Araruna Fest: Frejat e o Rock que Pulsa em Mato Grosso do Sul
Campo Grande se prepara para um evento que promete abalar as estruturas musicais da cidade: o Araruna Fest. No dia 30 de maio, o Shopping Bosque dos Ipês será palco para o cantor Frejat, um ícone do rock nacional, mas o festival vai muito além, dando um protagonismo especial aos talentos do rock sul-mato-grossense. A iniciativa, que nasceu da paixão pela música e da coragem de empreender, busca não apenas trazer o que há de melhor no Brasil, mas também apostar e promover a cena musical local, demonstrando que o rock tem raízes profundas e um público fiel em Mato Grosso do Sul.
Em um papo revelador no podcast do Campo Grande News, o produtor Patrick Gontier, a cantora Érica Espíndola e o músico Rodrigo Tozzetti discutiram os desafios e as alegrias de fazer cultura e música em Campo Grande. Gontier, um dos organizadores do Araruna Fest, descreveu a empreitada como uma mistura de “loucura e amor”, ressaltando o potencial da capital sul-mato-grossense para abrigar grandes eventos. “Campo Grande é uma cidade gigantesca, uma capital com crescimento enorme. Não dá para ficar fora daqui. Tem que estar aqui”, afirmou.
A proposta do Araruna Fest, conforme explicado por Gontier, é clara: ser um palco para artistas locais dividirem o holofote com nomes consagrados. “Quando a gente fala do Araruna, tem uma junção de coisas. Primeiro, trazer o que há de melhor no Brasil. Mas também apostar na música local. O Araruna é para ser palco do local. A gente vem aqui, consome aqui e quer promover aqui”, explicou o produtor.
Rock em MS: Mais que Sertanejo, um Movimento de Resistência
Apesar da forte associação de Mato Grosso do Sul com a música sertaneja, o produtor Patrick Gontier defende com veemência a existência e a força do rock na região. “Quando olham de São Paulo para cá, pensam logo em sertanejo. Mas não podemos esquecer que existe o rock. O rock é garagem, é underground, é movimento. E tem muita gente que gosta de rock aqui”, disse Gontier. Ele também argumenta que Campo Grande, como capital, merece e tem público para receber grandes shows nacionais, questionando: “Se o Frejat lota estádio no Rio ou em São Paulo, por que não estar aqui? Campo Grande merece.”
Festivais Alimentam a Cena e a Paixão pelo Rock
Para Rodrigo Tozzetti, vocalista do Bando do Velho Jack e com mais de 30 anos de carreira, eventos como o Araruna Fest são fundamentais para oxigenar a cena cultural. “O rock sempre foi muito volátil. Tem momentos em que cresce mais, depois dá uma amenizada. Mas ele nunca desaparece. O rock é um estilo de vida”, afirmou. Ele acredita que a iniciativa de promover grandes eventos injeta “energia nova” para músicos e público. “Quando aparece alguém com coragem e amor para promover um grande evento, isso mexe com a cena. Dá uma fervida na música da cidade”, comentou Tozzetti. O músico também ressalta a forte ligação do público sul-mato-grossense com a identidade regional, algo que o Bando do Velho Jack sempre buscou incorporar em sua música. “O rock que a gente faz é um rock sul-mato-grossense. A gente mistura a sonoridade do rock com as raízes da música daqui.”
Encontro de Gerações e a Revolução Cultural em Campo Grande
A cantora Érica Espíndola, com 15 anos de carreira, vê o Araruna Fest como um marco na evolução da cena musical de Campo Grande. “Se alguém tivesse me falado lá atrás que eu ia viver uma revolução na cena musical da cidade, eu não acreditaria”, contou. Ela relembra seus primórdios cantando blues em uma garagem improvisada, uma experiência “totalmente do lado B”, que a fascina até hoje. Para Érica, o festival representa um valioso encontro de gerações e um reconhecimento do talento local. “Poder representar o estado junto com o Bando do Velho Jack e outros artistas em um festival assim, pioneiro e peitudo, é muito grande para mim.”
Cultura Local: Apostar no Talento de Mato Grosso do Sul
Durante o bate-papo no podcast, a importância de valorizar a produção cultural local foi um tema recorrente. Patrick Gontier enfatizou a necessidade de a cidade acreditar mais em seu próprio potencial. “A cultura é uma das coisas mais democráticas que existem. E Mato Grosso do Sul tem muita cultura. A gente precisa valorizar isso e apostar nos nossos artistas”, defendeu. Rodrigo Tozzetti resumiu o desafio de fazer música no estado em uma palavra: persistência. “Rock nunca foi algo que chegou pronto para todo mundo. Quem gosta, vai atrás. Então a gente continua porque tem paixão.” Conforme informação divulgada pelo Campo Grande News, a persistência e a paixão são o motor que impulsiona os artistas locais.
O Araruna Fest acontecerá no dia 30 de maio, com abertura dos portões às 18h, no Bosque Expo do Shopping Bosque dos Ipês, com programação prevista até cerca de 1h da manhã. Para os artistas, a mensagem é clara: quem ama música não pode perder. “Vai ser incrível”, resumiu Rodrigo. Érica Espíndola fez um convite bem-humorado e que ecoa a importância histórica do evento: “Você não pode perder o Araruna Fest para não ficar igual quem perdeu o primeiro Rock in Rio. Daqui a alguns anos você pode dizer: eu estava lá.” Conforme o Campo Grande News checou, os ingressos já estão à venda e o festival promete agitar a cena cultural sul-mato-grossense até o fim do ano, com novidades divulgadas pelo Instagram @ararunafest.

