Gaeco pede R$ 10 mi e expulsão de policiais por desvio de drogas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apresentou uma denúncia robusta à Justiça, pedindo a condenação de 23 indivíduos envolvidos na Operação Infiltrados. Entre as exigências, destacam-se a perda dos cargos públicos de policiais e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A operação apura o desvio de mais de meia tonelada de drogas apreendidas, que teriam sido revendidas a traficantes.

Gaeco quer R$ 10 milhões e expulsão de policiais por desvio de drogas

A denúncia, com impressionantes 490 páginas, foi elaborada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e protocolada na 2ª Vara Criminal de Campo Grande. O documento detalha um esquema criminoso que teria operado entre 2021 e 2026, envolvendo integrantes das forças de segurança na revenda de substâncias ilícitas apreendidas. O MPMS não apenas busca a punição dos denunciados, mas também o confisco de bens, incluindo dinheiro, veículos e imóveis ligados à organização.

Para o Ministério Público, as condutas atribuídas aos denunciados representam uma “grave ofensa à moralidade pública”. A ação visa reparar os danos causados à sociedade e à administração pública, restaurando a confiança nas instituições de segurança. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os promotores argumentam que os envolvidos agiram com o intuito de satisfazer interesses pessoais, violando as expectativas da sociedade.

Policiais civis e delegado são alvos de pedido de expulsão

O pedido de exclusão dos quadros da segurança pública abrange o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado como um dos líderes do esquema, além de oito policiais civis e um policial penal. São eles: Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Augusto Torres Galvão Florindo (policial civil), e Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos (policial penal).

Embora Augusto Torres Galvão Florindo já tenha sido excluído administrativamente da Polícia Civil, o MPMS pede que a perda do cargo seja decretada na esfera criminal, como medida de segurança e para evitar reversões futuras. A justificativa é que as condutas criminosas tornam a permanência desses agentes nas corporações incompatível com a função pública.

O Campo Grande NEWS apurou que a perda dos cargos é considerada um efeito automático e obrigatório da condenação, conforme a legislação de combate às organizações criminosas. A decisão judicial, caso aceite a denúncia, determinará o futuro desses agentes.

Operação Infiltrados desmantela esquema de desvio de drogas

A Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro, é um desdobramento das investigações das operações Traquetos e Blindspot. O Gaeco aponta que policiais civis utilizavam a estrutura e informações obtidas em trabalhos oficiais para desviar drogas apreendidas e entregá-las a traficantes. O esquema contava com uma divisão de tarefas bem definida, envolvendo agentes públicos, intermediários e pessoas responsáveis pela movimentação financeira.

O delegado Hoffman é apontado como peça-chave na facilitação do esquema, utilizando sua posição de comando. Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, seria o responsável por negociar os carregamentos desviados e distribuir os valores entre os participantes. As investigações indicam o desvio de mais de meia tonelada de entorpecentes, que deveriam estar sob custódia do Estado.

Danos morais coletivos e confisco de bens

O pedido de R$ 10 milhões por danos morais coletivos baseia-se na profunda lesão à moralidade pública e à confiança depositada pela população nas forças de segurança. O MPMS argumenta que a atuação dos denunciados causou prejuízos significativos à sociedade. Conforme o Campo Grande NEWS informa, o documento também solicita o confisco de bens que possivelmente foram adquiridos com os proventos do esquema criminoso.

Entre os bens que podem ser confiscados está uma casa de luxo no condomínio Alphaville 1, em Campo Grande, pertencente ao delegado Hoffman. A denúncia também relaciona os policiais envolvidos ao recebimento de vantagens indevidas, uso de informações restritas e ocultação de valores provenientes do tráfico de drogas.

Próximos passos da Justiça

A denúncia foi assinada pelos promotores Gerson Eduardo de Araújo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Eduardo de Araújo Portes Guedes. O Ministério Público aguarda o recebimento da acusação pela Justiça para que o processo criminal tenha andamento. Ao final, espera-se a condenação dos denunciados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e violação de sigilo funcional, dependendo da participação individual de cada investigado.