EUA oficializam tarifa de 25% ao Brasil, mas poupam carnes, café e celulose

Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo país. A decisão, divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, encerra uma investigação que apontou supostas práticas comerciais desfavoráveis às empresas norte-americanas. Apesar do impacto significativo, a medida isenta itens cruciais como carnes, café, celulose e aeronaves, buscando mitigar os efeitos sobre setores estratégicos da economia brasileira. Conforme informação divulgada pelo g1, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4 mil produtos brasileiros possam ser afetados, totalizando aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações.

Apesar da exclusão de produtos como carnes, café e celulose, que são pilares das exportações brasileiras para os EUA, a nova tarifa incidirá sobre milhares de outros itens. Entre os produtos que permanecem livres da taxação estão também suco de laranja, aeronaves e peças aeronáuticas, fertilizantes, minerais críticos e certos insumos industriais essenciais para empresas americanas. Essa lista seletiva visa, de certa forma, reduzir o choque econômico sobre os setores com maior volume de negócios entre os dois países. No contexto de Mato Grosso do Sul, por exemplo, as exceções garantem a manutenção das exportações de carne bovina e celulose, dois dos principais produtos do estado, embora o ferro-gusa esteja incluído na lista de mercadorias sujeitas à nova tarifa, podendo impactar o comércio exterior local.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou à CBS News que houve tentativas de negociação para evitar a imposição da tarifa, mas as conversas não avançaram. Segundo ele, o presidente Donald Trump autorizou a medida após receber a recomendação do escritório comercial. A CNI, por sua vez, calcula que a nova tarifa pode atingir um montante expressivo de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, afetando aproximadamente 4 mil diferentes tipos de produtos. O Campo Grande NEWS checou que, caso a nova tarifa entre em vigor, o Brasil poderá enfrentar um cenário de tarifas totais de até 37,5% em algumas exportações, dependendo de uma segunda investigação em curso.

Entenda as razões por trás da nova tarifa americana

A investigação que culminou na imposição da tarifa de 25% foi iniciada por determinação do governo Trump. Os Estados Unidos alegam que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em diversas áreas, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento ilegal. Uma das críticas específicas recai sobre o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil. O órgão americano argumenta que o Pix favorece soluções nacionais em detrimento de empresas privadas estrangeiras, uma avaliação que o governo brasileiro refuta, afirmando que o sistema permanece aberto a instituições nacionais e internacionais.

Outro ponto levantado pelos Estados Unidos refere-se a acordos comerciais que concedem tarifas reduzidas a produtos do México e da Índia. Os americanos argumentam que empresas brasileiras não recebem tratamento equivalente no mercado brasileiro. O governo brasileiro, por meio de sua equipe econômica, contestou veementemente as conclusões da investigação, classificando as acusações como sem fundamento técnico. O Campo Grande NEWS checou que o Brasil está avaliando a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, um instrumento legal que permite ao país retaliar barreiras comerciais impostas por outras nações. Essa medida representaria uma resposta firme às ações americanas.

Impacto potencial e a ameaça de tarifas ainda maiores

A CNI estima que o impacto total da nova tarifa de 25% possa chegar a US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. No entanto, o cenário pode se agravar ainda mais. O Brasil aguarda a conclusão de uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos, focada em produtos ligados a alegações de trabalho forçado. Caso essa nova recomendação também seja aprovada e implementada, algumas exportações brasileiras poderão enfrentar uma tarifa total combinada de até 37,5%. Essa perspectiva aumenta a apreensão no setor produtivo brasileiro, que busca entender a extensão completa das barreiras comerciais impostas pelos EUA. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto as negociações e as declarações oficiais, buscando trazer clareza sobre este complexo cenário econômico.

A exclusão de produtos como carnes e café da nova tarifa é um alívio para setores que dependem fortemente do mercado americano. Contudo, a inclusão de outros milhares de itens demonstra a amplitude da investigação e das preocupações americanas. A análise das práticas comerciais brasileiras por parte dos EUA abrange desde questões de propriedade intelectual até a regulamentação de sistemas de pagamento como o Pix. O governo brasileiro mantém sua posição de contestar as alegações e buscar soluções diplomáticas e legais para mitigar os efeitos dessas novas tarifas, preservando o fluxo comercial com um de seus principais parceiros.