A escassez de medicamentos, especialmente os psiquiátricos, tornou-se o principal desafio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande. O titular da pasta, Marcelo Vilela, admitiu a gravidade da situação e prometeu a **normalização do estoque até abril**, durante audiência de prestação de contas na Câmara Municipal nesta sexta-feira (27).
Saúde de Campo Grande: Medicamentos Psiquiátricos em Falta e Previsão de Reposição
O desabastecimento de fármacos na rede pública de saúde de Campo Grande é uma preocupação constante, com os medicamentos psiquiátricos liderando a lista de itens em falta. O secretário Marcelo Vilela, em sua apresentação na Câmara Municipal, detalhou os obstáculos que impedem o abastecimento pleno, como a complexidade dos processos licitatórios e problemas contratuais com fornecedores. A expectativa é que, até abril, a situação seja resolvida, garantindo o acesso da população aos tratamentos necessários.
Apesar de Campo Grande investir cerca de 30% de seu orçamento em saúde, o dobro do mínimo constitucional exigido, o valor ainda é considerado insuficiente para cobrir todas as demandas. Segundo Vilela, seriam necessários aproximadamente R$ 6 milhões adicionais por mês para suprir integralmente as necessidades do sistema de saúde municipal. Essa declaração, conforme o Campo Grande NEWS checou, aponta para um cenário de subfinanciamento crônico na área da saúde em todo o país.
O secretário ressaltou que a falta de medicamentos nas unidades básicas de saúde é a questão que mais afeta os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele enfatizou que a maior deficiência atual está nos medicamentos psiquiátricos, mas que a pasta trabalha para que tudo esteja regularizado o mais breve possível. A declaração completa do secretário foi: “O que ainda não está totalmente regularizado são os medicamentos da rede psicossocial. Acreditamos que, no mais tardar até abril, esses também estarão normalizados e disponíveis para a população”.
Burocracia e Contratos: Os Vilões do Abastecimento
Marcelo Vilela explicou que a dificuldade em manter o estoque completo se deve, em grande parte, à **burocracia inerente aos processos licitatórios**. Ele citou casos em que empresas vencem licitações com propostas de valores muito baixos e, posteriormente, solicitam reequilíbrio contratual. Esse tipo de situação, segundo o secretário, gera processos jurídicos que podem se estender por 60 a 90 dias, atrasando a entrega dos medicamentos.
“Trabalhamos para atingir entre 85% e 90% de regularização. Na gestão pública há licitações, empresas que vencem com preço baixo e depois pedem reequilíbrio contratual. Isso gera processos jurídicos que podem levar de 60 a 90 dias. Depois há empenho, pedido e entrega. Por isso ocorrem atrasos”, justificou Vilela, em entrevista detalhada no portal Campo Grande NEWS.
Ele também destacou que a **regularização dos estoques é uma prioridade da gestão** e que a prefeita Adriane Lopes tem cobrado diretamente por soluções. Além da medicação, a gestão foca no fortalecimento da atenção primária à saúde, visando desafogar os serviços de média e alta complexidade, e na promoção de novas contratações para aprimorar o sistema.
Investimento em Saúde em Campo Grande: Um Cenário Complexo
O secretário Vilela fez questão de frisar que Campo Grande investe em saúde o dobro do mínimo constitucional, aplicando cerca de 30% do seu orçamento na área, enquanto a média nacional gira em torno desse percentual. Apesar disso, o montante de aproximadamente R$ 2 bilhões destinados à Sesau não é suficiente para atender a todas as demandas. A necessidade estimada de recursos adicionais mensais é de R$ 6 milhões.
Dados apresentados na audiência revelam a intensa atividade na rede municipal de saúde. No terceiro quadrimestre de 2025, foram realizadas mais de 1 milhão de visitas domiciliares por agentes comunitários de saúde e mais de 541 mil atendimentos individuais. Ao todo, a Atenção Primária à Saúde somou quase 2,6 milhões de procedimentos.
A produção hospitalar totalizou 28.348 procedimentos, com um valor aprovado de R$ 74,4 milhões, evidenciando a concentração de recursos em serviços de alta complexidade. Já a Atenção Especializada Ambulatorial registrou 1,5 milhão de procedimentos, com R$ 48,8 milhões em valores aprovados. O investimento municipal no Componente Básico da Assistência Farmacêutica em 2025 foi de R$ 22,6 milhões, destinado à aquisição de medicamentos padronizados e manutenção do abastecimento, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Apesar dos desafios e do subfinanciamento apontado pelo secretário, a Sesau mantém um compromisso com a população, buscando otimizar a gestão dos recursos limitados para garantir o acesso aos serviços e medicamentos essenciais. A promessa de normalização do estoque de medicamentos psiquiátricos até abril é um passo importante para mitigar os impactos negativos da escassez na vida dos cidadãos de Campo Grande.

