Filha de chefe da regulação estadual presa em operação do Gaeco é dona de plano de saúde em Campo Grande

Gaeco desarticula esquema milionário envolvendo regulação estadual e plano de saúde em Campo Grande

A empresária Jéssyca Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, chefe de regulação estadual, foi presa preventivamente na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Jéssyca é sócia da Capital Saúde, um plano de saúde com sede em Campo Grande. A operação investiga um esquema que transformava a regulação estadual em um verdadeiro “balcão de negócios”, utilizando a liberação de exames e internações como forma de pressão para que gestores públicos adquirissem materiais impressos de empresas ligadas ao grupo criminoso. O esquema teria desviado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Conforme informações divulgadas, o Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão para desmantelar a organização criminosa.

A operação, nomeada em referência a Johannes Gutenberg, pioneiro da imprensa, ironicamente investiga o uso de livros e materiais impressos como ferramenta para dar aparência de legalidade a crimes que incluem fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos. O grupo criminoso atuava em Campo Grande e se estendia por outras cidades do estado. A investigação aponta que a liberação de procedimentos médicos era condicionada à compra de materiais impressos, caracterizando uma prática ilegal e prejudicial ao erário público.

Entre os presos estão também a dentista Rossana Paroschi Jafar, sócia de diversas gráficas, e sua filha, Olívia Paroschi Jafar, sócia da Clínica Ross. O advogado Mário Afonso Teixeira confirmou à reportagem que Ed Carlo Britto Burgatt e sua filha Jéssyca estão presos preventivamente. Ele também informou que se dirigiu à 2ª Delegacia de Polícia para conversar com Jéssyca e obter mais detalhes sobre o caso. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou contato com uma das sócias da clínica, que encerrou a ligação após se identificar como parte da equipe de jornalismo.

Filha de chefe da regulação é sócia de plano de saúde em Campo Grande

Jéssyca Burgatt, filha do chefe de regulação estadual, Ed Carlo Britto Burgatt, também detido na Operação Gutenberg, figura como sócia da Capital Saúde, plano de saúde localizado na Rua 13 de Maio, em Campo Grande. A descoberta reforça a amplitude do esquema investigado pelo Gaeco, que utilizava a estrutura de regulação estadual para benefícios próprios.

A Capital Saúde, com CNPJ 44.498.668/0001-86, está no centro das atenções após a prisão de sua sócia, Jéssyca Burgatt. O envolvimento de familiares de gestores públicos em negócios que se beneficiam de operações estatais levanta sérias questões sobre a integridade dos processos de regulação e fiscalização.

A operação Gutenberg, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, mira em uma rede complexa de corrupção. O modus operandi envolvia a manipulação da liberação de procedimentos médicos, como exames e internações, servindo como moeda de troca para forçar gestores públicos a adquirir materiais impressos de empresas ligadas aos investigados.

Esquema milionário utilizava regulação como ‘balcão de negócios’

O esquema investigado pelo Gaeco transformou a Central Estadual de Regulação em um verdadeiro “balcão de negócios”. A liberação de exames e internações era utilizada como ferramenta para coagir gestores públicos a efetuarem a compra de materiais impressos de empresas do grupo.

O valor total desviado pelo esquema criminoso ultrapassa os R$ 27 milhões em recursos públicos. Essa prática abusiva impactava diretamente o acesso da população a serviços de saúde essenciais, enquanto os envolvidos lucravam ilicitamente.

A Operação Gutenberg, que resultou na prisão de 16 pessoas, visa combater uma organização criminosa especializada em fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados. A atuação do grupo não se limitava a Campo Grande, estendendo-se a outros municípios do estado.

Outros envolvidos e o significado do nome da operação

Entre os 16 detidos estão a dentista Rossana Paroschi Jafar, que figura como sócia em três gráficas: Gráfica Jafar Ltda. (CNPJ 01.828.546/0001-06), Fox Gráfica Ltda. (CNPJ 06.135.913/0001-00) e Gráfica e Editora Alvorada Ltda. (CNPJ 03.226.131/0001-80). Sua filha, Olívia Paroschi Jafar, sócia da Clínica Ross, também foi presa.

O ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, também foi um dos alvos da ação, conforme noticiado anteriormente pelo Campo Grande NEWS. A operação demonstra a abrangência do esquema e o envolvimento de figuras públicas e empresariais.

O nome da operação, “Gutenberg”, faz alusão a Johannes Gutenberg, inventor da prensa moderna, que revolucionou a disseminação do conhecimento. No contexto da operação, os materiais impressos, como livros, tornaram-se o instrumento central para a prática criminosa, mascarando o desvio de verbas públicas e a corrupção.

A Operação Gutenberg é um marco no combate à corrupção em Mato Grosso do Sul, expondo a complexidade e os mecanismos utilizados por organizações criminosas para desviar recursos públicos e comprometer a eficiência de serviços essenciais como a saúde. As investigações continuam, e novas informações podem surgir à medida que o caso avança.