Forasteiros do jogo do bicho: 22 são condenados a 120 anos de prisão em Campo Grande

A Justiça de Campo Grande proferiu condenações totais de 120 anos de prisão para 22 réus envolvidos na organização criminosa MTS, que atuava na exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis na capital sul-mato-grossense por pelo menos três anos. As penas individuais podem chegar a 15 anos de reclusão por crimes como formação de quadrilha, exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, agiotagem e corrupção. A decisão é resultado da Operação Forasteiros, deflagrada em setembro de 2024 pelo Gaeco e pelo Dracco, e que desarticulou um esquema ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

A organização, que movimentava cerca de R$ 5 milhões mensais através de mais de mil bancas de apostas, era liderada por Henrique Abraão Gonçalves, apontado como o braço do líder do PCC, Marcola, no estado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação do grupo visava dominar o jogo do bicho na região, aproveitando o vácuo deixado por outras operações policiais.

A estrutura do crime organizado desarticulado

A organização criminosa MTS, com um nome que remete às iniciais de Mato Grosso do Sul, foi estabelecida com o objetivo de expandir a exploração de jogos de apostas eletrônicas comandadas pela facção. Henrique Abraão Gonçalves, conhecido como “Macaulin” ou “Rico”, natural de São Paulo, teria sido enviado para Mato Grosso do Sul com a missão de consolidar essa expansão, conforme aponta a investigação. Ele é considerado o “braço” de Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”, na região.

A operação, que resultou nas condenações, foi desencadeada em setembro de 2024. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) atuaram em conjunto. A ação contou com apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) para cumprir mandados em Campo Grande, Aquidauana e em cidades de outros estados, como São Paulo e Tocantins.

Liderança e penas mais severas

Entre os condenados, Ricardo Andrade Ferreira recebeu a pena mais alta: 15 anos, 9 meses e 1 dia de reclusão. Ele ocupava uma posição de liderança e era peça chave na engrenagem financeira do grupo, chegando a utilizar identidade falsa. Além dos crimes comuns, foi condenado por falsidade ideológica.

Caio Borgheti Rino Guimarães integrava o núcleo decisório da organização, coordenando atividades ilícitas e a organização interna. Odiney de Jesus Leite Júnior, o “Barba”, atuava como gerente da organização na Capital, supervisionando pontos de jogo e garantindo o funcionamento da estrutura. Ele foi condenado a 13 anos, 1 mês e 23 dias de reclusão.

O líder da organização, Henrique Abraão, foi condenado a 8 anos e 2 meses de reclusão. Outros 18 réus também foram sentenciados, com penas variando de acordo com o grau de participação no esquema. A lista de condenados inclui nomes como Jorge Luiz de Jesus Júnior, Jair Antônio Ienco, Jeferson Eduardo Nardi, Ricardo França de Andrade, e outros 14 indivíduos. Uma ré, Renata da Silva Gutierrez, foi absolvida por falta de provas suficientes.

Evidências e a força da organização criminosa

O juiz Marcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal de Campo Grande, ressaltou que a materialidade dos crimes foi comprovada por meio de interceptações telefônicas, registros contábeis, apreensão de máquinas caça-níqueis e talões de apostas. A sentença destacou a atuação coordenada, com divisão de funções e liderança estruturada, caracterizando a organização criminosa.

A força financeira da MTS era impressionante. O Campo Grande NEWS apurou que a organização instalou mais de mil bancas de apostas, com uma arrecadação mensal estimada em R$ 5 milhões. Essa movimentação de milhões na economia local, embora pareça inofensiva, está associada ao financiamento de outras atividades criminosas, evidenciando a gravidade do esquema desarticulado.

Os acusados ainda podem recorrer das condenações em primeira instância. O espaço está aberto para manifestação das defesas, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, reforçando a importância do acompanhamento jornalístico detalhado sobre o tema.