A família da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em Campo Grande (MS), divulgou uma nota pública nesta quarta-feira (27) refutando veementemente a tese de suicídio apresentada pela defesa do marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. A família classifica o ocorrido como um “brutal feminicídio” e acusa a defesa do médico de criar uma “fantasia arquitetada” para livrá-lo da responsabilidade criminal.
O caso, investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), já apresenta inconsistências nos depoimentos e indícios de fraude processual, especialmente após armas terem sido removidas da propriedade após a morte de Fabiola. O advogado da família, Márcio Leonardo Almeida das Virgens, que atua como assistente de acusação, afirmou que a ciência forense será implacável na elucidação dos fatos.
Fabiola Marcotti foi encontrada sem vida na manhã do dia 18 de maio, em sua chácara na região da Chácara dos Poderes. Desde então, a investigação policial tem reunido evidências que contradizem a versão inicial de autoextermínio. A família, por meio de seu representante legal, demonstrou total confiança no trabalho técnico da Deam, do Instituto de Criminalística e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
O cardiologista João Jazbik Neto, segundo o boletim de ocorrência, relatou ter encontrado a esposa caída no quarto e sustentou a tese de que ela teria tirado a própria vida. No entanto, a defesa do médico, representada pelo advogado José Belga Trad, posteriormente declarou que a hipótese de feminicídio estaria afastada, sugerindo que o cliente responderia apenas por posse irregular de armas e fraude processual. A defesa também negou que o cardiologista tenha efetuado disparos contra a esposa.
Contudo, a Polícia Civil rapidamente apontou divergências nos depoimentos coletados na propriedade rural e inconsistências entre o ferimento da vítima e a versão apresentada inicialmente. Conforme a Deam, indícios de fraude processual surgiram após a retirada de um armário contendo armas e munições da casa principal para outro imóvel na chácara, após a morte da fisioterapeuta. O médico, o caseiro e um ex-funcionário foram autuados em flagrante por essa movimentação.
Durante as buscas na propriedade, diversas armas de fogo, de uso permitido e restrito, foram apreendidas. João Jazbik Neto possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), o que levanta questões sobre a posse e o manuseio das armas encontradas.
Em sua nota pública, o advogado da família Marcotti declarou: “Nesse sentido, repudiamos com veemência a despudorada tentativa da defesa do investigado de falsear a verdade. A tese de autoextermínio é uma fantasia arquitetada, uma narrativa falaciosa e leviana, construída com o único e covarde propósito de livrar o autor de sua responsabilização criminal”. Ele enfatizou ainda que “o que ocorreu não foi um infortúnio, mas sim um brutal feminicídio”.
A família e os amigos de Fabiola Marcotti afirmaram que permanecerão “vigilantes e combativos” e que a memória da fisioterapeuta “não será sepultada sob a conveniência de mentiras”, buscando a justiça até as últimas instâncias. O caso continua sob investigação, com as autoridades confiando na ciência forense para desvendar a verdade por trás da morte da fisioterapeuta. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação avança com a análise de provas técnicas e depoimentos para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte de Fabiola.
A nota divulgada nesta quarta-feira reforça a posição da família diante das disputas de versões entre a defesa do cardiologista e as autoridades policiais. A família confia que a investigação conduzida pela Deam e demais órgãos de perícia trará à tona a verdade dos fatos, desmascarando a tese de suicídio como uma “fantasia arquitetada”. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, as inconsistências encontradas pela polícia são cruciais para o andamento do caso e a possível responsabilização criminal do investigado. A comunidade local acompanha atentamente o desenrolar das investigações, esperando por justiça para Fabiola Marcotti. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso, trazendo atualizações sobre as investigações e os desdobramentos jurídicos.

