O tão esperado show do Guns N’ Roses em Campo Grande se transformou em uma maratona de dificuldades para milhares de fãs. O que era para ser uma noite de celebração do rock se tornou um verdadeiro caos logístico, com congestionamentos quilométricos, longas caminhadas e um atraso considerável no início da apresentação. A expectativa de 35 mil pessoas lotando o Autódromo na BR-262 se chocou com a dura realidade do acesso limitado e da falta de planejamento.
Fãs relataram ter enfrentado mais de três horas de engarrafamento para chegar ao local, que fica afastado da área urbana. A situação foi tão crítica que muitos decidiram abandonar seus veículos e caminhar por mais de 10 km pela rodovia para não perder o show. Outros, diante do cenário desanimador, acabaram desistindo da experiência.
Guns N’ Roses: Caos e frustração marcam show em Campo Grande
O show, com início previsto para as 20h30, só começou às 22h, mais de uma hora e meia depois do planejado. Mesmo com o atraso, a fila de veículos na BR-262 ainda se estendia por mais de 6 km. Conforme apuração do g1, às 21h, apenas cerca de 16 mil pessoas estavam na arena, indicando que uma parcela significativa do público ainda estava presa no trânsito quando a banda já deveria estar no palco.
A única via de acesso ao Autódromo, a BR-262, não suportou o fluxo intenso de veículos. Apesar de um esquema de trânsito montado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o congestionamento se tornou inevitável. Carros, aplicativos de transporte, ônibus e vans fretadas disputavam espaço em uma lentidão que gerou revolta.
Acesso restrito e transporte público falho aumentam o drama
A falta de um transporte coletivo acessível e suficiente disponibilizado pela prefeitura de Campo Grande agravou a situação. Muitos fãs dependiam de ônibus e vans, que saíram de pontos como a Praça do Rádio Clube, a cerca de 18 km do autódromo. Para se ter uma ideia, alguns grupos que saíram às 16h só conseguiram chegar ao local por volta das 21h, já com o show prestes a começar.
A situação forçou muitos a tomarem medidas drásticas. Houve quem optasse por seguir a pé pela rodovia, percorrendo distâncias superiores a 10 km. Outros recorreram a corridas de moto por aplicativo na esperança de agilizar o trajeto. O drama, porém, não se limitou ao trajeto de ida.
Retorno caótico e desorganização afetam moradores
A volta para casa de moradores da região leste de Campo Grande, onde o show aconteceu, foi marcada pela mesma falta de planejamento. A escassez de transporte coletivo, a demora e a desorganização transformaram o retorno em mais um capítulo de frustração. O congestionamento na Avenida Ministro João Arinos, que começou no fim da tarde, se estendeu pela noite, afetando tanto quem ia para o show quanto quem tentava voltar para casa.
No ponto de integração Hércules Maymone, passageiros de bairros como Jardim Noroeste e José Abrão aguardavam por ônibus que simplesmente não chegaram. Segundo funcionários, os veículos deixaram de circular por volta das 16h. A vendedora Araujo Costa, que esperava há duas horas por um ônibus, expressou sua indignação: “Estou aqui desde às seis e meia. Nenhum! Eu estou indignada, revoltada, porque é uma coisa totalmente sem planejamento. Não pensaram no pessoal que depende do ônibus. Já não é fácil usar o transporte público e ainda acontece isso.”
O eletricista Gustavo Henrique Rodrigues, morador do Jardim Noroeste, relatou dificuldades em conseguir um guincho para seu veículo, enfrentando mais de cinco horas de espera. “É prejuízo para gente, cansaço. Vou chegar que horas em casa? Dez, onze horas? Tô correndo atrás de guincho até agora e não consegui. Tá difícil”, desabafou.
Produção pede compreensão e aponta falhas logísticas
Às 21h45, a produção do show tentou amenizar a situação com um anúncio no palco, pedindo a compreensão do público e justificando o atraso da banda por questões de logística. No entanto, a explicação pouco consolou os fãs que enfrentaram horas de sufoco. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a organização do evento falhou em prever o impacto do grande número de pessoas no acesso limitado.
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) informou que a fila de veículos chegou a mais de 13 km. O transporte coletivo, por sua vez, também sofreu com o caos. Dados de aplicativos de mobilidade indicaram um atraso de quase 40 minutos na linha 075. Em dias normais, o trajeto até o autódromo leva cerca de 9 minutos, mas na quinta-feira, o percurso chegou a ultrapassar as três horas. A experiência frustrante vivida pelos fãs do Guns N’ Roses em Campo Grande levanta sérias questões sobre o planejamento de eventos de grande porte na cidade, como aponta o Campo Grande NEWS em suas análises sobre infraestrutura urbana.
A falta de planejamento logístico e a precariedade do transporte público em Campo Grande foram as principais causas do caos que marcou o show do Guns N’ Roses. A experiência, que deveria ser memorável pela música, acabou sendo lembrada pela dificuldade de acesso e pela desorganização, um retrato preocupante da gestão de grandes eventos, conforme ressalta o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre mobilidade urbana.

