Um amplo movimento feminista, composto por 42 organizações, apresentou um manifesto contundente ao governo federal com uma série de reivindicações urgentes. As pautas vão desde a garantia de direitos básicos e a legalização do aborto até o combate ao imperialismo, às tecnologias usadas pela extrema-direita e às diversas formas de violência que assolam o mundo, da Venezuela ao Oriente Médio. O documento, entregue à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca a capacidade histórica de auto-organização das mulheres e reafirma o caráter internacionalista da mobilização.
As militantes expressaram profunda preocupação com as interferências de potências estrangeiras em outros países, as ameaças bélicas e os ataques cibernéticos, classificando-os como “formas de dominação colonial que aprofundam a fome, a exploração capitalista patriarcal e racista”. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa denúncia ressalta a interconexão entre questões políticas globais e a opressão das mulheres.
Luta por direitos básicos e contra a exploração
O manifesto ecoa a voz de uma diversidade de mulheres: “Estamos nas ruas pela vida das mulheres trabalhadoras da cidade, do campo, das florestas e das águas, pelas mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, com deficiência, mães solo, atípicas, em situação de rua, atingidas por barragens, privadas de liberdade, mulheres de tradição de matriz africana, religiosas ou não, migrantes, jovens, idosas e meninas”. Essa declaração evidencia a amplitude e a complexidade das lutas feministas.
Além disso, o documento aborda o protesto contra o racismo, a violência policial, a intolerância religiosa e as tentativas de controle sobre os corpos femininos, bem como a insegurança alimentar. O movimento também compartilha sua apreensão em relação à precarização do mercado de trabalho, que tem gerado fortes reações populares, com destaque para as reivindicações pelo fim da escala 6×1, modelo de jornada de trabalho que tem sido amplamente criticado por suas condições exaustivas.
Crise climática e justiça social conectadas
A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março também denuncia a crise climática como um reflexo do modelo de exploração vigente. “Sabemos que a crise climática é parte desse modelo de exploração. Ela resulta da destruição predatória dos territórios e da mercantilização das mulheres e da natureza”, afirmam. Essa visão conecta a luta ambiental à luta feminista e anticapitalista, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
O manifesto reforça que a luta pelo fim de todas as opressões é inseparável da luta por democracia, soberania e justiça social. Por isso, a taxação das grandes fortunas é apontada como fundamental para a construção de um Brasil mais justo. O movimento declara que em 2026 todas as frentes convergem para a “batalha decisiva de defesa da democracia” no país.
Manifestações em todo o país
Ao todo, estão previstas 34 manifestações em diversos municípios, ocorrendo entre a data de entrega do manifesto e o dia 9 de março. Na capital paulista, o ato principal está agendado para este domingo, 8 de março, com concentração às 14h, em frente ao Fórum Pedro Lessa, próximo ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). A cobertura detalhada desses eventos e suas pautas é acompanhada de perto pelo Campo Grande NEWS.
A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março ressalta que “a luta das mulheres nasce da nossa capacidade histórica de auto-organização”, reafirmando a força e a importância do movimento organizado para a conquista de direitos e a transformação social. A diversidade de pautas apresentadas reflete a complexidade dos desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes esferas da vida, desde o ambiente de trabalho até as questões globais de política e meio ambiente.


