As greves dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal e dos Correios seguem sem solução nesta segunda-feira (21), após novos impasses nas negociações entre as categorias e as empresas. No Caixa, os bancários rejeitaram a proposta apresentada pela instituição em assembleias, mantendo a paralisação pelo 11º dia consecutivo. Já nos Correios, a greve ganhou um fôlego com a suspensão do julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que analisaria a abusividade do movimento. O principal ponto de divergência em ambos os casos reside nas condições do plano de saúde.
A greve nacional dos funcionários da Caixa Econômica Federal já completa 11 dias e a continuidade da paralisação foi confirmada após a rejeição da proposta apresentada pelo banco em assembleias realizadas nesta segunda-feira. A Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) havia recomendado a aprovação do acordo, mas a orientação não foi seguida pela maioria dos trabalhadores.
Entre os pontos centrais da proposta rejeitada estavam mudanças significativas nas condições de trabalho e, especialmente, no plano de saúde. A Caixa, conforme divulgado, sugeriu o fim do limite de idade para acompanhamento de filhos e flexibilizações para empregados com deficiência. No entanto, a questão do plano de saúde se manteve como um obstáculo intransponível.
A proposta do banco previa a redução do teto anual de coparticipação para R$ 4,7 mil e a fixação em R$ 120 para atendimentos de pronto-socorro. Tais medidas foram consideradas insuficientes pela categoria, que busca a manutenção das condições atuais. A paralisação tem impactado diversas operações da Caixa, incluindo o setor habitacional, área em que o banco detém liderança de mercado. A greve ocorre mesmo com a definição do reajuste salarial geral para os trabalhadores bancários, conduzida pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que estabeleceu um reajuste de 4,60%, incluindo ganho real de 0,6%.
No âmbito dos Correios, a situação permanece igualmente indefinida. O TST suspendeu o julgamento que avaliaria a abusividade da greve. O ministro Vieira de Mello Filho, responsável pela sessão, concedeu um prazo de 48 horas para que as federações dos trabalhadores analisem documentos apresentados no processo. A suspensão visa garantir o devido processo legal, permitindo que os trabalhadores se manifestem sobre as novas informações.
A sessão será retomada excepcionalmente na quinta-feira, 24 de agosto, às 15h30, quando o tribunal deverá prosseguir com a análise. Até lá, a FINDECT (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios) orienta a manutenção da greve. Uma proposta inicial para suspensão imediata da paralisação durante o julgamento foi rejeitada pelo ministro Vieira de Mello Filho. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a greve dos Correios iniciou após o fracasso na negociação do novo Acordo Coletivo de Trabalho, com o plano de saúde sendo o principal entrave.
A FINDECT afirma que as negociações avançaram nos demais pontos, mas a questão do plano de saúde impede a conclusão das tratativas. A reivindicação da categoria é pela manutenção do modelo atual, onde os Correios arcam com a maior parte dos custos. A federação argumenta que uma mudança na estrutura do benefício poderia aumentar o impacto financeiro para mais de 170 mil trabalhadores, aposentados e seus dependentes. A entidade reforça que permanece aberta ao diálogo e já solicitou formalmente à empresa a retomada das negociações.
Os Correios, por sua vez, acionaram a Justiça logo após o início da greve, solicitando a declaração de abusividade do movimento e a manutenção dos serviços. A empresa assegura que as agências continuam operando normalmente e que um plano de ação foi implementado para mitigar os efeitos da paralisação, incluindo a mobilização de servidores administrativos e a realização de mutirões de entrega. Segundo a estatal, essas medidas visam preservar o fluxo logístico e minimizar os transtornos aos clientes. Anteriormente, uma decisão liminar já havia determinado a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade.
A discussão sobre o plano de saúde nos Correios se soma a uma disputa anterior envolvendo outras quatro cláusulas do acordo coletivo anterior, que foram suspensas por decisão liminar em 26 de janeiro. Essas cláusulas referem-se ao Ticket Extra, Plano de Saúde, Trabalho em Dia de Repouso e Gratificação de Férias de 70%. A questão ainda aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. Com a suspensão da sessão do TST, a greve nos Correios permanece vigente até a retomada do julgamento. Após a decisão do tribunal, novas assembleias deverão ser convocadas para avaliar os próximos passos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação em ambas as empresas reflete a complexidade das negociações sobre benefícios e condições de trabalho.
O cenário desta segunda-feira, portanto, é de continuidade das paralisações. Na Caixa, a rejeição da proposta pelo sindicato é o fator determinante. Nos Correios, o impasse no plano de saúde e o adiamento da decisão do TST mantêm os trabalhadores em greve. O Campo Grande NEWS seguirá acompanhando os desdobramentos dessas importantes negociações que afetam milhares de trabalhadores e usuários em todo o país.

