo mais adequado para viabilizar a execução da obra.

Um dos pontos de atenção é a localização do futuro hospital. O Secretário Municipal de Saúde, Marcelo Vilela, expressou em entrevista à Rádio Cidade 67 que não concorda com o terreno na Chácara Cachoeira. Ele argumenta que o local dificulta o acesso da população, especialmente para aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quando eu entrei e foi apresentado para mim o local da Chácara Cachoeira, eu não concordei. É muito longe e é uma área que não viabiliza o acesso, principalmente para a população que precisa do Sistema Público de Saúde”, declarou Vilela. Ele ressaltou que a localização será rediscutida no novo processo, buscando uma área com melhor acessibilidade.

Custeio indefinido e modelo de contratação em debate

Além da localização, o custeio da unidade hospitalar, que prevê 259 leitos e atendimento pelo SUS, ainda segue indefinido. A viabilidade financeira depende de um financiamento conjunto entre o município, o Estado e o governo federal. O Secretário Marcelo Vilela destacou em janeiro, em entrevista ao Campo Grande News, que o projeto avançou sem o alinhamento necessário entre as três esferas de governo.

“Eu tenho uma proposta para a prefeita Adriane, de a gente pegar esse projeto e ir discutir com o Estado, porque o Estado terá que cofinanciar, junto ao município e o governo federal, a abertura de leitos. Se não existe essa conversa, não sai, você não consegue financiar o custeio”, explicou Vilela. Ele enfatiza que a construção é apenas uma etapa, e a manutenção dos serviços exige recursos contínuos.

O modelo de contratação também foi um ponto de entrave. A primeira licitação, lançada em julho de 2024, utilizou o modelo built to suit, onde a empresa contratada seria responsável pela construção, equipagem e manutenção da estrutura por um período de 20 anos, mediante pagamento mensal pela prefeitura. Contudo, o processo foi marcado por questionamentos técnicos e uma ação judicial.

Quando retomada em março deste ano, as duas empresas participantes foram desclassificadas por não atenderem às exigências do edital. A segunda licitação, lançada em seguida, não recebeu nenhuma proposta, sendo declarada deserta. O valor máximo estimado para o contrato de locação sob demanda era de R$ 5.142.403,37 mensais, podendo alcançar R$ 1,23 bilhão ao longo de 20 anos, conforme o Campo Grande NEWS apurou.

Próximos passos e a importância estratégica do hospital

A Sesau informou que os próximos encaminhamentos serão discutidos com as instâncias competentes, incluindo o Conselho Municipal de Saúde e a Câmara Municipal, antes da definição das próximas etapas. A prefeitura não estabeleceu um prazo para a conclusão dos estudos ou para o lançamento de uma nova licitação.

A localização estratégica de um hospital de alta complexidade é vista pelo Secretário Vilela como fundamental para salvar vidas. Pacientes com emergências cardiovasculares, como infarto e AVC, precisam de acesso rápido a unidades preparadas para procedimentos de urgência. A construção do Hospital Municipal foi uma das principais promessas de campanha da prefeita Adriane Lopes, visando desafogar a demanda por vagas na rede pública.

O projeto inicial previa uma unidade com 14,9 mil metros quadrados, 259 leitos, dez salas de cirurgia, 53 consultórios e 19 salas de exames de imagem. A reavaliação técnica busca garantir que a obra, que é de grande interesse para a população, finalmente saia do papel e atenda às necessidades de saúde da cidade, conforme a expertise demonstrada pelo Campo Grande NEWS em cobrir assuntos de interesse público.