Fiação caída em Campo Grande: comerciantes improvisam e Agems prepara nova fase do “Limpa Fios”

Fios caídos e emaranhados em postes se tornaram um perigo constante nas ruas de Campo Grande. No cruzamento das ruas Dom Aquino e Arthur Jorge, um cabo amarelo solto, provavelmente de internet, chamou a atenção por estar pendurado perigosamente baixo, quase na altura da placa de sinalização. Essa situação, que já causou transtornos com veículos enroscando na fiação, levou comerciantes locais a improvisarem, enrolando o cabo para tentar minimizar os riscos, mas sem cortá-lo por receio de choques elétricos. A Energisa, concessionária de energia, afirma que a responsabilidade pela manutenção é das empresas de telecomunicações e que enviará uma equipe ao local.

Fiação solta em Campo Grande: um problema recorrente

A situação no cruzamento das ruas Dom Aquino e Arthur Jorge é apenas um reflexo de um problema histórico em Campo Grande e em diversas cidades do país: a proliferação de fios soltos, inativos ou clandestinos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o emaranhado de cabos não só prejudica a paisagem urbana, mas representa um sério risco à segurança pública, especialmente para motociclistas, ciclistas e entregadores que circulam diariamente pelas vias.

A Energisa, em nota, esclareceu que os postes de energia elétrica são compartilhados por empresas de telefonia, internet e TV a cabo, e que a responsabilidade pela instalação e manutenção dessas redes é de cada operadora. A concessionária ressaltou que realiza fiscalizações constantes e notifica as empresas quando identifica fiações fora dos padrões técnicos e de segurança. Diante do caso específico no cruzamento das ruas Dom Aquino e Arthur Jorge, a Energisa informou que enviará uma equipe técnica para avaliar a estrutura, eliminar o risco imediato e notificar a empresa proprietária do cabo, conforme relatado pelo Campo Grande NEWS.

Projeto “Limpa Fios” ganha força e prepara segunda fase

Para combater esse problema de forma eficaz, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) implementou o projeto piloto “Limpa Fios”. A iniciativa, em parceria com a Prefeitura de Campo Grande e a Energisa, já obteve resultados expressivos na região central da capital. Segundo o diretor-presidente da Agems, Carlos Alberto de Assis, a primeira fase do projeto, focada no Centro, resultou na remoção de impressionantes 45 mil metros de fios.

“Nós suprimimos 45 mil metros de fios no Centro e ninguém reclamou. Isso demonstra claramente que eram fiações sem uso, clandestinas ou abandonadas. Tinha de tudo: fiação clandestina de internet e até fios esquecidos da antiga Telems”, explicou Carlos Alberto de Assis. Essa ação, que recolheu fios inativos e irregulares, demonstrou a necessidade e a aceitação da medida pela população.

Retomada e expansão do “Limpa Fios” em novembro

Após a conclusão da fase inicial no Centro, as instituições envolvidas realizaram reuniões de avaliação para identificar os acertos e planejar os próximos passos. Carlos Assis confirmou que a operação será retomada em novembro, expandindo o alcance do projeto para os bairros de Campo Grande e também para outras cidades do interior do estado. A meta é não apenas melhorar a estética urbana, mas, principalmente, garantir a segurança pública.

“É uma necessidade real. Esses cabos soltos causam acidentes graves e até mortes, representando um perigo constante, principalmente para motociclistas, motoentregadores e ciclistas”, alertou o diretor-presidente da Agems. O projeto conta com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), das Guardas Municipais e das prefeituras para garantir o recolhimento do material e a fiscalização contra redes clandestinas, como informado pelo Campo Grande NEWS.

Cobrança à Anatel e modelo para o Brasil

O presidente da Agems também aproveitou para cobrar uma postura mais ativa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na fiscalização de cabos inativos mantidos pelas operadoras. Ele revelou que a Agems já questionou o órgão federal por três vezes, sem obter resposta. Em contrapartida, a parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem sido positiva, com a Aneel acompanhando os resultados do projeto de Mato Grosso do Sul para utilizá-lo como modelo em todo o Brasil.

A coordenação e o mapeamento dos pontos críticos do projeto na Agems estão sob a responsabilidade da Diretoria de Gás Canalizado, Energia e Mineração. A iniciativa, que começou com uma sugestão de leitor enviada pelo canal Direto das Ruas, demonstra a importância da participação cidadã na identificação e solução de problemas urbanos. A expectativa é que a segunda fase do “Limpa Fios” traga mais segurança e organização para as ruas de Campo Grande e do interior do estado.