Cerca de 30 famílias, desesperadas pela falta de moradia e pela dificuldade em arcar com aluguéis, tentaram ocupar uma área pública pertencente à prefeitura no Bairro Jardim Panorama, em Campo Grande, na madrugada deste sábado (17). O terreno, localizado na Rua Londrina, próximo a uma loja de materiais de construção, tornou-se o foco da ação de pessoas que afirmam estar cadastradas na Agência de Habitação Popular há mais de seis anos, sem qualquer retorno.
A situação gerou tensão no local, com a presença da Guarda Civil Metropolitana e representantes da prefeitura. Enquanto os ocupantes relatam abandono do terreno, com mato alto e potenciais focos de dengue, a prefeitura alega que a área é destinada à construção de moradias populares, um fato que os ocupantes contestam veementemente, visto que nunca presenciaram qualquer movimentação para tal fim.
Moradia é um direito, afirmam famílias
Rogério Aparecido, 34 anos, que trabalha com serviços gerais e está entre os que tentaram ocupar o terreno, explicou que o grupo chegou ao local por volta das 3h da manhã. A decisão de permanecer se deu após constatarem que grande parte das áreas vizinhas já está ocupada por outras famílias em situação semelhante. Ele ressalta que todos os presentes possuem cadastro na Agehab (Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul) há mais de seis anos.
“A gente escuta que é normal esperar, que tem gente há 30 anos no cadastro. Então a gente tem que morrer para conseguir uma moradia?”, desabafa Rogério, evidenciando a frustração e o sentimento de abandono por parte do poder público. A falta de perspectiva e a **urgência por um teto** motivam essas famílias a buscarem soluções por conta própria.
Terreno abandonado e promessas de moradia popular
Os ocupantes descrevem o terreno como abandonado, com mato alto e acúmulo de água parada, o que representa um risco à saúde pública pela possível proliferação do mosquito da dengue. A Guarda Civil Metropolitana esteve no local por volta das 7h30, permanecendo por cerca de 40 minutos. Segundo os ocupantes, os agentes informaram que fariam apenas escolta e retornariam com apoio policial se houvesse nova tentativa de ocupação.
Representantes da prefeitura também compareceram, solicitando a saída imediata das famílias e informando que o terreno seria em breve utilizado para a construção de moradias populares. Um servidor municipal teria, inclusive, ameaçado o uso de “força” caso o grupo não deixasse o local. No entanto, os moradores, que residem na região há muitos anos, **duvidam da promessa**, pois nunca viram qualquer iniciativa concreta para a construção de casas populares ali.
Disputa pela área e futuro incerto
As famílias afirmam que pretendem permanecer no local, argumentando que muitas vivem de favor ou pagam aluguéis que consomem a maior parte de suas rendas, sem condições de manter as despesas básicas. A situação de vulnerabilidade social e a **falta de acesso à moradia digna** são os principais motores dessa ocupação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação reflete um problema crônico de falta de moradia na região.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para obter um posicionamento oficial sobre a destinação da área e a previsão de projetos habitacionais. Até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta, deixando o futuro do terreno e das famílias que nele buscam refúgio em aberto. O Campo Grande NEWS mantém o espaço aberto para o pronunciamento do poder público.
Este caso foi trazido à tona por um leitor que enviou a informação através do canal Direto das Ruas, reforçando a importância da participação cidadã na fiscalização e na denúncia de problemas sociais. A comunidade aguarda respostas concretas e soluções para a crise habitacional que afeta tantas famílias em Campo Grande, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

