Guarda atira em passageiro dentro de ônibus: versão oficial x relato de testemunha

Guarda Civil atira contra passageiro em ônibus no Terminal General Osório

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que guardas civis entram em um ônibus no Terminal General Osório, em Campo Grande, e um deles dispara uma arma de menor potencial ofensivo contra um passageiro. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) se pronunciou sobre o caso, afirmando que o homem resistiu à abordagem e agrediu os agentes antes do disparo. A versão diverge do relato de testemunhas, que indicam que os guardas entraram no coletivo de forma agressiva e que o spray de pimenta atingiu outras pessoas.

A Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) informou que a confusão ocorreu durante a Operação Terminais, uma fiscalização contra o comércio ambulante irregular. Segundo a GCM, o homem tentou impedir a ação dos fiscais e agrediu um deles. Ao tentar contê-lo, os guardas teriam sido empurrados e chutados pelo passageiro, que se recusou a desembarcar do ônibus.

A GCM alega que utilizou o emprego progressivo e proporcional dos meios disponíveis, incluindo instrumentos de menor potencial ofensivo, para imobilizar o homem. A versão oficial contradiz o que foi relatado por uma diarista de 45 anos, que acompanhou o incidente. Ela afirmou ao Campo Grande News que os guardas entraram no ônibus com as armas apontadas e que o spray de pimenta foi utilizado contra o passageiro e também atingiu outra pessoa.

Versão oficial: resistência e agressão

De acordo com a Sesdes, a operação visava dar suporte aos servidores responsáveis pelo controle do comércio ambulante irregular. Um homem, não identificado pela corporação, teria tentado impedir a fiscalização e agredido fisicamente um dos servidores. Diante da situação, a Guarda Civil Metropolitana teria entrado em ação para conter o indivupe e proteger os fiscais e os demais usuários presentes no terminal.

Ainda segundo a prefeitura, outro homem, que já estava dentro do ônibus, teria começado a ofender os guardas. Ele teria desobedecido às ordens para deixar o veículo e reagido fisicamente quando os agentes tentaram retirá-lo. A Sesdes declarou que, mesmo após a verbalização e ordem de prisão, o homem continuou resistindo à contenção.

“Diante da resistência ativa, a equipe realizou o emprego progressivo e proporcional dos meios disponíveis, incluindo instrumentos de menor potencial ofensivo, até conseguir cessar a ação e efetuar a imobilização e o algemamento do abordado”, informou a secretaria em nota. O impasse teria levado outros vendedores ambulantes a recuperarem mercadorias apreendidas, o que fez com que a operação fosse encerrada para evitar novos confrontos.

Relato de testemunha: agressividade e spray de pimenta

Em contraste com a versão oficial, uma testemunha, que preferiu não se identificar, relatou ao Campo Grande News que os guardas entraram no ônibus de forma agressiva, com armamento em punho. Segundo ela, o passageiro teria tentado defender um vendedor que estaria sendo agredido pelos agentes.

“Entraram no ônibus apontando aquilo para todo mundo, sem se preocupar que ia acertar em alguém. Aí falaram para ele que ele estava preso, jogaram spray de pimenta na cara dele dentro do ônibus, com outras pessoas”, contou a diarista. Ela também relatou que uma passageira que usava uma blusa vermelha foi atingida pelo spray de pimenta.

Sobre o disparo, a testemunha afirmou ter percebido que a munição de borracha atingiu a camiseta do homem. “Eles deram tiro no rapaz. Não dá para ver direito, mas chegou a rasgar a camiseta dele dentro do coletivo. E se acerta alguém? Dali de onde eu estava, a bala podia ter pegado até em mim”, disse, demonstrando preocupação com a segurança dos passageiros.

Apuração do caso e falta de esclarecimentos

Apesar das divergências entre a versão oficial e o relato das testemunhas, a prefeitura não esclareceu de forma específica se o disparo efetuado dentro do ônibus será apurado. Questões sobre a adequação da conduta do guarda e sobre possíveis feridos durante a ocorrência também não foram respondidas, conforme apurado pelo Campo Grande News.

A falta de transparência na apuração do caso levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados pela Guarda Civil Metropolitana em abordagens a passageiros. A situação expõe a necessidade de maior clareza e responsabilidade nas ações das forças de segurança pública, especialmente em locais de grande circulação de pessoas como terminais de ônibus.

O incidente no Terminal General Osório ressalta a importância de investigações rigorosas para garantir a segurança e os direitos de todos os cidadãos. Acompanhar os desdobramentos deste caso é fundamental para entender como a Guarda Civil Metropolitana lida com situações de conflito e se os protocolos de uso da força estão sendo corretamente aplicados. A comunidade aguarda por respostas claras e ações que assegurem a justiça e a prevenção de futuras ocorrências semelhantes.