Uma técnica de enfermagem de 44 anos, portadora de fibromialgia e artrite enteropática, relatou ter enfrentado uma espera de quase quatro horas para ser atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, em Campo Grande, na madrugada desta quinta-feira (5). A paciente, que sentia dores intensas, foi classificada com risco verde na triagem, indicando um quadro sem urgência imediata, apesar de suas queixas e do agravamento do seu estado durante a espera.
Fibromialgia: espera por atendimento gera revolta
A situação expõe as dificuldades enfrentadas por pacientes com doenças crônicas em unidades de pronto atendimento. A técnica de enfermagem procurou a UPA Universitário devido a fortes dores decorrentes da fibromialgia e artrite enteropática, além de apresentar herpes, uma condição associada ao tratamento de suas doenças autoimunes. Contudo, ao ser triada, recebeu a classificação verde, que prioriza casos menos graves.
“Estou no posto do Universitário com dores de artrite e fibromialgia. Me classificaram como verde. Mesmo depois de várias reclamações de dor, fiquei mais de três horas esperando”, desabafou a paciente, que teve seu relato enviado ao canal Direto das Ruas. A espera prolongada, segundo ela, intensificou seu sofrimento.
Pedido de reavaliação ignorado
A paciente relatou ter solicitado uma reavaliação da triagem ao perceber uma piora em seu quadro, mas, segundo ela, o pedido não foi atendido. “Os pacientes chegavam depois e eram atendidos. Pedi para reavaliar por causa da dor forte, falei com o serviço social, mas não mudaram a classificação”, contou. Essa falta de atenção, conforme o relato, contribuiu para o agravamento de suas dores.
A permanência sentada e os levantes frequentes durante a madrugada agravaram o quadro de dor intensa. “No final tive que tomar medicação na veia, porque já não conseguia levantar de tanta dor”, afirmou. Ela recebeu um coquetel intravenoso com anti-inflamatório, analgésico e corticoide.
Nova lei reconhece fibromialgia como deficiência
O caso ganha ainda mais relevância diante da recente legislação que impacta pacientes com fibromialgia. Desde janeiro deste ano, a Lei nº 15.176/2025 permite que a fibromialgia seja reconhecida como deficiência no Brasil. Essa nova lei busca garantir direitos adicionais, como prioridade em atendimentos de saúde, mediante uma avaliação biopsicossocial que comprove o impacto funcional da doença na vida do indivíduo.
A legislação visa oferecer maior proteção a pessoas que convivem com dor crônica e fadiga intensa, sintomas característicos da fibromialgia. O reconhecimento como deficiência pode assegurar direitos importantes, dependendo da avaliação médica e multiprofissional.
Sesau é procurada para esclarecimentos
O Campo Grande News buscou contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para obter um posicionamento sobre o caso e esclarecer os critérios de classificação de risco utilizados nas UPAs. Até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno por parte da secretaria, mas o espaço permanece aberto para manifestação, conforme o Campo Grande NEWS checou em suas apurações. A falta de resposta da Sesau levanta questões sobre a transparência e a gestão dos atendimentos de urgência na cidade.
A situação vivida pela paciente destaca a importância de uma triagem mais criteriosa e de agilidade no atendimento, especialmente para portadores de doenças crônicas e com dor intensa. A prioridade no atendimento, garantida pela nova lei para casos de fibromialgia, precisa ser efetivamente aplicada para que pacientes como ela não sofram com longas esperas e agravamento de seus quadros de saúde, como aponta o Campo Grande NEWS.
O episódio serve como um alerta para a necessidade de melhorias nos fluxos de atendimento em unidades de pronto atendimento, garantindo que a classificação de risco seja justa e que os pacientes recebam o cuidado necessário em tempo hábil. A comunidade espera por respostas e ações que visem aprimorar a qualidade do atendimento em saúde na região, conforme relatado pelo Campo Grande NEWS.

