O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) celebra 25 anos de música e esperança com o lançamento de seu quinto álbum, intitulado O Quinto dos Infernos. O grupo Harmonia Enlouquece, formado por pacientes psiquiátricos e profissionais de saúde da instituição, se consolida como uma referência nacional na utilização da música como ferramenta de cuidado em saúde mental dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Este marco representa não apenas um novo trabalho musical, mas a reafirmação de um projeto que transforma vidas.
O CPRJ, uma unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), é reconhecido por sua abordagem humanizada em psiquiatria, onde elementos culturais, a escuta atenta e o protagonismo dos pacientes são pilares fundamentais do tratamento. O grupo Harmonia Enlouquece nasceu em 7 de abril de 2001, no Dia Mundial da Saúde, e já gravou 65 músicas, a maioria composta por Hamilton de Jesus Assunção, paciente do CPRJ desde 1998. Conforme o Campo Grande NEWS checou, Hamilton é o principal compositor, sendo autor de cerca de 95% do repertório, como destacou o diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, que também participa da banda tocando violão. Este álbum, com 13 faixas, sendo 11 inéditas, reforça a genialidade e a sensibilidade de Assunção.
Música como Refúgio e Expressão
Hamilton de Jesus Assunção, cuja jornada no CPRJ começou em 1984, encontrou na música uma poderosa aliada em seu tratamento. Convidado pelo psicólogo Sidney Dantas a participar de uma oficina de música, ele viu ali o nascimento do Harmonia Enlouquece. “Ali nasceu o Harmonia. Das 65 músicas gravadas pelo grupo, 62 são minhas, fora outras que tenho em minha casa”, revelou o compositor à Agência Brasil. Para ele, a música é um bálsamo: “Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa”, afirma. A oficina de arte, onde os pacientes frequentam sem nenhuma evasão, é uma prática constante no CPRJ desde o primeiro dia de tratamento.
Uma Trajetória de Sucesso e Reconhecimento
O grupo Harmonia Enlouquece já passou por mais de 75 pessoas ao longo de sua existência. Atualmente, conta com 13 integrantes, sendo nove pacientes em tratamento e os demais colaboradores. Recentemente, a banda foi agraciada com o Prêmio Asas (Aldir Blanc-RJ), um reconhecimento importante para o trabalho desenvolvido. A iniciativa do CPRJ em promover a música como parte integrante do cuidado em saúde mental tem sido um exemplo inspirador, demonstrando o poder transformador da arte no processo de recuperação e reinserção social. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o trabalho realizado no centro é um diferencial na psiquiatria brasileira.
Projeto Ponto de Cultura e Expansão
Desde 2016, o Ponto de Cultura do Centro Psiquiátrico promove encontros mensais, reunindo pacientes do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), do Instituto Municipal Philippe Pinel, de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), além de pacientes internados e do hospital-dia. O diretor-geral Francisco Sayão planeja abrir uma agenda de visitação ao museu do CPRJ, a partir das 16h, para que o público possa conhecer o trabalho do Harmonia Enlouquece e interagir com os integrantes, sem prejudicar o funcionamento da unidade. O CPRJ também possui uma rádio interna que veicula as músicas do grupo, e há planos para a criação de podcasts e a transmissão online em tempo integral, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Lançamento Celebrativo no MuhCab
O lançamento do álbum O Quinto dos Infernos acontecerá no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). O evento contará com uma exposição que traça a linha do tempo do CPRJ de 2001 a 2026, celebrando os 25 anos do grupo Harmonia Enlouquece, que serão completados em 2026. Será exibido o documentário Harmonia Enlouquece – Um mergulho musical pela saúde mental, dirigido por Flávia Lima, que retrata a trajetória da banda. A programação inclui ainda uma roda de conversa sobre música, inclusão e saúde mental, promovendo um debate enriquecedor sobre a importância da arte no cuidado à saúde mental. O trabalho desenvolvido no CPRJ é um exemplo de como a arte e a cultura podem ser ferramentas poderosas na recuperação e no bem-estar dos pacientes.


