Família de jovem espancado e atropelado clama por justiça em Campo Grande

A família de Vandermarcio Gomes da Silva Junior, de 22 anos, que foi brutalmente espancado e atropelado em maio de 2024, em Campo Grande, se reuniu em frente ao Fórum da cidade nesta segunda-feira (1º). Com cartazes nas mãos, eles pedem por justiça e a condenação dos envolvidos na morte do jovem, que tentava defender um amigo em uma discussão.

A audiência de instrução e julgamento dos cinco réus aconteceu no Fórum de Campo Grande. O principal acusado, Gustavo Paulino, apontado como o motorista que atropelou Vandermarcio, não prestou depoimento, mas acompanhou o ato processual. O caso pode ser levado ao Tribunal do Júri.

Mãe relata dor e esperança por justiça

Elenita Alves dos Anjos, mãe de Vandermarcio, de 49 anos, expressou sua esperança na condenação dos responsáveis. Mais de um ano após a tragédia, ela ainda enfrenta o luto e a dificuldade de lidar com a perda, tendo inclusive se mudado de casa para fugir das lembranças constantes do filho.

“Naquele dia, o amigo do meu filho chamou ele para jogar sinuca. Quando estavam no caminho, apareceram algumas pessoas atrás desse amigo. Meu filho entrou na briga para defendê-lo e acabou ficando sozinho. O amigo correu e deixou meu menino para trás”, relembrou Elenita, com a voz embargada.

Elenita também descreveu os últimos momentos de Vandermarcio. “Os bombeiros levaram ele para a Santa Casa. Ele lutou pela vida, mas morreu na manhã seguinte. Muita gente bateu nele. Ele ficou internado lutando porque sabia que não podia me deixar”, disse, emocionada.

Jovem descrito como “bom menino” que morreu tentando ajudar

A tia de Vandermarcio, Fátima Alves dos Anjos, de 48 anos, também esteve presente na audiência. Ela reforçou que o sobrinho não tinha envolvimento com drogas ou antecedentes criminais. “Nós fizemos exame toxicológico nele no ano passado e o resultado deu negativo. Ele era um bom menino, nunca fez nada de errado. A única coisa que fazia era tomar uma cervejinha, como qualquer jovem. Morreu tentando salvar um amigo”, afirmou.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o primeiro réu a ser ouvido foi Luan de Oliveira Lemes. Ele declarou que não conhecia Vandermarcio e que a confusão teria se iniciado após um desentendimento com Vinicius Lisboa, a quem ele cobrava uma dívida de R$ 150. Luan alegou que Vinicius e Vandermarcio seguiram a pé, enquanto ele e Kauan Phelipe Florêncio de Almeida os acompanhavam de motocicleta.

Luan afirmou que um VW Gol com quatro ocupantes chegou ao local e, embora não tenha prestado atenção em quem dirigia, disse que eles passaram a acompanhar a situação. Ele declarou que, após Vinicius fugir, ele também correu atrás e não presenciou o atropelamento. Segundo o réu, após a discussão, ele foi para a casa da irmã.

Denúncia aponta cinco envolvidos no crime

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Gustavo Mendes de Souza Paulino, Luan de Oliveira Lemes, Giovana Mendonça Ferreira, Ygor Matheus Rodrigues dos Santos Carvalho e Kauan Phelipe Florêncio de Almeida pelo homicídio. Gustavo é apontado como o motorista do veículo que atropelou Vandermarcio. Giovana, Ygor e Maria Eduarda estariam no carro.

A acusação descreve que, ao verem Luan perseguindo Vinicius e Vandermarcio, os ocupantes do Gol passaram a acompanhar. Após Vinicius conseguir escapar, os denunciados teriam agredido Vandermarcio. Em seguida, Gustavo teria retornado ao veículo e atropelado a vítima, que já estava caída no chão. O boletim de ocorrência indica que Vandermarcio ainda foi arrastado por cerca de 4 metros após o atropelamento. O carro foi abandonado e os suspeitos fugiram.

Cronologia das prisões e reviravoltas no caso

Gustavo foi preso em outubro do ano passado, em Toledo (PR), cinco meses após o crime. Poucos dias depois, a casa de Kauan foi invadida e ele foi baleado. Luan foi preso em fevereiro deste ano. Ygor Matheus também chegou a ficar detido preventivamente, mas teve a prisão revogada em abril. A família de Vandermarcio, com o apoio do Campo Grande NEWS, segue na luta por justiça, esperando que todos os culpados sejam responsabilizados pelos seus atos. O caso, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, ainda está em andamento e a expectativa é que seja enviado ao Tribunal do Júri.