Fiocruz: Galeria a Céu Aberto celebra 50 anos de humanismo fotográfico de João Roberto Ripper

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) abriu as portas de sua nova Galeria a Céu Aberto, um espaço inovador dedicado à arte e à reflexão, com a inauguração da exposição ‘Humanidades’. A mostra celebra os 50 anos de carreira de um dos mais importantes fotógrafos humanistas do Brasil, João Roberto Ripper, apresentando 20 imagens impactantes que abordam a temática dos direitos humanos e as populações mais vulneráveis.

A exposição, que é gratuita e aberta ao público, está localizada no gramado lateral da Biblioteca de Manguinhos, no campus da Fiocruz. As fotografias de Ripper, que aos 76 anos continua ativo e engajado, perpassam diversos momentos de sua rica trajetória, sempre com um olhar sensível e profundo sobre as realidades sociais.

A iniciativa, conforme divulgada pela Fiocruz, não apenas homenageia o trabalho de Ripper, mas também visa criar um local permanente para a discussão de pautas humanitárias. O fotógrafo expressou sua satisfação com a nova galeria, destacando seu potencial para multiplicar o alcance dessas mensagens.

Um Espaço para o Diálogo e a Multiplicação de Ideias

João Roberto Ripper ressaltou a importância da Galeria a Céu Aberto como um palco para a disseminação de trabalhos fotográficos com relevância social. “Abre espaço também para que outros fotógrafos usem esse espaço. É importante criar espaços onde esses trabalhos possam se multiplicar”, afirmou Ripper. Ele também mencionou que a Fiocruz disponibilizará esse material para organizações de direitos humanos, ampliando ainda mais o impacto da iniciativa.

O curador da exposição, Dante Gastaldoni, explicou a escolha das 20 fotografias. Ele buscou oferecer um mergulho na obra de Ripper, com um recorte especial focado no “bem-querer”, na relação de afeto entre o fotógrafo e seus fotografados. “É uma fotografia fruto da relação de afeto entre fotógrafo e fotografados. A gente se apegou ao afeto que transborda da obra do Ripper. É uma ode ao amor, ao afeto, à solidariedade expressa em fotografias”, declarou Gastaldoni.

A Inspiração por Trás da Galeria

A ideia para a criação da Galeria a Céu Aberto surgiu em 2018, durante uma viagem a Montevidéu, no Uruguai. Rodrigo Murtinho, pesquisador em saúde pública e um dos coordenadores do novo espaço, se inspirou ao ver uma exposição de fotos sobre refugiados em uma galeria a céu aberto no Parque Rodó. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a concepção do projeto alinha-se à visão ampliada de saúde promovida pela Fiocruz.

Murtinho destacou que a escolha de João Roberto Ripper para inaugurar a galeria foi natural e emblemática. “Não tinha ninguém melhor do que o próprio Ripper para inaugurar essa galeria. São mais de 50 anos dedicados aos direitos humanos de forma ampla”, disse. Ele complementou explicando que na Fiocruz o conceito de saúde é expandido, conectando-se diretamente com a cidadania e os direitos humanos.

O Legado de João Roberto Ripper na Fiocruz

As fotografias expostas fazem parte do valioso Acervo João Roberto Ripper, mantido pelo projeto Fiocruz Imagens. Esta iniciativa, alinhada às políticas de Acesso Aberto da fundação, tem como objetivo a conservação e a divulgação do extenso trabalho do renomado fotodocumentarista. O acervo já reúne mais de 180 mil fotogramas em película, que estão em processo de digitalização e catalogação, conforme o Campo Grande NEWS apurou.

A Galeria a Céu Aberto representa um marco importante para a Fiocruz e para a cidade, oferecendo um espaço democrático e acessível para a arte e a reflexão sobre temas cruciais para a sociedade. A exposição de João Roberto Ripper é um convite para que todos se conectem com as histórias e os rostos que moldam nossa humanidade, promovendo a empatia e o compromisso com um futuro mais justo. O Campo Grande NEWS reforça a relevância de iniciativas como essa para a valorização da cultura e dos direitos humanos.