A dor de Regiane Jorge, mãe de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, é imensurável. O menino, que segundo ela era completamente saudável, faleceu no dia 7 de abril após uma série de atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Campo Grande. A família agora busca acesso judicial aos prontuários médicos da criança, acreditando que houve negligência no cuidado prestado.
O caso, que chocou a cidade, ganhou repercussão e foi registrado como homicídio culposo na Depac Centro. A prefeita Adriane Lopes já prometeu uma investigação detalhada sobre o ocorrido, buscando apurar as responsabilidades e garantir que a justiça seja feita. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a mãe relata que tudo começou após uma queda enquanto João Guilherme brincava com amigos, resultando em uma lesão no joelho.
“Meu filho era uma criança saudável, não tinha problema nenhum. Foi uma queda, machucou o joelho. A gente foi uma, duas, três vezes procurar atendimento e ninguém fez nada. Era para ele estar aqui comigo”, desabafou Regiane, visivelmente emocionada, em entrevista nesta terça-feira (14).
A escalada de um quadro preocupante
Em menos de quatro dias, o que parecia ser um simples machucado evoluiu para um quadro gravíssimo. Regiane conta que, após a queda, João Guilherme começou a sentir dores e, em um curto período, seu estado de saúde deteriorou rapidamente. A mãe descreve o sofrimento em ver o filho agravar-se enquanto buscava atendimento em diferentes unidades.
“Era correr de um lado para o outro e ninguém fazia nada”, lamentou. A criança chegou a ser atendida na Santa Casa, onde teve o joelho imobilizado. No entanto, o quadro clínico continuou a piorar, culminando em paradas cardiorrespiratórias, mesmo após tentativas de reanimação pela equipe médica.
Relatos de atendimento precário e desencontro de informações
Adriana Soares, tia de João Guilherme, acompanhou parte do atendimento e relatou momentos de apreensão. Segundo ela, quando o menino deu entrada em uma unidade do Bairro Universitário, já estava em estado grave, quase desmaiado. A tia descreveu que o atendimento inicial ocorreu no chão, pois não havia maca disponível, e que a equipe médica mencionou a necessidade de intubação devido à dificuldade respiratória.
Houve também relatos de desencontro de informações entre a equipe médica e a família. Em um momento, informaram que o menino não havia sido reanimado, e pouco tempo depois, voltaram atrás, dizendo que a reanimação havia sido bem-sucedida. A espera pela transferência para a Santa Casa foi marcada pela angústia e pela incerteza.
Busca por justiça e questionamentos sobre o serviço de saúde
A família de João Guilherme busca incansavelmente por justiça, não apenas pelo seu filho, mas também para alertar sobre a qualidade do serviço de saúde oferecido a outras crianças. Regiane questiona a qualidade do atendimento recebido e a série de eventos que culminaram na perda do seu filho. “Muitas crianças estão morrendo, como o meu filho. Ninguém vai trazer ele de volta”, declarou.
O advogado da família, Givanildo de Paula, informou que os pedidos para acesso aos prontuários médicos da Santa Casa foram negados. Diante disso, a defesa pretende ingressar com um pedido de liminar para obter os documentos. O advogado também ressalta que, com base nas informações já coletadas, existem indícios de possível negligência no atendimento prestado à criança. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a equipe jurídica também buscará os prontuários da rede municipal por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e, caso necessário, acionará o Ministério Público e a via judicial.
Investigação promivida pela prefeitura
Em resposta às preocupações levantadas, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, garantiu que a morte de João Guilherme será rigorosamente investigada. Ela afirmou que a prefeitura, que contrata prestadores de serviço para o município, realizará a apuração dos fatos. A prefeita ressaltou, contudo, que o ocorrido não se deu dentro de uma UPA, mas sim dentro de um hospital. A declaração, conforme detalhado pelo Campo Grande NEWS, busca delimitar a responsabilidade administrativa direta do município. O caso segue em investigação pelas autoridades competentes.

