Flávio Bolsonaro em sabatina: Sem propostas claras e com acusações sem provas

Em sabatina realizada pela TV Globo, o candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, enfrentou questionamentos sobre suas propostas e posicionamentos, mas se esquivou de detalhar planos concretos e, em diversos momentos, fez acusações sem apresentar provas concretas. A entrevista, que durou pouco mais de 40 minutos, abordou temas como a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, a possibilidade de reeleição, a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a economia.

Flávio Bolsonaro: Entre negações e acusações sem base

Um dos pontos centrais da sabatina foi a negativa de Flávio Bolsonaro sobre a caracterização dos eventos de 8 de janeiro de 2023 como uma tentativa de golpe de Estado. Ele classificou o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, que resultou em uma condenação de 27 anos, como uma “farsa totalmente armada para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”. O candidato minimizou a invasão e depredação de prédios públicos, comparando a multidão a “uma senhora com Bíblia”, ignorando os atos de violência contra policiais e o vandalismo nos prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.

Reeleição e a “ampla defesa” de Eduardo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro reiterou seu desejo de acabar com a possibilidade de reeleição para presidente, propondo uma Proposta de Emenda à Constituição que impediria a reeleição e também que parentes do presidente até o terceiro grau se candidatem na sequência. Ele afirmou não ter apego ao poder, apesar de sua longa carreira política. Sobre seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação, Flávio o descreveu como um “perseguido político” que “se sacrificou para defender a democracia”. A condenação de Eduardo foi motivada por sua atuação contra os interesses do país, incentivando tarifas do governo dos EUA contra o Brasil em retaliação a uma possível condenação de Jair Bolsonaro, o que de fato ocorreu, resultando em sobretaxação de produtos brasileiros.

Escala 6×1, crime organizado e o caso Vorcaro

Em uma reviravolta, Flávio Bolsonaro, que anteriormente se posicionava contra o fim da escala 6×1 de trabalho, mostrou-se favorável à medida aprovada no Senado. Ele justificou seu voto afirmando ter ouvido trabalhadores e defendendo a liberdade do trabalhador em escolher sua jornada. Sobre o combate ao crime organizado, o candidato prometeu classificar facções como “organizações narcoterroristas”, mas não explicou os desdobramentos práticos dessa medida. Ele também defendeu a flexibilização do acesso a armas, argumentando que “o problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”.

O candidato evitou comentar o apoio a um projeto que retira a marcação de cápsulas de balas, medida que dificultaria investigações. Questionado sobre suas relações com políticos do Rio de Janeiro envolvidos com crime organizado, Flávio se disse “surpreso” e defendeu a “ampla defesa”, mas ressaltou que a Justiça não deve poupar culpados. As relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que supostamente financiou o filme Dark Horse com R$ 60 milhões, foram novamente abordadas. Flávio insistiu que tudo foi esclarecido e que buscou investidores sem saber de irregularidades, mas continuou cobrando dinheiro de Vorcaro mesmo após as suspeitas de fraude no Master.

Economia e acusações sobre queimadas

Na área econômica, Flávio Bolsonaro propôs um corte de mais de R$ 200 bilhões na dívida da União, sugerindo a venda de imóveis públicos abandonados e a arrecadação de “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração da margem equatorial. Contudo, a Petrobras indica que essa exploração só começará após 2033. Ele também prometeu extinguir ao menos dez ministérios, contrariando dados de checagem que indicam um aumento de cargos em comissão durante o governo de seu pai. Flávio acusou o governo atual de ser recordista em queimadas na Amazônia, uma afirmação que dados do INPE desmentem, mostrando números inferiores aos de anos anteriores.

Horas antes da sabatina, Flávio Bolsonaro almoçou com diretores da Rede Globo, encontro confirmado pela emissora, que o recebeu com José Roberto Marinho e Paulo Tonet. O almoço, segundo a Globo, não envolveu a equipe de jornalismo e faz parte da rotina de visitas institucionais. O adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou incômodo com a notícia, visto que não houve um encontro similar antes de sua própria sabatina.