Homem que ameaçou matar bebê diz: ‘Tenho berço’

Um homem de 28 anos, preso em Campo Grande após ameaçar matar o próprio filho recém-nascido e ser flagrado com uma arma de fogo, afirmou em depoimento à polícia que é “um cara que tem berço” e que jamais encostaria nas crianças. Ele foi detido na terça-feira (3) e possuía um mandado de prisão preventiva em aberto por violência doméstica. O caso ganhou repercussão e levanta questões sobre a alegação do suspeito e a investigação em andamento, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Homem que ameaçou filho alega ter comprado arma por medo

O suspeito, que segundo a polícia é investigado por crimes de ameaça, injúria e violência contra a ex-companheira, inclusive durante a gravidez, alegou ter comprado o revólver calibre 38 por temer o sogro. Ele declarou que o sogro fez “várias ameaças” e que, por medo de que a situação piorasse, decidiu adquirir a arma, sem registrar boletim de ocorrência. Ele admitiu saber que estava errado ao possuir a arma com o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) vencido, e que a comprou de um policial aposentado, justificando que precisava “defender a família”.

Ameaças e violência contra a ex-companheira

De acordo com a investigação, o homem é apurado por ameaça, injúria, lesão corporal contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e violência psicológica. As apurações indicam uma escalada de violência, com risco concreto à integridade física e emocional da vítima. A medida cautelar de prisão preventiva foi deferida no domingo (1º), após representação do delegado, com base em um boletim de ocorrência registrado no sábado (31). A Justiça também autorizou o mandado de busca e apreensão de arma de fogo e munições.

A polícia informou que as agressões contra a mulher ocorriam desde o período da gravidez e continuaram após o nascimento da criança. Diante do material apreendido, o homem foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e munições. Ele foi levado à 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde permanece à disposição da Justiça.

Fiança e pedido de redução

Na audiência de custódia, a juíza Tatiana Decarli analisou o cumprimento do mandado de prisão preventiva por violência doméstica. Posteriormente, o juiz Albino Coimbra Neto analisou o flagrante por posse ilegal de arma de fogo e concedeu liberdade provisória mediante fiança de dez salários mínimos, totalizando R$ 16.210,00. O valor é o dobro do montante inicialmente fixado pela autoridade policial e, até o momento, não foi pago.

A defesa do rapaz entrou com pedido de redução da fiança pela metade, alegando que a quantia é excessiva e compromete a subsistência do investigado. Os advogados apresentaram despesas mensais com aluguel, contas básicas, alimentação, transporte e gastos com o filho recém-nascido, argumentando que o valor arbitrado “mostra-se excessivo e desproporcional, pois compromete de forma significativa sua subsistência, contrariando a finalidade da fiança”. O pedido de revogação da prisão preventiva, com substituição por medidas cautelares, também aguarda análise judicial, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

Renda declarada e sustento da família

Curiosamente, durante o depoimento, o homem afirmou ter uma renda mensal em torno de R$ 40 mil e disse ser o responsável pelo sustento da família. Essa declaração contrasta com o argumento da defesa sobre o comprometimento da subsistência devido ao valor da fiança. O caso segue em tramitação na Justiça, com a investigação buscando esclarecer todos os fatos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação envolve múltiplos crimes e a necessidade de garantir a segurança da vítima e da criança.

Para denúncias de agressão, o número 180 atende 24 horas. Em situações de risco imediato, ligue 190.