Pacientes diagnosticados com fibromialgia em Campo Grande enfrentam um cenário frustrante: benefícios garantidos por lei parecem ficar apenas no papel devido à instabilidade de um sistema digital. A plataforma, criada pela prefeitura para a emissão e renovação da Carteira de Identificação da Pessoa com Condição Permanente, tem apresentado falhas desde o ano passado, impedindo o acesso a direitos essenciais.
A situação afeta um número considerável de pessoas que convivem com a doença crônica. Conforme relatos compartilhados em um grupo online de portadores de fibromialgia, a dificuldade em acessar o sistema é um problema comum. A falta de acesso à carteirinha, que comprova a condição de saúde, impede que os pacientes usufruam de direitos previstos na legislação municipal, como atendimento prioritário e vagas reservadas.
Segundo as denúncias, o principal obstáculo reside no processo de recuperação de senha. Ao tentar redefinir o acesso, o sistema informa que um e-mail com as instruções foi enviado, mas a mensagem nunca chega à caixa de entrada do usuário. Essa falha técnica impede o login e, consequentemente, a renovação ou emissão da carteira de identificação.
Problemas crônicos no sistema digital
A dificuldade em acessar o sistema digital da prefeitura de Campo Grande tem gerado grande preocupação entre os pacientes com fibromialgia. A carteirinha de identificação é o documento fundamental para comprovar a condição de saúde e garantir o acesso a uma série de direitos assegurados pela legislação municipal. Sem ela, a lei que reconhece a fibromialgia como uma condição permanente no município torna-se inoperante para muitos.
“Nós precisamos da funcionalidade dessa lei porque ela garante acesso mais rápido a alguns atendimentos e também ao cartão para utilização de vagas destinadas a pessoas com deficiência, entre outros benefícios. Mas, para isso, precisamos da carteirinha”, explicou uma das pacientes. A situação se agravou após a transição para uma nova plataforma, já que o sistema anterior permitia o cadastro dos usuários sem tantos transtornos.
Os pacientes afirmam já ter buscado auxílio junto ao vereador responsável pela proposição da lei que ampara pessoas com fibromialgia. No entanto, até o momento, nenhuma solução efetiva foi apresentada, e o problema persiste, deixando os portadores da doença em uma situação de vulnerabilidade e descaso.
Prefeitura alega instabilidades pontuais
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande informou, por meio de nota, que o portal “permanece ativo”. A orientação para quem encontra dificuldades de acesso é procurar a unidade de saúde de referência para receber orientações e, se necessário, realizar a atualização cadastral. A prefeitura minimizou os problemas, alegando que “situações pontuais podem ocorrer em razão de instabilidades momentâneas, problemas de conexão ou outras questões técnicas, sem registro de indisponibilidade geral da plataforma”.
Apesar de a reportagem ter realizado diversos testes sem sucesso no sistema, a prefeitura reiterou que a plataforma não está indisponível. Caso a dificuldade persista, os usuários são orientados a acionar a Ouvidoria da Sesau pelo telefone 0800 314 9955, pelo e-mail ouvidoria@sesau.campogrande.ms.gov.br ou presencialmente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de acesso ao sistema tem sido recorrente para muitos pacientes.
Benefícios da fibromialgia em xeque
A fibromialgia é uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas. O reconhecimento como condição permanente pela legislação municipal de Campo Grande visa proporcionar aos pacientes um tratamento mais humanizado e o acesso facilitado a serviços essenciais. A carteirinha de identificação é o elo entre a lei e a prática, sendo o principal instrumento para garantir esses direitos.
A dificuldade em obter ou renovar este documento coloca em risco a efetividade das políticas públicas voltadas para pessoas com fibromialgia. A inacessibilidade ao sistema digital, que deveria ser um facilitador, tornou-se um obstáculo intransponível para muitos, gerando frustração e desigualdade no acesso a direitos básicos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação afeta a rotina e o bem-estar de diversos moradores da cidade.
A falta de uma solução rápida e eficaz por parte dos órgãos responsáveis demonstra uma lacuna na atenção às necessidades específicas dos portadores de fibromialgia. A promessa de benefícios por lei se esvai quando a ferramenta para acessá-los é falha e inacessível. A reportagem do Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e buscando respostas concretas para os pacientes afetados.

