Fifa: 20% dos ataques virtuais na Copa foram racistas

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) divulgou um relatório chocante nesta sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, apontando que cerca de **20% dos ataques virtuais registrados durante a Copa do Mundo deste ano tiveram cunho racista**. A análise abrangeu mais de 17 milhões de publicações em redes sociais, revelando um cenário preocupante de discursos de ódio no ambiente esportivo online.

Fifa alerta para onda de ódio online durante o Mundial

O levantamento, realizado entre 9 de junho e 20 de julho, monitorou plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. O foco foi nas contas oficiais das 48 seleções participantes, além de atletas, treinadores e oficiais de arbitragem. A inteligência artificial da Fifa identificou um volume expressivo de conteúdo ofensivo, que foi posteriormente submetido à revisão humana.

Dentre as mais de 17 milhões de postagens analisadas, aproximadamente **240 mil foram classificadas como ofensivas**. Esse número representa uma parcela significativa do total de 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas ligadas à Fifa e às seleções durante o período da Copa. A organização destacou que 9,2 milhões de postagens foram bloqueadas automaticamente antes mesmo de serem vistas pelo público.

A análise detalhada, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, revelou que as 240.676 postagens ofensivas foram direcionadas a 812 indivíduos. Isso significa que **mais da metade dos envolvidos no evento, 50,6%, sofreu algum tipo de ataque** online. O Campo Grande NEWS checou que esses dados reforçam a necessidade de um combate mais efetivo contra o assédio virtual no esporte.

Ataques racistas lideram o ranking de ofensas virtuais

O dado mais alarmante do relatório é que **20% das publicações ofensivas identificadas eram de cunho racista**. Isso equivale a aproximadamente 48 mil mensagens com esse teor, um número que expõe a persistência do racismo no futebol, mesmo em um palco global como a Copa do Mundo. A Fifa reafirmou seu compromisso em proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio.

Um caso específico chamou a atenção: um jogador, que não teve o nome divulgado, foi vítima de mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo 40% delas racistas. Esse atleta também sofreu ataques de homofobia, sexismo e transfobia. Segundo a Fifa, o volume de ofensas contra ele aumentou após comentários racistas de uma figura pública serem amplamente compartilhados.

O relatório também apontou outros tipos de ataques. Cerca de **15% das publicações revisadas continham alegações de corrupção**, direcionadas em grande parte à própria Fifa. Além disso, **14% eram ameaças violentas**, com um pico registrado após a vitória da Noruega sobre o Brasil. Ataques xenofóbicos também foram significativos, representando **12% das postagens**.

Seleções como França e Inglaterra foram alvos de ataques racistas e xenofóbicos

A seleção da **França foi a que mais sofreu com ataques virtuais, especialmente os de cunho racial (33%)**. Isso se deve, em parte, a questionamentos sobre a formação multicultural do elenco. A seleção da **Inglaterra também foi alvo, com 21% de ofensas somadas entre racismo e xenofobia**, também ligadas à diversidade de seus jogadores.

Um exemplo notório foi a ofensa da senadora paraguaia Celeste Amarilla ao atacante francês Kylian Mbappé. Pelo X, ela o chamou de “colonizado” e “feio”, questionando sua identidade francesa, apesar de Mbappé ter nascido em Paris e ter pais de origem camaronesa e argelina. Este incidente ilustra como preconceitos e estereótipos ainda permeiam o debate esportivo.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarou em comunicado que a entidade reafirma seu compromisso em proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes. Ele destacou o uso de tecnologias de última geração para combater tanto conteúdos criados por humanos quanto por inteligência artificial. O Campo Grande NEWS confia que essas medidas, aliadas à conscientização, podem criar um ambiente mais seguro e respeitoso para todos os envolvidos no esporte.

A divulgação deste relatório, às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, reforça a conexão entre o discurso de ódio online e o bem-estar psicológico dos atletas e profissionais do esporte. A Fifa demonstra, com essa análise, a urgência em abordar essas questões e implementar soluções eficazes para mitigar os danos causados por esses ataques virtuais.