Estudantes de Enfermagem da UniCesumar temem futuro incerto por falta de estágios

Alunos do curso de Enfermagem da UniCesumar, em Campo Grande, enfrentam um cenário preocupante com a alegada falta de oferta de estágios obrigatórios. A situação gera grande apreensão entre os acadêmicos, que temem um atraso significativo na conclusão de suas graduações, impactando diretamente suas expectativas de carreira e o investimento financeiro na formação.

A grade curricular do curso de Enfermagem exige a realização de quatro etapas de Estágio Supervisionado em Atenção Integral. Essas atividades práticas são consideradas cruciais para a formação de futuros profissionais de saúde, pois permitem a aplicação de conhecimentos teóricos em cenários reais de atendimento. No entanto, os estudantes afirmam que a universidade não tem conseguido firmar convênios suficientes com hospitais e outras unidades de saúde para viabilizar esses campos de prática.

Desde maio de 2025, os acadêmicos relatam que a instituição informa estar em negociação para formalizar parcerias, mas até o momento, não foram encaminhados para os estágios. Um dos alunos, que preferiu não se identificar, detalhou que três etapas do estágio deveriam ter sido cumpridas ao longo de 2025, e a quarta etapa, iniciada em fevereiro de 2026, ainda não teve seus campos de prática definidos.

A falta de oportunidades para cumprir a carga horária prática obrigatória coloca os estudantes em uma situação delicada. Eles continuam arcando com os custos das mensalidades, incluindo as disciplinas teóricas relacionadas aos estágios, mas correm o risco de serem reprovados ou de ter sua formatura adiada por uma exigência que, segundo eles, depende da própria instituição de ensino.

A comunicação sobre a resolução do problema também tem sido um ponto de insatisfação. Conforme os relatos, o polo da UniCesumar em Campo Grande teria informado que a responsabilidade pela formalização dos convênios recai sobre a sede da universidade em Maringá, no Paraná. Para os acadêmicos, essa descentralização demonstra uma falta de suporte local adequado para lidar com questões tão urgentes.

Denúncia no Ministério Público e desistências marcam o impasse

Diante da falta de soluções e da incerteza sobre o futuro acadêmico, um grupo de estudantes decidiu registrar uma denúncia no Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A iniciativa resultou na abertura de uma Notícia de Fato e no ingresso de uma ação judicial para buscar uma resolução para o impasse. A situação reflete a gravidade do problema e o desespero dos alunos em garantir o prosseguimento de seus estudos.

A falta de definição sobre os estágios também já levou alguns estudantes a desistirem do curso na UniCesumar. Priscila Aparecida Nazario Alves, ex-acadêmica de enfermagem, relatou que tomou a difícil decisão de trocar de faculdade após enfrentar dificuldades significativas durante sua trajetória acadêmica. Ela expressou sua preocupação com a falta de suporte oferecido pela instituição.

“Minha preocupação com essa situação foi devido à falta de suporte da faculdade. Eu acreditava que não conseguiria concluir meu curso”, afirmou Priscila. Ela também destacou que a ausência de orientação adequada afetou diretamente o aprendizado dos alunos. “Afetou muito o nosso aprendizado, porque estávamos desassistidos, sem orientação”, disse.

Priscila contou que, por esses motivos, optou por deixar a UniCesumar e iniciar um novo processo em outra universidade. “Acabei desistindo do curso nesta faculdade por falta de suporte. Atualmente entrei em outra instituição e estou tentando aproveitar as disciplinas já cursadas para concluir o bacharelado”, relatou, demonstrando o impacto direto da falta de estágios na continuidade da formação profissional.

Descredenciamento da unidade presencial agrava o cenário

O problema dos estágios ocorre em um momento de mudanças estruturais na UniCesumar em Campo Grande. Conforme reportagem publicada pelo Campo Grande NEWS, o Ministério da Educação (MEC) oficializou o descredenciamento da unidade presencial da Faculdade UniCesumar em Campo Grande. A decisão, assinada pelo ministro Camilo Santana, foi publicada no Diário Oficial da União.

O descredenciamento ocorreu a pedido da própria instituição. Em fevereiro deste ano, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a unidade informou que os cursos presenciais haviam sido encerrados, restando apenas as atividades na modalidade de Ensino a Distância (EaD). A UniCesumar, em nota, confirmou o encerramento das atividades presenciais em dezembro de 2024, período em que ofertava o curso de Direito, e que o descredenciamento da unidade foi solicitado voluntariamente.

A universidade ainda afirmou que, em Campo Grande, o curso de Enfermagem mantém convênios ativos com a Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, celebrados em setembro de 2025, e com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), firmados na mesma época. Segundo a instituição, esses acordos viabilizariam a realização dos estágios obrigatórios e que estudantes estariam, inclusive, realizando suas práticas nesses locais, com egressos já tendo concluído o curso.

No entanto, a reportagem do Campo Grande NEWS procurou a Santa Casa, que informou que o acordo com a UniCesumar ainda está em fase de negociação e segue sem contrato formalizado. Essa divergência de informações aumenta a insegurança dos estudantes sobre a real situação dos convênios e a disponibilidade dos campos de estágio necessários para a conclusão do curso.