Governador quer Imasul licenciando Rota da Celulose para agilizar obras

O governador Eduardo Riedel (PP) apresentou uma proposta ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para que o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) assuma o licenciamento ambiental de obras nas rodovias federais BR-262 e BR-267. Essa solicitação visa, segundo o governador, **acelerar a execução das intervenções** previstas pela futura concessionária responsável pela Rota da Celulose, um ambicioso projeto de infraestrutura com investimentos de R$ 10,1 bilhões.

A ideia é que o órgão estadual de Mato Grosso do Sul, o Imasul, passe a conduzir os processos de licenciamento, seguindo um modelo já adotado em Pernambuco, onde um acordo de cooperação técnica entre o Ibama e a agência ambiental estadual permitiu que o órgão local assumisse parte dos procedimentos para obras rodoviárias federais. A recepção do pedido por parte do Ibama foi considerada positiva, e o órgão federal está analisando a proposta.

Essa medida faz parte de uma estratégia do governo estadual para **conciliar o desenvolvimento de infraestrutura com a proteção ambiental**. O governador Riedel tem buscado soluções negociadas tanto para o licenciamento das rodovias quanto para a criação da Reserva de Vida Silvestre da Bodoquena, um tema que também esteve em pauta em Brasília. A intenção é **otimizar os cronogramas** e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade das ações.

Rota da Celulose: um projeto de grande porte

A Rota da Celulose é um projeto que abrange a concessão das rodovias federais BR-262 e BR-267, além de trechos de rodovias estaduais como a MS-040, MS-338 e MS-395. Ao todo, o projeto engloba 870,3 quilômetros de vias e tem previsão de investimentos na ordem de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos de contrato. A BR-262 envolvida no projeto liga Três Lagoas a Campo Grande, enquanto a BR-267 conecta Bataguassu a Nova Alvorada do Sul.

A delegação do licenciamento ambiental para o Imasul, caso aprovada, tem o potencial de **descentralizar a análise dos processos**, o que, na prática, pode reduzir significativamente o tempo de tramitação. O argumento do governo estadual é que o Estado tem responsabilidade direta sobre os trechos das rodovias que atravessam seu território, justificando a atuação do órgão ambiental local.

Precedente em Pernambuco e expectativas para MS

O modelo de cooperação técnica citado pelo governador Riedel foi firmado neste ano entre o Ibama e a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco). Ele permite que o órgão estadual assuma parte dos procedimentos de licenciamento ambiental relacionados a obras em rodovias federais, **mantendo a competência federal**, mas agilizando as análises. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa abordagem tem sido vista como um caminho promissor para outros estados.

Ainda não foram detalhados quais atos específicos do licenciamento ambiental seriam delegados ao Imasul, nem qual seria o impacto direto no cronograma das obras. Contudo, a expectativa é que a medida contribua para um **processo mais ágil e eficiente**, beneficiando a concessionária e a população que aguarda as melhorias na infraestrutura.

Discussões sobre a Reserva da Bodoquena

Na mesma agenda em Brasília, o governador Eduardo Riedel também abordou com o Ministério do Meio Ambiente a proposta de criação da Reserva de Vida Silvestre da Bodoquena. O governo estadual apresentou **alternativas ao projeto original** elaborado pelo ministério, incluindo sugestões para ajustar o percentual da área a ser protegida. O Ministério analisará as propostas e agendará uma nova reunião para a próxima semana entre o secretário estadual de Meio Ambiente e o ministro.

Essa abordagem demonstra o esforço do governo em construir soluções negociadas, buscando um equilíbrio entre a preservação ambiental e a necessidade de desenvolvimento econômico através de investimentos em infraestrutura. O Campo Grande NEWS acompanha de perto essas discussões, que são cruciais para o futuro do desenvolvimento sustentável no estado.

A busca por agilidade no licenciamento de obras de infraestrutura é um tema recorrente para o desenvolvimento regional. A proposta de delegar ao Imasul a condução dos processos de licenciamento das BRs 262 e 267, trechos da Rota da Celulose, é vista como um passo importante para destravar investimentos e impulsionar a economia de Mato Grosso do Sul. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a parceria com órgãos federais, quando bem estabelecida, pode trazer resultados significativos.