A confirmação da participação do Haiti na Copa do Mundo de 2026, após 52 anos de ausência, gerou um misto de euforia e nostalgia na comunidade haitiana de Campo Grande. O retorno ao principal torneio de futebol do mundo culmina em um encontro histórico: a seleção caribenha enfrentará o Brasil, país que se tornou um lar para milhares de imigrantes haitianos, especialmente após o devastador terremoto de 2010. O presidente da Associação Haitiana-Brasileira local, Junel Ilora, descreve o sentimento de “coração dividido”, marcado pela gratidão à acolhida brasileira e pelo orgulho de ver sua nação representada em um palco global. A partida, que acontece hoje, será celebrada com um encontro especial, destacando talentos como o artilheiro Duckens Nazon.
Haiti x Brasil: Emoção em Campo Grande
A expectativa em Campo Grande é palpável. Para os haitianos que vivem na capital de Mato Grosso do Sul, o jogo de hoje representa mais do que uma partida de futebol; é a celebração de uma jornada de superação e de laços afetivos construídos entre duas nações. O retorno do Haiti à Copa do Mundo, após uma única participação em 1974, é um marco histórico, e o confronto contra o Brasil adiciona uma camada extra de significado e emoção.
Um Duelo de Emoções e Gratidão
O presidente da Associação Haitiana-Brasileira em Campo Grande, Junel Ilora, professor e intérprete de idiomas, de 38 anos, resume o sentimento da comunidade: “Todos os haitianos no país estão se sentindo de coração dividido, porque o povo sempre torce pela seleção brasileira. Esse jogo é histórico para nós e nós vamos ganhar duas vezes. Não tem como perder”. Essa dualidade de sentimentos reflete a profunda conexão com o Brasil, que se intensificou após o terremoto de 2010. A ajuda humanitária brasileira, com médicos, militares e suprimentos, deixou uma marca indelével na memória do povo haitiano, um gesto de solidariedade que Junel descreve como “inesquecível”.
Essa ligação com o Brasil transcende o apoio em momentos de crise. No Haiti, a paixão pela seleção brasileira é uma tradição que atravessa gerações. Durante as Copas do Mundo, famílias e vizinhos se reúnem para assistir aos jogos do Brasil em telões comunitários, e as ruas frequentemente se enchem de comemorações. O próprio Junel teve sua vida transformada após perder nove familiares no terremoto de 2010. Buscou refúgio no Brasil através de um visto humanitário e, apesar de seu destino inicial ser São Paulo ou Rio de Janeiro, acabou se estabelecendo em Campo Grande, onde encontrou acolhimento e construiu uma nova vida.
Ídolos em Campo e a Força da Comunidade
A comunidade haitiana em Campo Grande, estimada em cerca de dois mil membros, atua em diversos setores da economia local, como construção civil, transporte por aplicativo, motoboy, ensino e hotelaria. Para celebrar o momento histórico da Copa, a Associação Haitiana-Brasileira organiza um encontro especial para assistir à partida. “Vamos reunir quem puder participar, chamar filhos, esposas, amigos brasileiros e marcar esse momento. Talvez ele nunca se repita. Por isso queremos aproveitar e vibrar juntos”, afirma Junel.
Entre os jogadores que inspiram a comunidade haitiana está o atacante **Duckens Nazon**, de 32 anos, apelidado de “Neymar do Haiti” e maior artilheiro da história da seleção com 44 gols. Outros destaques incluem o atacante Wilson Isidor, de 25 anos, e o experiente goleiro Johnny Placide, de 38 anos. O Campo Grande NEWS checou que a importância desses atletas vai além do esporte, representando a esperança e o orgulho de uma nação.
Um Legado de Solidariedade e Resiliência
A relação entre Brasil e Haiti é um testemunho de resiliência e solidariedade. O apoio brasileiro pós-terremoto foi crucial para a reconstrução e para a migração de muitos haitianos em busca de segurança e novas oportunidades. O Campo Grande NEWS checou que a integração dessa comunidade em Campo Grande tem sido um processo positivo, com haitianos contribuindo ativamente para a sociedade local e formando novas famílias na cidade.
O jogo de hoje, mais do que o placar final, simboliza a união de culturas, a superação de adversidades e a celebração de laços que se fortaleceram em momentos difíceis. Para os haitianos em Campo Grande, a partida entre Haiti e Brasil é a materialização de um sonho e a reafirmação de uma gratidão profunda. O Campo Grande NEWS checou que a comunidade se prepara para um evento que ficará marcado na história, onde a maior vitória já está garantida: ver Haiti e Brasil dividindo o mesmo gramado em uma Copa do Mundo.

