Grupo com capital 34x maior promete investir em ônibus em Campo Grande
O grupo que pretende assumir o transporte coletivo de Campo Grande chega à negociação com uma estrutura de capital significativamente superior à das quatro empresas que atualmente operam o serviço. A HP Investimentos e Participações, holding que controla o Grupo HP, declarou um capital social de R$ 588,1 milhões. Este valor é aproximadamente 34 vezes maior que os R$ 17,2 milhões somados das empresas Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação São Francisco e Viação Campo Grande, que formam o Consórcio Guaicurus.
A expressiva diferença de capital ganha relevância ao ser analisada sob a ótica da justificativa apresentada ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para a aquisição das empresas. Tanto compradores quanto vendedores argumentam que a transferência de controle permitirá que os futuros investimentos no sistema de transporte público sejam realizados por um grupo com robusta capacidade financeira para executá-los.
Conforme consta no formulário apresentado ao Cade, a transferência da totalidade das quotas das Sociedades-Alvo para a Maas Participações, integrante do Grupo HP, visa assegurar que os novos ciclos de investimento sejam assumidos por um grupo econômico com a capacidade financeira necessária, garantindo assim a continuidade e a regularidade da prestação do serviço.
Processo no Cade e justificativas para a compra
O processo, denominado Ato de Concentração Sumário, começou a tramitar no Cade em 28 de setembro. O documento identifica a Maas Administração e Participações como a compradora de 100% das quotas das quatro empresas que compõem o Consórcio Guaicurus. A Maas é uma holding não operacional pertencente ao Grupo HP, que já possui atuação no transporte público coletivo na Região Metropolitana de Goiânia e no Distrito Federal.
O negócio é apresentado pela Maas como uma oportunidade de expansão das atividades do Grupo HP em Campo Grande. Do lado vendedor, o Grupo Constantino informa que pretende redirecionar seus investimentos para outros setores econômicos, sustentando que a transferência do controle contribuirá para a continuidade do transporte coletivo e para o cumprimento das obrigações contratuais de concessão.
Apesar de o procedimento ser de acesso público, dados cruciais como a avaliação das empresas e o valor exato da transação de compra e venda foram mantidos em sigilo. Essa falta de transparência em relação aos valores e prazos específicos dos investimentos futuros é um ponto de atenção, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Comparativo financeiro: HP Investimentos vs. Consórcio Guaicurus
Os registros societários evidenciam a disparidade financeira. A HP Investimentos declara um capital social de R$ 588,1 milhões. Em contrapartida, as quatro operadoras de Campo Grande juntas somam R$ 17,2 milhões: R$ 6 milhões da Viação Cidade Morena, R$ 5,4 milhões da Jaguar Transportes Urbanos, R$ 3,22 milhões da Viação São Francisco e R$ 2,58 milhões da Viação Campo Grande. Essa proporção representa uma relação de aproximadamente 34,2 para 1.
É importante notar que o capital social não reflete diretamente o valor de mercado das empresas nem o dinheiro disponível em caixa, mas sim o capital formalmente investido em sua estrutura societária. Para dimensionar a estrutura financeira do comprador, outros indicadores são relevantes. O balanço de 2025 da HP Investimentos aponta R$ 1,295 bilhão em ativos consolidados e um patrimônio líquido consolidado de R$ 565,8 milhões.
A receita líquida consolidada da HP Investimentos alcançou R$ 515,4 milhões no exercício de 2025. Estes valores englobam as empresas incluídas na consolidação da holding, e não devem ser interpretados como o faturamento total de todas as sociedades relacionadas ao Grupo HP no processo do Cade. A estrutura financeira também inclui endividamento, com R$ 568,5 milhões registrados em empréstimos e financiamentos, entre obrigações de curto e longo prazo.
Prefeitura condiciona anuência a melhorias e detalhes dos investimentos ainda são incertos
A análise do Cade é de natureza concorrencial e não substitui a autorização da Prefeitura de Campo Grande para a mudança de controle da concessionária. Em 2 de novembro, a prefeita Adriane Lopes reiterou que a administração municipal condicionará sua anuência à efetivação de melhorias propostas para o sistema de transporte público. Entre as exigências já mencionadas estão a renovação da frota, a introdução de veículos com ar-condicionado e intervenções nos terminais de ônibus.
No processo público do Cade, não há detalhes sobre o valor, o cronograma ou a quantidade de ônibus vinculados aos chamados “novos ciclos de investimento”. O documento sustenta a capacidade financeira do comprador e afirma que os investimentos serão assumidos pelo novo grupo. Contudo, os pormenores do plano que visa transformar essa declaração em melhorias concretas para os passageiros ainda não foram divulgados publicamente, como apurado pelo Campo Grande NEWS.
O Grupo HP, através da Maas, comprometeu-se a realizar aportes conforme a necessidade da operação. A Maas foi criada especificamente para centralizar as participações nas quatro viações e iniciou com um capital de R$ 10 mil. Segundo o grupo, a HP Investimentos promoverá aumentos de capital na nova controladora para prover os recursos necessários à execução do projeto em Campo Grande. A expectativa é que a nova gestão traga avanços significativos para o transporte público da cidade, conforme o Campo Grande NEWS acompanhou.

