Um grupo liderado pelo movimento trans de Campo Grande ocupou, neste sábado (28), um imóvel na Esplanada Ferroviária. O local, que seria destinado a uma casa de acolhimento LGBTQIA+, estava deteriorado e sem uso. A ação pacífica visa protestar contra a demora do poder público em concretizar o projeto e dar função social ao espaço.
Grupo LGBT+ ocupa imóvel na Esplanada por falta de abrigo
A ocupação do imóvel na Esplanada Ferroviária por ativistas do movimento trans de Campo Grande representa um grito por atenção e ação por parte do poder público. O espaço, que deveria abrigar a futura casa de acolhimento LGBTQIA+, encontra-se em estado precário, evidenciando o abandono e a falta de cumprimento de promessas. A iniciativa, que visava oferecer suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade, parece ter sido esquecida, levando a comunidade a tomar uma atitude drástica para garantir seus direitos.
A manifestação pacífica, marcada por cartazes e bandeiras, culminou na entrada do prédio, que, segundo relatos, estava sendo utilizado de forma inadequada. Diante da negligência, os próprios manifestantes iniciaram os trabalhos de limpeza e organização, demonstrando o compromisso em dar vida ao projeto de acolhimento. A ação, que não teve divulgação prévia, reflete a urgência da causa e a frustração com a lentidão das autoridades.
A falta de políticas públicas efetivas para a população LGBTQIA+ é um tema recorrente, e esta ocupação lança luz sobre a necessidade de ações concretas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o projeto da casa de acolhimento foi apresentado em 2025 pelo Governo do Estado, mas até o momento, pouca coisa saiu do papel. A comunidade se vê forçada a ocupar espaços para garantir que seus direitos sejam respeitados e que locais de acolhimento se tornem realidade.
Imóvel em más condições e abandono
Ao adentrarem o imóvel, os manifestantes se depararam com um cenário desolador. O espaço apresentava sinais claros de abandono, deterioração e uso por terceiros, servindo, inclusive, como abrigo improvisado para usuários de drogas e pessoas em situação de rua. Essa realidade contrastava fortemente com o propósito original do local, que seria um refúgio seguro e acolhedor para a comunidade LGBTQIA+ em Campo Grande.
A situação encontrada motivou os ativistas a iniciarem imediatamente os trabalhos de limpeza e organização do imóvel. A iniciativa demonstra a força e a determinação do movimento em transformar o espaço em um centro de acolhimento, mesmo diante da inércia governamental. A ação, além de reivindicar o cumprimento de promessas, busca dar uma função social imediata ao local.
Ativistas exigem cumprimento de promessas e criticam retrocessos
Hellen Kadory, ativista e mulher trans, explicou que a ocupação foi uma resposta à falta de progresso do projeto. “A casa já tinha sido entregue para a gente, mas houve promessas de outro espaço e nada saiu. A gente decidiu retomar a mobilização direta para garantir esse direito”, afirmou. O movimento pretende manter a ocupação e iniciar o uso do espaço para acolhimento.
A professora Emy Santos destacou a importância do imóvel como alternativa para jovens sem moradia, classificando-o como um “símbolo de resistência”. Ela também criticou propostas em discussão no Legislativo municipal que, segundo ela, reforçam estigmas contra a população trans, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
Cris Stefanny, presidente de honra da Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS), ressaltou que a ocupação se deu pela falta de função social do imóvel. “Esse espaço só serviu de trampolim político até agora. Se não cumpre sua finalidade, nós damos um fim social para garantir acolhimento digno”, declarou. Ela também criticou debates sobre o uso de banheiros por pessoas trans, considerando o tema já decidido por instâncias superiores.
Kaique Andrade, homem trans e ativista, apontou que a ocupação expõe a ausência de políticas públicas efetivas. “Se depender do Estado, a gente não tem nada. Isso mostra o abandono e também o avanço de propostas que aumentam a vulnerabilidade da nossa população”, disse. Ele enfatizou que mulheres trans e travestis enfrentam maior risco de violência e ficam mais expostas.
Críticas a projeto sobre banheiros e reivindicação de políticas efetivas
Durante a manifestação, o grupo também direcionou críticas a um projeto aprovado na Câmara Municipal sobre o uso de banheiros por pessoas trans. Os participantes consideram a proposta um retrocesso, argumentando que ela não se baseia em dados concretos. A iniciativa, segundo o Campo Grande NEWS, levanta preocupações sobre a falta de embasamento técnico e o potencial impacto negativo na vida da comunidade trans.
Os manifestantes reafirmaram a intenção de manter a ocupação e continuar com os trabalhos de limpeza e organização do espaço, com o objetivo de iniciar o acolhimento o mais breve possível. A comunidade espera que esta ação gere uma resposta efetiva do poder público e que o projeto da casa de acolhimento LGBTQIA+ finalmente saia do papel, garantindo um espaço seguro e digno para todos.
A reportagem buscou contato com o poder público para obter um posicionamento sobre a ocupação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue ocupado, e a comunidade aguarda providências.

