O Festival do Dia da África chega à sua terceira edição neste domingo, 24 de maio, no Quilombo Urbano Mineiro Pau, localizado em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Com o tema “Da África ao Quilombo Urbano: Africanidades Vivas e Caminhos de Esperança”, o evento promete uma celebração rica em cultura, educação e reflexão sobre a herança afrobrasileira. A organização, a cargo da Obra Social Filhos da Razão e Justiça (OSFRJ), visa comemorar o Dia Mundial da África, que celebra a fundação da Organização da Unidade Africana em 1963, precursora da atual União Africana.
A celebração, conforme divulgado, tem como um de seus pilares a promoção da cultura antirracista e afrocentrada. A produtora cultural da OSFRJ, Júlia Madeira, ressalta que a atuação da entidade em Mineiro Pau, uma comunidade periférica do Rio, é focada em oferecer educação e cultura, especialmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “A gente acredita que, para construir um futuro positivo, é preciso valorizar as nossas raízes e a nossa identidade”, afirma Madeira. O festival se propõe a ser uma vitrine das atividades diárias da OSFRJ, que há quase uma década trabalha para fortalecer a identidade negra entre os jovens atendidos.
Júlia Madeira relata que muitas crianças e adolescentes atendidos pela entidade, que somam 90, inicialmente tinham dificuldade em reconhecer sua identidade negra, referindo-se a si mesmos como “escurinhos” ou até mesmo se identificando como brancos. O festival, portanto, é uma oportunidade para que eles e toda a comunidade mergulhem na riqueza da herança africana e afrobrasileira. “É motivo de a gente se orgulhar e, através disso, conseguir construir um futuro melhor para a nossa comunidade”, declara Madeira, destacando o impacto positivo do projeto de teatro “Recontando Minha História Preta” nesse processo de autoaceitação e orgulho.
Roda de conversa e personagens históricos enaltecem a herança africana
O evento contará com uma importante roda de conversa com a participação do babalorixá Ivanir dos Santos e das professoras Mariana Gino e Lavini Castro. O debate abordará a relevância do Dia da África e a importância das celebrações e reflexões sobre a herança africana na construção do Brasil. Essa discussão, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, visa aprofundar o entendimento sobre como as raízes africanas moldaram a identidade nacional.
Uma das atrações mais marcantes será a apresentação do projeto de teatro “Recontando Minha História Preta”, encenado pelas crianças e adolescentes atendidos pela OSFRJ. A peça dará vida a personagens negros fundamentais na história do Brasil, mas frequentemente esquecidos pelos livros didáticos. Entre eles, estarão Dandara dos Palmares, Maria Felipa, Luiz Gama e Marielle Franco, figuras que representam a luta, a resistência e a contribuição negra para o país. A iniciativa, como destacado pela produtora cultural, busca preencher lacunas históricas e inspirar a nova geração. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a curadoria dessas personagens busca abranger diferentes períodos e tipos de contribuição.
Cultura, dança e solidariedade marcam o festival
Além das rodas de conversa e teatro, o festival oferecerá uma animada roda de samba e a apresentação do grupo de dança Mineiro Pau, que dá nome à comunidade e tem raízes afrobrasileiras. O evento é aberto a todos que desejam participar, promovendo um ambiente de partilha, troca e fortalecimento das relações interpessoais. “A gente sabe que vive em um país estruturalmente racista, mas é através do diálogo, da conexão e da troca que a gente vai conseguir construir uma realidade mais positiva para essa nova geração que vem por aí”, pontua Júlia Madeira.
A entrada para o festival é um quilo de alimento não perecível, que será revertido em refeições para as 90 crianças e jovens atendidos pela OSFRJ nas atividades educacionais e culturais que acontecem de segunda a sábado. As doações também serão transformadas em cestas básicas distribuídas mensalmente a famílias em situação de vulnerabilidade. Essa ação solidária, como bem noticiado pelo Campo Grande NEWS, reforça o compromisso da organização com o bem-estar da comunidade. O evento também contará com o tradicional Café de Terreiro, almoço ancestral comunitário e oficinas culturais, incluindo pintura afro, grafite, turbantes e tranças, além de apresentações de grupos ligados às tradições afro-brasileiras e populares.
A Obra Social Filhos da Razão e Justiça é reconhecida como Ponto de Cultura e Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e pela prefeitura do Rio de Janeiro, além de integrar o Comitê Executivo do Sítio Patrimônio Mundial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), atestando sua relevância e autoridade na preservação cultural e histórica. A programação completa está disponível na página oficial do evento.


