O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul anunciou, nesta quinta-feira (14), o início de um rigoroso processo de revisão e fiscalização dos contratos firmados com a Construtora Rial Ltda. A empresa é investigada na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada para apurar suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital. A medida surge após a revelação de que o ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, autorizou mais de R$ 15,8 milhões à construtora entre fevereiro e maio deste ano. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, os contratos estaduais com a Rial somam R$ 27,7 milhões.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que, embora os contratos estaduais não sejam alvo direto da investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a decisão de intensificar o controle visa garantir a correta aplicação dos recursos públicos e fortalecer os mecanismos de transparência e compliance já existentes no estado. A operação investiga desvios que podem chegar a R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.
O ex-diretor da Agesul, Rudi Fiorese, preso na Operação Buraco Sem Fim, foi o responsável por autorizar diversos empenhos, reajustes e aditivos em favor da Rial durante o período mencionado. Essas liberações de verba ocorreram em contratos voltados para a manutenção e conservação de rodovias estaduais, serviços considerados essenciais para a segurança e trafegabilidade das vias. A Seilog destacou que a revisão é uma medida preventiva para assegurar a lisura dos processos.
Valores expressivos e aditivos em curto espaço de tempo
As autorizações de valores para a Construtora Rial Ltda. chamaram a atenção. Entre fevereiro e maio, o ex-diretor Rudi Fiorese liberou, por meio da Agesul, quantias significativas. Em fevereiro, foram autorizados empenhos que totalizaram mais de R$ 4,5 milhões, distribuídos em diferentes contratos. Em março, a soma ultrapassou os R$ 6 milhões, e em abril, mais R$ 1 milhão foi destinado a uma obra de infraestrutura em Jaraguari. Esses dados foram publicados no Diário Oficial do Estado.
Um dos primeiros aditivos identificados após a posse de Fiorese na Agesul, em 9 de fevereiro, acrescentou R$ 1,5 milhão a um contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas. Este aditivo foi assinado pelo próprio Fiorese e por Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, proprietário da Rial e um dos presos na operação. Além disso, Fiorese assinou a renovação excepcional de contratos firmados em 2021 para a manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas, prorrogando a atuação da empresa por mais 12 meses.
Operação Buraco Sem Fim investiga desvios milionários
A Operação Buraco Sem Fim, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), investiga um esquema de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvio de recursos públicos em contratos firmados com a Prefeitura de Campo Grande. O MPMS estima que os valores sob investigação totalizem R$ 113,7 milhões, abrangendo o período de 2018 a 2025. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operação resultou na prisão preventiva de sete pessoas, incluindo Rudi Fiorese, empresários ligados à Rial e servidores públicos da área de tapa-buraco da prefeitura.
Durante as buscas realizadas pela operação, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Parte desse montante estava na residência de um dos sócios da construtora, e outros R$ 186 mil foram encontrados na casa de Rudi Fiorese. As prisões preventivas foram mantidas pela Justiça durante audiência de custódia, apesar dos pedidos de revogação por parte das defesas, que alegam falta de acesso integral aos autos do processo. A investigação continua em curso, com foco na apuração detalhada de cada contrato e suspeita de irregularidade.
Contratos estaduais somam R$ 27,7 milhões
Os contratos estaduais firmados com a Construtora Rial Ltda. alcançam um valor total de R$ 27,7 milhões. Embora a Seilog reforce que estes acordos não são o foco principal da investigação do MPMS, a decisão de revisar e fiscalizar de forma mais intensa demonstra a preocupação do governo em garantir a correta aplicação dos fundos públicos. Os serviços contratados incluem a manutenção de rodovias em municípios como Três Lagoas e Camapuã, além de obras de drenagem e pavimentação em Jaraguari. O Campo Grande NEWS acompanhou as divulgações sobre os valores autorizados e os aditivos contratuais, ressaltando a importância da transparência nesses processos.
A Seilog reafirmou o compromisso do Governo do Estado em assegurar a correta e transparente aplicação dos recursos públicos, buscando fortalecer os mecanismos de controle e acompanhamento. A revisão dos contratos com a Rial é vista como um passo importante para reforçar a confiança da população na gestão pública e garantir que os serviços prestados à sociedade atendam aos mais altos padrões de qualidade e integridade. A atuação do Campo Grande NEWS na apuração desses fatos tem sido fundamental para informar a população sobre os desdobramentos da Operação Buraco Sem Fim e suas implicações.

