Gênero, raça e origem familiar definem mobilidade social, diz estudo

Um novo estudo aponta que as chances de um brasileiro ascender social e economicamente são fortemente influenciadas por fatores como gênero, raça e a origem familiar. O levantamento, intitulado “Atlas da Mobilidade Social”, divulgado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o Prospera Lab, mapeia as barreiras que impedem a mobilidade social no Brasil, revelando um cenário onde as desigualdades de berço se perpetuam por gerações.

Os dados do Atlas, que utilizam informações de fontes oficiais como a Receita Federal e o IBGE, demonstram que nascer pobre no Brasil limita drasticamente as oportunidades de ascensão. A pesquisa, que analisou dados de diversas gerações, confirma a resiliência da hierarquia social e a dificuldade em romper ciclos de pobreza, com a educação emergindo como um dos principais fatores para a mudança, conforme o Campo Grande NEWS checou.

O estudo, com base em metodologia do artigo acadêmico “Intergenerational Mobility in the Land of Inequality” (Britto et al., 2025), oferece um panorama detalhado sobre as disparidades regionais e os impactos de políticas públicas. O objetivo é fornecer evidências para gestores públicos, visando a criação de estratégias mais eficazes para promover a ascensão social no país, como destacado pelo presidente do Imds, Paulo Tafner. O Atlas está disponível publicamente em atlasmobilidadesocial.org.br.

Raça e Gênero: Barreiras Persistentes para a Ascensão Social

O “Atlas da Mobilidade Social” evidencia que a **raça** e o **gênero** são determinantes cruciais para a mobilidade social no Brasil. Jovens brancos de famílias pobres têm uma chance significativamente maior de ascender do que jovens não brancos nascidos na mesma condição. Enquanto 36,3% dos jovens brancos de famílias no quartil mais pobre permanecem nesse estrato, para os não brancos essa taxa sobe para 51,6%, indicando um impacto ainda mais severo da desigualdade racial.

O estudo também revela que ser mulher representa um obstáculo adicional para a mobilidade social. Filhas de pais no quartil mais pobre têm uma probabilidade de 65,1% de permanecerem na mesma faixa de renda na vida adulta, em contraste com 32,9% dos homens. Essa disparidade é ainda mais acentuada quando combinada com a raça: 69% das mulheres não brancas continuam entre os 25% mais pobres, comparado a 52,9% das mulheres brancas.

Origem Familiar: O Ciclo da Pobreza Difícil de Quebrar

A **origem familiar** é um dos pilares mais fortes na determinação da mobilidade social. Cerca de 48% dos filhos de pais que pertenciam aos 25% mais pobres da população tendem a permanecer nesse mesmo grupo quando adultos. A chance de romper esse ciclo e alcançar os estratos de maior renda é mínima: apenas 8,32% chegam ao quartil mais rico, e somente 1,28% atingem os 10% com maior rendimento.

Em contrapartida, jovens de famílias com maior renda desfrutam de oportunidades muito mais favoráveis. Aqueles cujos pais estavam na faixa intermediária de renda têm 17,5% de chance de alcançar os 25% mais ricos. Para os filhos de famílias já no quartil mais rico, 56,5% permanecem nesse grupo, e 30,8% chegam aos 10% mais ricos, conforme dados divulgados pelo Imds.

Regiões e Educação: Contrastes e Caminhos para a Ascensão

As chances de **ascensão social** variam drasticamente entre as regiões do Brasil. O Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste apresentam maiores probabilidades de mobilidade, enquanto o Norte e o Nordeste concentram as menores taxas, indicando maior persistência da pobreza intergeracional nessas áreas. Municípios no Norte e Nordeste, como Assis Brasil (AC), onde 84,4% dos jovens pobres permanecem na mesma condição, contrastam fortemente com locais como Ponte Serrada (SC), com apenas 2,13% nessa situação.

A **educação** desponta como o indicador socioeconômico mais diretamente associado à mobilidade social. Municípios com melhores índices educacionais, como o Ideb, e menor distorção idade-série, tendem a oferecer maiores chances de ascensão. “A mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem. O Atlas mostra que políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida”, ressaltou Paulo Tafner, presidente do Imds. O Campo Grande NEWS entende a importância de divulgar tais dados para a conscientização sobre as desigualdades regionais e sociais.

A análise comparativa entre gerações nascidas entre 1983-1987 e 1988-1990, segundo o estudo, indica um pequeno aumento na mobilidade social, mas a possibilidade de ascensão para filhos de famílias pobres e de renda média permanece similar à de seus pais, reforçando a necessidade de políticas públicas mais robustas. A cobertura aprofundada de temas como este é um compromisso do Campo Grande NEWS, buscando sempre informar a população com dados confiáveis e relevantes.