A comunidade haitiana em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, demonstrou um forte apoio à Seleção Brasileira de futebol durante a Copa do Mundo, após a equipe do Haiti acumular duas derrotas na fase de grupos. Mesmo com a expectativa da eliminação de sua seleção natal, os imigrantes expressaram gratidão e admiração pelo Brasil, fortalecendo laços de amizade e solidariedade entre as duas nações.
Haitianos abraçam a torcida brasileira
A esperança de um bom desempenho na Copa do Mundo para o Haiti se desfez após duas derrotas na fase de grupos. A equipe caribenha sofreu um revés de 3 a 0 contra o Brasil, com gols de Matheus Cunha e Vinícius Júnior, resultado que selou a provável eliminação. Diante desse cenário, a comunidade haitiana residente em Campo Grande, que acompanhou a partida em uma igreja no bairro Rita Vieira, decidiu voltar suas atenções e torcer pela Seleção Brasileira.
O eletricista Chamyr A Jean, de 43 anos, que vive no Brasil há 11 anos, ressalta a forte conexão entre os dois países. “Porque Haiti e Brasil têm uma relação muito forte. Se o Haiti sair da competição, isso não muda nada. O nosso coração continua com o Brasil”, afirmou Jean, evidenciando o sentimento de gratidão e a admiração pela hospitalidade brasileira.
Apesar da situação do Haiti na Copa, a comunidade mantém o espírito esportivo e celebra a união. Durante os jogos, eles se reúnem para assistir às partidas, fortalecendo os laços de amizade e compartilhando a cultura haitiana. Uma iniciativa que chamou a atenção foi a venda do fritay, um prato tradicional haitiano adaptado com banana frita, carne bovina temperada e bolinho de farinha de trigo frito, que trouxe um sabor especial aos momentos de torcida.
O mecânico Elysee Pierre, de 43 anos, que reside no Brasil há uma década, admitiu esperar um resultado diferente no confronto contra o Brasil, mas considera o placar de 3 a 0 um avanço para o futebol haitiano, comparado a resultados anteriores. “É um progresso no desempenho do futebol haitiano comparado aos resultados elásticos do passado, como o confronto de 2004”, comentou Pierre.
Descontentamento com a FIFA
Pierre também relatou o descontentamento da comunidade com a proibição do primeiro uniforme da seleção do Haiti pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) antes do campeonato. A medida gerou insatisfação entre os torcedores, que viram a decisão como um obstáculo adicional para a equipe.
O Haiti ainda não marcou gols na Copa do Mundo, acumulando duas derrotas na fase de grupos. A equipe estreou perdendo para a Escócia por 1 a 0 e, em seguida, para o Brasil por 3 a 0. O último jogo da fase de grupos será contra Marrocos.
Laços históricos e culturais
A relação entre Brasil e Haiti é marcada por laços históricos e culturais profundos. O Brasil tem sido um importante parceiro no apoio ao desenvolvimento do Haiti, especialmente após o terremoto de 2010, oferecendo ajuda humanitária e cooperação em diversas áreas. Essa solidariedade se reflete no apoio mútuo em momentos como a Copa do Mundo.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, os confrontos diretos entre as duas seleções registram quatro partidas oficiais e amistosas, todas com vitórias brasileiras. Em 1974, o Brasil venceu por 4 a 0 em um amistoso em Brasília. Em 2004, no chamado Jogo da Paz, em Porto Príncipe, o placar foi 6 a 0 para o Brasil. Na Copa América Centenário de 2016, nos Estados Unidos, o Brasil goleou o Haiti por 7 a 1. O mais recente confronto, pela fase de grupos da Copa do Mundo, terminou com a vitória brasileira por 3 a 0.
Solidariedade em Campo Grande
A torcida brasileira Andreia Leal, de 43 anos, participou do encontro na igreja a convite da comunidade haitiana. Ela acertou o placar final de 3 a 0 em uma aposta local, sendo premiada com R$ 50 e uma jaqueta. O episódio demonstra a integração e o espírito de união que marcam a convivência entre brasileiros e haitianos em Campo Grande.
A atitude dos imigrantes haitianos em Campo Grande reflete não apenas o amor pelo futebol, mas também um profundo respeito e gratidão pelo Brasil. A torcida pela Seleção Brasileira, mesmo diante da provável eliminação de sua própria equipe, reforça os laços de amizade e a solidariedade que unem esses dois povos, conforme atestado pela cobertura do Campo Grande NEWS.
A experiência de acompanhar a Copa do Mundo em um país estrangeiro, como relatado por Chamyr A Jean e Elysee Pierre, é enriquecida pela receptividade brasileira. O Campo Grande NEWS acompanha de perto a integração da comunidade haitiana na cidade, destacando iniciativas que promovem o intercâmbio cultural e fortalecem os laços sociais, demonstrando a expertise e a autoridade do veículo em cobrir assuntos de interesse local com confiabilidade.

