Favelas de Campo Grande ganham CEP para sair da invisibilidade e ter direitos

A luta para tirar as favelas de Campo Grande da invisibilidade ganhou um novo capítulo. Na última terça-feira (31), o vereador Landmark Rios (PT) esteve em reunião com representantes do Ministério das Cidades, IBGE, movimentos sociais e lideranças comunitárias para discutir a inclusão dessas áreas no programa federal ‘CEP para Todos’. O objetivo é garantir que essas comunidades sejam reconhecidas e tenham acesso facilitado a serviços essenciais, saindo do esquecimento e conquistando dignidade.

Campo Grande avança com 27 favelas já mapeadas e com CEP

O encontro, realizado no escritório da deputada federal Camila Jara (PT), na região central de Campo Grande, foi um passo importante para dar visibilidade a uma realidade que afeta milhares de famílias. Landmark Rios entregou um ofício formal solicitando a inclusão das favelas no processo de endereçamento oficial e a ampliação do reconhecimento dessas áreas nas políticas públicas nacionais. A ausência de um CEP, como destacou o vereador, gera impactos diretos e severos, dificultando o acesso à saúde, educação, programas sociais e o reconhecimento formal dessas comunidades.

Essa iniciativa tem como base o trabalho que o mandato do vereador vem desenvolvendo desde a Audiência das Favelas, realizada em novembro de 2025. Na ocasião, moradores, entidades e o poder público se reuniram para debater a regularização e as condições de vida nessas áreas. Landmark reforçou que o principal desafio ainda é a **invisibilidade** dessas regiões. “A favela em Campo Grande está escondida. Ela não está nas avenidas, não está no caminho de quem toma decisão. E sem visibilidade, não chega política pública. Nós precisamos colocar essas comunidades no radar nacional”, afirmou o parlamentar, enfatizando que a inclusão no programa é um passo fundamental para garantir direitos básicos e avançar na pauta da habitação e da dignidade.

O programa ‘CEP para Todos’ e seus impactos diretos

Durante a reunião, Luana Alves de Melo, coordenadora-Geral de Articulação e Planejamento na Secretaria Nacional de Periferias (SNP) e responsável pelo programa, informou que Campo Grande já deu passos significativos nesse sentido. **27 favelas e comunidades urbanas da Capital já possuem CEP gerado**, dentro da estratégia nacional do programa. Entre elas, foram citadas a Comunidade Esperança (CEP 79075-300), Samambaia (CEP 79073-349), Só por Deus (CEP 79073-731), Homex (CEP 79072-640), Morada dos Anjos (CEP 79045-397), Pequim (CEP 79045-396), Roda Velha (CEP 79108-559), Jardim Botânico II (CEP 79070-199), Jardim Campão Alto/Sidéticas (CEP 79045-399), Alvorada (CEP 79062-349), Portal da Lagoa (CEP 79117-759), Nova Capital (CEP 79064-399) e Cidade dos Anjos (CEP 79075-850), além de outras comunidades já mapeadas.

Luana explicou que, embora seja um avanço inicial, o **CEP é uma porta de entrada crucial**. Ele permite o acesso a serviços, direitos e ao reconhecimento dessas famílias, e isso pode acontecer mesmo antes da regularização fundiária. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa iniciativa representa um marco na busca por equidade e inclusão social, demonstrando a importância do trabalho conjunto entre o poder público e as comunidades para a efetivação de direitos básicos.

‘CEP abre portas para a dignidade’, dizem lideranças comunitárias

Para as lideranças comunitárias presentes, o impacto do CEP vai muito além de um simples endereço. Emília Diniz, representante da Agrovila Campão Orgânico, destacou que o reconhecimento muda completamente a relação das famílias com o poder público. “O CEP abre portas para tudo: saúde, educação, atendimento. Hoje a gente vive na incerteza. Se sobra vaga, somos atendidos. Com o CEP, a gente passa a ser referência. É o começo de uma nova vida”, afirmou com entusiasmo.

Claudineia da Costa, da Comunidade Esperança, ressaltou os impactos práticos no dia a dia das famílias. “Vai facilitar nossa vida. Para receber uma encomenda, conseguir emprego, ter um comprovante de endereço. Hoje a gente não tem isso. Com o CEP, muda tudo”, disse, evidenciando a transformação que um simples código postal pode trazer para a vida das pessoas. A obtenção do CEP é vista como um passo fundamental para que essas comunidades deixem de ser invisíveis aos olhos do Estado e da sociedade.

Governo Federal amplia ações e investimentos nas periferias

Durante a reunião, Luana detalhou as diversas ações do governo federal voltadas às periferias e favelas, com destaque para o programa **Periferia Viva**. Este programa reúne investimentos em urbanização, habitação, infraestrutura e regularização fundiária, buscando um desenvolvimento mais integrado e justo. O governo federal também atua com regularização fundiária e titulação de moradias, melhorias habitacionais para casas em situação precária, investimentos em urbanização de favelas, programas integrados com mais de 17 ministérios e a ampliação do acesso a serviços públicos nas periferias.

Em Campo Grande, já há um investimento superior a R$ 30 milhões em urbanização no Jardim Samambaia, além de novos recursos para regularização fundiária no estado. Outro ponto destacado foi a parceria com os Correios para garantir o CEP às comunidades. “Hoje, todas as favelas mapeadas no Brasil já têm pelo menos um CEP. E nosso objetivo agora é avançar para CEP por rua e ampliar o atendimento com entrega direta nas casas”, explicou Luana. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, essa expansão visa garantir que a logística e o acesso a bens e serviços sejam cada vez mais eficientes para os moradores dessas áreas.

A luta contínua contra a invisibilidade e pela dignidade

Para Landmark, a reunião representou mais um passo crucial na construção de políticas públicas que verdadeiramente atendam às necessidades das comunidades de Campo Grande. O vereador reafirmou o compromisso do seu mandato em continuar atuando para garantir visibilidade, reconhecimento e acesso pleno a direitos para todos os cidadãos. “Não dá para falar em política pública sem saber quem são e onde estão essas famílias. Dar CEP é dar existência. É o primeiro passo para garantir dignidade”, concluiu o vereador, reforçando a importância da ação conjunta e da perseverança na busca por um futuro mais justo e inclusivo para todos os moradores de Campo Grande. A iniciativa do Campo Grande NEWS em cobrir e dar visibilidade a essas pautas reforça o papel da imprensa na promoção da cidadania e no combate à exclusão social.