A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul já começou, com candidatos percorrendo o estado em busca de apoio. A geografia do voto revela que, apesar de 79 municípios, mais da metade do eleitorado se concentra em apenas cinco cidades. Regiões economicamente fortes nem sempre refletem o mesmo peso nas urnas. Conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá reúnem cerca de 51% dos 2 milhões de eleitores do estado. Essa concentração explica por que algumas cidades são prioridade em campanhas, enquanto outras exercem influência política que transcende seu tamanho eleitoral.
A distribuição do eleitorado em Mato Grosso do Sul apresenta uma concentração significativa em poucos centros urbanos. Campo Grande lidera com 640.701 eleitores, o que representa 31,6% do total estadual. Em seguida, Dourados aparece com 166.283 eleitores (8,2%), seguida por Três Lagoas (88.715 eleitores, 4,4%), Ponta Porã (70.146 eleitores, 3,5%) e Corumbá (67.866 eleitores, 3,3%). Juntas, essas cinco cidades somam mais de 1 milhão de eleitores, um número expressivo quando comparado a dezenas de municípios com menos de 10 mil eleitores, como Figueirão, com apenas 2.814, ou Novo Horizonte do Sul, com 3.613.
A capital, Campo Grande, representa uma eleição à parte. Com mais de 640 mil eleitores, sozinha, ela supera a soma de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá, Naviraí, Aquidauana, Nova Andradina, Sidrolândia e Paranaíba. Além do peso eleitoral, a cidade concentra os principais veículos de comunicação, as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a maior arrecadação do estado e a maior estrutura administrativa. Vencer em Campo Grande é, portanto, um passo crucial para qualquer candidatura estadual. No entanto, mesmo com quase um terço do eleitorado, a capital não decide sozinha uma eleição para governador. O interior mantém sua relevância pela distribuição de votos em diversos municípios médios.
Ao longo das últimas décadas, lideranças políticas como André Puccinelli (MDB) construíram forte base na Capital, enquanto nomes como Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) demonstraram habilidade em compensar dificuldades em grandes centros urbanos com desempenho regionalizado. Isso força as campanhas estaduais a equilibrar a conquista dos eleitores da Capital com a construção de alianças sólidas no interior. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dinâmica política exige essa dualidade estratégica.
Dourados: O Peso Estratégico do Interior
Se Campo Grande é o principal centro político, Dourados se consolida como a cidade mais estratégica do interior. Com 166 mil eleitores, o município possui características que impulsionam sua influência, como a forte presença do agronegócio, universidades, população indígena, comércio regional e um eleitorado urbano diversificado. O historiador Eronildo Barbosa destaca que Dourados reúne grupos sociais distintos e reflete disputas em escala estadual, historicamente produzindo lideranças tanto conservadoras quanto progressistas.
O peso político da região se estende além do município. Ao somar os eleitorados de Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Caarapó, Itaporã, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Vicentina e Douradina, a região ultrapassa 290 mil eleitores. Essa área, conhecida como Grande Dourados, reúne quase metade do eleitorado da Capital e funciona como um dos principais polos de influência eleitoral do estado. A relevância desta região é um fator decisivo nas campanhas, conforme apontado pelo Campo Grande NEWS.
O Vale da Celulose e a Nova Geografia Eleitoral
O chamado Vale da Celulose, na Costa Leste, tem experimentado um crescimento econômico expressivo, impulsionado por investimentos bilionários de empresas como Suzano, Arauco e Bracell. Cidades como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Bataguassu, Selvíria e Inocência se tornaram polos industriais. Contudo, existe uma diferença clara entre influência econômica e peso eleitoral.
Mesmo somando os eleitores de Três Lagoas (88 mil), Bataguassu (19 mil), Ribas do Rio Pardo (16 mil), Água Clara (13 mil), Inocência (7 mil) e Selvíria (7 mil), a região apresenta um eleitorado relativamente modesto em comparação com a Capital ou a Grande Dourados. Apesar disso, a região tem ganhado espaço na agenda política estadual, com debates sobre habitação, qualificação profissional, infraestrutura e logística ganhando relevância. A tendência é que o crescimento populacional e econômico amplie gradualmente sua importância política nos próximos ciclos eleitorais, como observado pela análise do Campo Grande NEWS.
Outras Regiões de Influência e Comportamento Eleitoral
Outras regiões de Mato Grosso do Sul também concentram parcelas importantes do eleitorado e possuem questões estratégicas que devem ser observadas pelos pré-candidatos ao governo. A faixa de fronteira, por exemplo, forma um bloco eleitoral relevante com Ponta Porã, Amambai, Coronel Sapucaia, Paranhos, Antônio João e Aral Moreira, somando aproximadamente 135 mil eleitores. Temas como segurança pública, narcotráfico, comércio internacional, relações com o Paraguai e conflitos fundiários são centrais nesta área.
Na região do Pantanal, Corumbá e Ladário reúnem cerca de 81 mil eleitores. Embora com menos votantes que alguns polos econômicos, concentram temas estratégicos como mineração, preservação ambiental, a hidrovia do Paraguai, turismo e relações fronteiriças com a Bolívia. Eronildo Barbosa aponta que municípios com forte presença de assentamentos rurais, como Sidrolândia e Nova Andradina, tendem a apresentar comportamento eleitoral distinto, com maior receptividade a candidaturas progressistas. Em contrapartida, regiões como Chapadão do Sul, Coxim, parte da fronteira, Três Lagoas e o Vale do Ivinhema são identificadas como áreas de maior força conservadora.

