O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, nesta sexta-feira (25), rejeitar a abertura de uma investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão, apertada, com 5 votos a 4, negou um pedido do Partido Novo para que Gonet fosse investigado pelo crime de prevaricação e afastado de processos que envolvem fraudes no Banco Master. O colegiado também decidiu, por unanimidade (9 a 0), manter Gonet em suas funções.
A polêmica surgiu após conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso. Essas mensagens citavam o nome de Paulo Gonet, levantando suspeitas sobre a conduta do procurador-geral. O caso ganhou destaque e gerou um intenso debate interno no MPF sobre a necessidade de apuração.
As manifestações contrárias à investigação foram proferidas pelo relator, Francisco Sanseverino, e pelos subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenbugo Chateaubriand e Nicolau Dino. Em contrapartida, os subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos votaram pela abertura do procedimento investigatório.
Durante a análise, o subprocurador Hidenbugo Chateaubriand, que votou contra a investigação, argumentou que Gonet só poderia ser afastado por decisão judicial e que não haveria indícios de “amizade íntima” entre o procurador-geral e o investigado. Ele destacou que a simples menção em uma agenda telefônica não configura proximidade.
“Não há rigorosamente nada que possa sugerir que o procurador-geral da República tenha algum tipo de amizade íntima com esse investigado. Jamais vi alguém ser considerado amigo íntimo de alguém que sequer consta da agenda telefônica”, afirmou Chateaubriand, conforme relatado pelas fontes. Essa declaração buscou desqualificar a ideia de que Gonet pudesse ter alguma relação pessoal que comprometesse sua atuação.
Por outro lado, a subprocuradora Ana Borges expressou uma visão diferente, considerando o caso Master como um possível “escândalo de corrupção” no setor financeiro. Ela também questionou a solicitação de Gonet ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular o relatório da PF que revelou as menções ao seu nome. Para Borges, havia elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação.
“Há elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação, e assim autorizar uma investigação criminal”, disse Ana Borges, evidenciando a divergência de opiniões dentro do conselho. Essa fala aponta para a gravidade das suspeitas levantadas por parte dos conselheiros.
Mensagens que acenderam o alerta
As mensagens em questão vieram à tona após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de parte da investigação que também envolvia mensagens do ex-banqueiro para um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Conforme informações da Polícia Federal, Vorcaro intensificou o envio de mensagens para o número ligado a Moraes nos dias que antecederam sua prisão, ocorrida em 17 de novembro do ano passado.
No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro manifestou preocupação com o avanço das investigações da PF, que tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Na ocasião, ele citou os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em uma mensagem. O ex-banqueiro escreveu:
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, questionou Vorcaro. Apesar da citação, é importante notar que não há indícios de que Gonet e Andrei Rodrigues tenham de fato interferido nas investigações, conforme apontado pelas fontes.
Gonet nega proximidade e imagem em evento
Recentemente, o jornal O Globo publicou uma foto onde Paulo Gonet aparece ao lado de Daniel Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro. A imagem foi registrada durante um evento jurídico promovido pelo Banco Master em abril de 2024, em Londres. Após o surgimento das conversas e da fotografia, Gonet negou qualquer proximidade com Vorcaro, classificando sua interação com ele como “brevíssima e banal”.
Essa declaração de Gonet busca minimizar a conexão com o ex-banqueiro, contrastando com a imagem divulgada. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a defesa de Gonet sempre sustentou a inexistência de qualquer irregularidade em sua conduta. A decisão do CSMPF parece ter acolhido esses argumentos, pelo menos por ora, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Apesar da rejeição da investigação, o caso levanta importantes discussões sobre a transparência e a conduta de figuras públicas em meio a investigações de grande repercussão. A atuação do MPF e a relação entre membros do judiciário e figuras investigadas continuam sendo pontos de atenção para a sociedade, como também analisado pelo Campo Grande NEWS.


