Homem que chamou policial de “gostosa” é condenado por importunação sexual

Homem que chamou policial de “gostosa” é condenado por importunação sexual

Entony Victor Xavier Martins, que já havia sido condenado em agosto a 3 anos de reclusão por tentar estuprar uma policial civil em Campo Grande, recebeu uma nova sentença. Publicada nesta terça-feira (29), a decisão o condena a 1 ano de prisão em regime aberto por importunação sexual contra outra mulher. A pena foi substituída, e o acusado cumpre atualmente regime domiciliar desde 13 de agosto, sem tornozeleira eletrônica. O Ministério Público recorreu da decisão da tentativa de estupro, pedindo aumento da pena.

Agressor sexual em Campo Grande: dois crimes em poucas semanas

O episódio de importunação sexual ocorreu em 17 de dezembro de 2025, cerca de duas semanas antes do ataque à policial civil. Conforme manifestação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) anexada ao processo da tentativa de estupro, o crime aconteceu na Avenida Rita Vieira de Andrade, próximo à Avenida Roterdan, no Bairro Rita Vieira. O promotor relatou que Entony proferiu comentários sexuais explícitos à vítima, expondo-a a uma situação “vexatória e constrangedora”.

As expressões atribuídas ao acusado foram: “Que b*** gostosa, que vontade de m*** em você, delícia, gostosa, que c*** gostoso”. Essa descrição foi apresentada pela acusação em junho, quando o MPMS defendia a manutenção da prisão preventiva de Entony. Na ocasião, o promotor citou a denúncia por importunação sexual para justificar o risco de novos crimes contra mulheres caso o acusado fosse liberado.

Na decisão publicada agora, Entony foi condenado com base no artigo 215-A do Código Penal. O extrato da sentença informa a substituição da pena, mas não especifica qual medida o acusado deverá cumprir em vez da prisão. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o homem já está em regime domiciliar desde 13 de agosto, como parte do cumprimento da pena pela tentativa de estupro.

Regime domiciliar sem monitoramento: as condições impostas ao condenado

No processo referente à tentativa de estupro, um comunicado do Patronato Penitenciário de Campo Grande informa que Entony iniciou o cumprimento da pena em regime aberto domiciliar em 13 de agosto, após deixar o Instituto Penal de Campo Grande. Importante ressaltar que ele não está usando tornozeleira eletrônica. O termo assinado naquela data estabelece que o condenado deve permanecer em casa das 19h às 6h do dia seguinte, de segunda a sábado.

Aos domingos e feriados, o recolhimento domiciliar deve durar o dia inteiro. Além disso, foram determinadas a apresentação mensal e a comprovação, a cada mês, de trabalho lícito, mesmo que informal, e de residência fixa. O documento adverte que o descumprimento dessas condições pode levar o acusado de volta para a cadeia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a defesa do réu pode ter pleiteado essas condições especiais.

Ataque à policial: faca e gel lubrificante encontrados com o agressor

O ataque à policial civil de 44 anos ocorreu em 1º de janeiro de 2026, cerca de duas semanas após o episódio de importunação sexual. Entony abordou a policial enquanto ela corria pela Avenida Rita Vieira de Andrade. Armado com uma faca, ele tentou obrigá-la a acompanhá-lo até uma área de mata. Inicialmente, a policial pensou que seria roubada e ofereceu seu celular, mas Entony recusou o aparelho.

Um policial militar do Batalhão de Choque, que estava de folga e passava pelo local com a família, percebeu a situação e interveio. Entony tentou fugir, mas foi alcançado e contido com a ajuda de pessoas que estavam nas proximidades. Ao ser preso em flagrante, a equipe policial encontrou um frasco de gel lubrificante com ele e localizou a faca utilizada na ação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ação rápida do policial militar foi crucial para evitar um crime maior.

Pedido de aumento de pena e questionamento sobre redução

A Justiça manteve a prisão de Entony em fevereiro. Em 3 de agosto, o juiz Waldir Peixoto Barbosa o condenou a 3 anos de reclusão, em regime inicial aberto, sem substituição da pena, e fixou uma indenização de três salários mínimos à vítima. A sentença foi publicada no dia 5 do mesmo mês. No entanto, o Ministério Público recorreu da condenação pela tentativa de estupro. Nas razões apresentadas na quinta-feira passada, dia 24, o promotor Fabrício Proença de Azambuja pede o aumento da pena.

O promotor sustenta que o uso da faca, as circunstâncias do ataque e as consequências para a vítima justificam uma punição maior. A acusação também questiona o tamanho da redução aplicada, uma vez que o estupro não foi consumado. Para o promotor, deve ser adotada a redução mínima de um terço, considerando a proximidade da consumação e a interrupção pela intervenção do policial militar. A decisão final sobre o recurso ainda será divulgada.