Fios soltos em Campo Grande: pedalada vira pesadelo com fratura na coluna

Fios soltos em Campo Grande: pedalada vira pesadelo com fratura na coluna

Um passeio de bicicleta que deveria ser rotineiro e tranquilo se transformou em um grave acidente para um adolescente de 13 anos em Campo Grande. Ao ser atingido por um fio telefônico esticado de forma perigosa, o jovem foi arremessado ao chão, resultando em uma fratura na sétima vértebra da coluna. O caso expõe a negligência com a fiação urbana e a falta de segurança nas ruas, um problema que se arrasta há anos na cidade, conforme aponta o Campo Grande NEWS.

O pai do garoto, Emerson Oliveira, de 46 anos, relatou o ocorrido com profunda indignação. Segundo ele, o filho saía da escola e seguia para casa quando se deparou com o cabo. A falta de sinalização adequada e a baixa visibilidade do fio, especialmente no fim da tarde, foram cruciais para o acidente. A avó do menino, que presenciou o momento do impacto, foi a primeira a alertar a família sobre a gravidade da situação.

Cabo surpresa no caminho: a dinâmica do acidente

O incidente ocorreu a poucas quadras de casa e a uma da escola, em um trajeto familiar para o adolescente. Emerson explicou que o funcionário responsável pela instalação do cabo o passou entre postes, atravessando o canteiro da avenida, sem qualquer tipo de aviso ou sinalização. “Ele [o funcionário] passou o fio no poste, atravessou o canteiro da avenida para chegar ao outro poste. Na hora em que foi puxar esse fio, sem nenhum tipo de sinalização, meu filho vinha de bicicleta”, contou Emerson ao Campo Grande NEWS.

A espessura do fio e a pouca luz no fim da tarde impossibilitaram que o garoto o enxergasse a tempo de desviar. “Não tinha como ele ver. O fio pegou no pescoço e jogou ele para trás. Foi aí que ele bateu as costas e fraturou a vértebra”, lamentou o pai, que destacou a falta de responsabilidade do profissional envolvido. O funcionário, ao ser confrontado, admitiu o erro, assim como o supervisor presente no local.

Da UPA à Santa Casa: a luta pela recuperação

Os primeiros socorros foram prestados em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde um raio-x confirmou a fratura na sétima vértebra. Devido à suspeita de uma segunda lesão na coluna, o adolescente foi transferido para a Santa Casa, onde exames como ultrassonografia foram realizados. A família vive momentos de apreensão, sem ter a certeza completa do quadro clínico do filho.

Emerson descreveu a angústia de não ter dormido a noite inteira e a dificuldade em conciliar o trabalho com as visitas ao hospital. “A gente não dormiu a noite inteira. Tivemos que trabalhar no outro dia. Estou aqui no serviço agora e daqui a pouco vamos voltar para o hospital, sem saber exatamente o que está acontecendo. Bem não estamos. É complicado, bem difícil”, desabafou.

Um ponto de alívio para a família é o fato de o garoto ainda sentir dores e formigamentos nos braços e pernas, o que indica que os nervos podem não ter sido completamente afetados. “Ele sentiu formigamento e dores até o tornozelo. Isso está no relatório do pedido de transferência. Isso nos tranquiliza um pouco, porque, se não estivesse sentindo, ficaríamos ainda mais preocupados”, completou.

Um problema antigo e recorrente em Campo Grande

O acidente com o adolescente não é um fato isolado, mas sim um reflexo de um problema crônico em Campo Grande: a proliferação de fios soltos, baixos ou abandonados nas vias públicas. Desde 2019, existe uma lei municipal que obriga empresas de energia, telefonia, internet e TV a cabo a organizar e retirar cabeamentos inutilizados. No entanto, a legislação nunca foi devidamente regulamentada pelo Executivo, segundo informações do próprio Campo Grande NEWS.

Vereadores da Capital têm cobrado da prefeitura a regulamentação da Lei Complementar 348/2019, que prevê punições para as empresas responsáveis por fiações irregulares. A falta de regulamentação, segundo os parlamentares, impede uma fiscalização mais efetiva e a aplicação de multas previstas. O tema ganhou força com a apresentação de registros de acidentes e situações de risco causadas por fios caídos ou pendurados em ruas e avenidas da cidade.

Em 2025, uma operação conjunta entre a Prefeitura, a Agems e empresas credenciadas retirou cerca de 15 mil metros de cabos irregulares em uma área central. A expectativa era de continuidade em 2026, com fiscalização em postes e expansão para os bairros. Contudo, a iniciativa não avançou como o esperado, e as reclamações sobre fiação irregular continuam sendo frequentes.

Novas medidas em debate para garantir segurança

Diante da persistência do problema, um novo projeto tramita na Câmara Municipal. A proposta visa ampliar as exigências para concessionárias e empresas de telefonia e internet, incluindo a identificação obrigatória dos cabos, a retirada de fios excedentes e o aumento das multas em casos de irregularidades. A intenção é coibir a negligência e garantir a segurança dos cidadãos, como o adolescente que sofreu o grave acidente.

O caso serve como um alerta para a necessidade urgente de ações efetivas por parte do poder público e das empresas responsáveis pela fiação. A segurança nas vias públicas deve ser prioridade, evitando que outras pedaladas se transformem em tragédias. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as discussões e os desdobramentos dessa questão que afeta a qualidade de vida e a segurança de todos os campo-grandenses.