Alcides Bernal depõe pela 1ª vez sobre morte de fiscal em Campo Grande
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, prestou depoimento nesta quarta-feira (27) na audiência de instrução do processo que apura a morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu em março, após uma disputa pela posse de um imóvel no Jardim dos Estados, culminando com Mazzini sendo morto a tiros dentro da residência. Bernal, que responde ao processo em prisão preventiva, foi preso em flagrante no dia do ocorrido e desde o início das investigações alega ter agido em legítima defesa. Conforme informações divulgadas, a audiência foi conduzida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Disputa por imóvel e depoimento de Bernal
A audiência de instrução, realizada sem a presença da imprensa, ouviu, além de Bernal, outras 12 testemunhas de defesa. Na terça-feira (26), o magistrado já havia ouvido testemunhas indicadas pelo Ministério Público. Segundo a investigação, Roberto Carlos Mazzini teria ido até a casa acompanhado de um chaveiro para tentar assumir a posse do imóvel, que havia sido arrematado anteriormente em leilão. O imóvel em questão está localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados.
O advogado de defesa de Bernal, Ricardo Machado, afirmou que o depoimento do ex-prefeito reforçou a tese de legítima defesa. Segundo Machado, testemunhas, documentos, fotos e laudos periciais indicam que Alcides Bernal reagiu após ter o imóvel invadido por pessoas desconhecidas. A defesa informou ainda que pretende pedir a revogação da prisão preventiva após o encerramento da fase de instrução do processo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a defesa busca demonstrar que a ação de Bernal foi uma reação a uma invasão.
Versões conflitantes e próximos passos do processo
Por outro lado, o advogado da acusação, Thiago Martinho, representante da família da vítima, declarou que as provas reunidas até o momento apontam para a responsabilização de Bernal. Martinho salientou que a perícia indica que um dos disparos foi efetuado a curta distância, contestando a versão de legítima defesa. Ele também refutou a alegação de invasão de propriedade, argumentando que o imóvel havia sido adquirido legalmente pela vítima e a posse já estava regularizada, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
O crime, que chocou a cidade, ocorreu em março e terminou com a morte de Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. A disputa pela posse do imóvel no Jardim dos Estados foi o estopim para o trágico desfecho. A defesa de Alcides Bernal busca comprovar que ele agiu em legítima defesa, enquanto a acusação sustenta a tese de homicídio qualificado. A situação jurídica de Bernal, que se encontra em prisão preventiva, adiciona complexidade ao caso.
Após o encerramento dos depoimentos, o processo seguirá para a fase de alegações finais do Ministério Público e da defesa. Em seguida, a Justiça decidirá se Alcides Bernal irá a julgamento pelo Tribunal do Júri. Acompanhar os desdobramentos é crucial para entender como a justiça tratará este caso de grande repercussão. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto todos os detalhes deste caso.
A defesa de Bernal enfatiza que a investigação e os depoimentos colhidos até agora sustentam a ideia de que houve uma reação a uma ameaça, um ponto crucial para a caracterização da legítima defesa. Documentos e laudos periciais são peças fundamentais nesse argumento. A expectativa é que, com o fim da instrução processual, a prisão preventiva seja revista.
A família da vítima, representada pelo advogado Thiago Martinho, por sua vez, aponta indícios que contrariam a versão da defesa. A distância do disparo, segundo a perícia, é um dos pontos que a acusação pretende explorar para sustentar a tese de homicídio. A legalidade da aquisição do imóvel pela vítima também é um fator relevante, descaracterizando a ideia de invasão, segundo a acusação.
O caso levanta importantes discussões sobre direito à propriedade, legítima defesa e a aplicação da lei em situações de conflito. A decisão final da Justiça terá um peso significativo, não apenas para os envolvidos, mas como um precedente para casos semelhantes. A análise minuciosa de todas as provas e testemunhos será determinante para a conclusão deste processo judicial.

