A possibilidade de aprofundamento da dragagem na Hidrovia do Paraguai tem gerado preocupação entre ambientalistas e especialistas. O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) defende que qualquer intervenção com o objetivo de aprofundar o canal seja precedida por estudos técnicos mais robustos. O objetivo é garantir que tais ações não causem impactos negativos irreversíveis no delicado ecossistema do Pantanal, especialmente em seu regime de inundações, que já sofre com uma severa crise hídrica. Conforme informação divulgada pelo Instituto Homem Pantaneiro, a dragagem de manutenção é considerada necessária para a navegabilidade, mas o aprofundamento exige cautela.</p
Hidrovia do Paraguai: estudos técnicos são cruciais antes do aprofundamento
Em um seminário realizado em Campo Grande, o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, reforçou a necessidade de critérios técnicos rigorosos para qualquer intervenção na Hidrovia do Paraguai. Ele enfatizou que, embora a manutenção do canal seja essencial para a navegação, o aprofundamento do leito requer análises aprofundadas. Isso se deve à sensibilidade do Pantanal, que enfrenta atualmente uma de suas maiores crises hídricas históricas. Avançar sem estudos adicionais e sem critérios mais rigorosos seria um erro, segundo o presidente do instituto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Marinha do Brasil também destacou a importância de soluções multidisciplinares para o desenvolvimento econômico da região.
O debate sobre a dragagem ganhou destaque durante o seminário “Horizontes da Economia Azul – O Papel das Hidrovias, do Turismo e da Formação Profissional no Desenvolvimento Sustentável em Mato Grosso do Sul”. O evento, promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, ocorreu no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. Rabelo comentou as discussões de uma audiência pública sobre a concessão da hidrovia, realizada em Corumbá, e apontou a carência de estudos que quantifiquem os potenciais impactos do aprofundamento do canal na dinâmica do rio.
Manutenção necessária, aprofundamento sob escrutínio
“A dragagem de manutenção é necessária. Já a dragagem de aprofundamento precisa ser analisada de maneira muito cuidadosa, porque pode haver uma relação de causa e efeito com o regime de inundações. Estamos falando de um bioma extremamente sensível, que já enfrenta uma das maiores crises hídricas de sua história. Não podemos avançar sem critérios muito mais rigorosos e sem estudos adicionais”, declarou Ângelo Rabelo. Ele adiantou que o instituto será contra qualquer avanço precipitado: “Esse processo não pode ser feito de forma abrupta. Se isso acontecer, seremos contra”, afirmou.
Apesar da defesa pela cautela em relação ao aprofundamento, Rabelo ressaltou sua posição como usuário da hidrovia e reconheceu sua importância econômica para a região. A manutenção da navegabilidade, segundo ele, deve andar de mãos dadas com a conservação ambiental. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o rio Paraguai é parte de uma bacia internacional, o que implica que qualquer decisão sobre sua gestão deve envolver os países vizinhos. “Não podemos tratar o rio apenas sob a perspectiva do Brasil. Essa discussão só faz sentido se nos sentarmos à mesa com o Paraguai e os demais países envolvidos. O que acontece lá produz efeitos aqui, e o que acontece aqui produz efeitos lá”, explicou.
Investimentos e desafios na Hidrovia do Paraguai
O presidente do IHP também alertou para a necessidade de investimentos contínuos na manutenção da Hidrovia do Paraguai. Ele destacou que a bacia recebe sedimentos constantemente e que as intervenções para preservar a navegabilidade têm sido escassas nas últimas décadas. “Nos últimos 30 anos, quase nada foi feito para a manutenção da hidrovia. O turismo já enfrenta restrições, e aumentam os acidentes com embarcações atingindo bancos de areia”, lamentou Rabelo.
Outro ponto levantado pelo ambientalista foi a redução do espelho d’água no Pantanal e a perda de cobertura vegetal nas áreas de nascente do Rio Paraguai. Ele defende que o desenvolvimento econômico da região seja acompanhado por medidas efetivas de proteção ao bioma. A preocupação com a saúde do Pantanal é um eco que ressoa entre diversas entidades, conforme o Campo Grande NEWS tem noticiado.
Marinha defende soluções conjuntas e multidisciplinares
Durante o seminário, o comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, enfatizou que a discussão sobre a Hidrovia Paraguai-Paraná deve abranger todos os segmentos ligados ao corredor logístico. Ele destacou que a complexidade das atividades ao longo da hidrovia exige a participação integrada do setor público, da iniciativa privada, da academia, de ambientalistas, do turismo e dos profissionais da navegação. “O rio Paraguai-Paraná não pode ser discutido apenas por um ou dois atores. Pela multidisciplinaridade das atividades que acontecem ao longo da hidrovia, é fundamental que toda a sociedade esteja envolvida. Ao reunir setor público, empresas e academia, conseguimos identificar problemas, potencialidades e construir soluções de forma conjunta”, declarou Serafim.
O comandante também mencionou o momento simbólico para a Marinha do Brasil, que em fevereiro de 2027 completará 200 anos de presença no Centro-Oeste. Essa trajetória, segundo ele, está intrinsecamente ligada ao desbravamento da região, à defesa da soberania nacional e ao desenvolvimento econômico. “Discutir a hidrovia é discutir exatamente aquilo que a Marinha faz há mais de dois séculos: contribuir para o desenvolvimento da região de forma segura e sustentável”, concluiu.

